Sermão para mim mesmo – LXV

Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

Sabedoria e Sobrevivência

                Eclesiastes 7:

16 Não exageres tua honradez nem te tornes presunçoso com tua sabedoria: par que matar-se?

17 Não exageres tua malvadez e não sejas insensato: para que morrer antes do tempo?

18 Bom é agarrar-te a um sem deixar o outro, pois quem teme a Deus encontrará um e outro.

Vamos nos lembrar de como a Bíblia de Jerusalém se refere a esta porção da sabedoria:

Embora a vida e a morte estejam mal distribuídas (7:15), é inútil fazer esforços sobre-humanos (7:16-18).

E já que se menciona o verso 15, ei-lo:

15 Já vi de tudo em minha vida cheia de ilusões: gente honrada que fracassa por sua honradez, gente malvada que prospera por sua malvadez.

Gosto, como sempre, da Nova Tradução em Linguagem de Hoje e nela reproduzo este trecho, pois ajudarão na sua compreensão:

7.15   A minha vida tem sido uma ilusão, mas nela eu tenho visto de tudo. Há pessoas boas que morrem, e há pessoas más que continuam a viver a sua vida errada.

7.16   Por isso, não seja bom demais, nem sábio demais; por que você iria se destruir?

7.17   Mas também não seja mau demais, nem tolo demais; por que você iria morrer antes do tempo?

7.18   Evite tanto uma coisa como a outra. Se você temer a Deus, terá sucesso em tudo.

Algumas anotações sobre o verso 15:

1)      É repetido mais à frente no verso 8:14.

2)      As referências bíblicas, também a repeito do verso 15, levaram-me ao Salmo 73. Transcrevo alguns versos:

Salmos (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

73.4   Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde.

73.5   Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm.

73.6   Por isso, usam o orgulho como se fosse um colar e a violência, como uma capa.

73.7   O coração deles está cheio de maldade, e a mente deles só vive fazendo planos perversos.

73.19   Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível.

73.20   Quando te levantas, Senhor, tu não lembras dos maus, pois eles são como um sonho que a gente esquece quando acorda de manhã.

73.21   O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado.

73.22   Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento.

Os versos 4 a 7 parece que falam dos governantes de um Pais (e eu nunca saí, nem a passeio do Brasil) que conheço. Que tristeza! Os versos 19 a 22 exprimem o que o Salmista esperava para eles.

O verso 16 há anos me deixa encafifado, isto é, encontro dificuldade em saber como se pode ser sábio “de mais” ou sábio “de menos”. Então o jeito é pensar um pouco mais a respeito.

Reproduzo rodapé da .) BÍBLIA SAGRADA, Edição Ecumênica, Barsa:

Não sejas muito justo, isto é, não o sejas em excesso e como quem padece de escrúpulos. A tese de que a virtude está no justo equilíbrio do trabalho, descanso, estudo, divertimento, etc., é repetida várias vezes (3,12s; 5,17s etc.)

A frase “como quem padece de escrúpulos” deve ser entendida, a meu ver, como sem o necessário cuidado, sem zelo, com ausência de delicadeza moral.

O Apóstolo Paulo pregava coisa parecida:

Romanos 12.3   Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu.

A sabedoria própria deve ser precedida de uma autoanálise, considerando com muita atenção os argumentos e circunstâncias do outro para não se cometer injustiças.

As referências bíblicas insistem em nos levar a este provérbio:

Provérbios 25.16   Achaste mel? Come o que te basta; para que, porventura, não te fartes dele e o venhas a vomitar.

que significa comedimento, autocontrole; saber quando parar, calar-se.

Mateus 6.1   Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.

Sabedoria, justiça, com propósito de autopromoção, não é sabedoria, não é justiça. Está corrompida.

Mateus 23.25   Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!

Sabedoria e justiça estão no âmago das pessoas. Detalhes exteriores não costumam serem bons indicadores destas virtudes. Vejam o exagero que cometiam:

 O israelita, máxime o fariseu, vivia peado por uma inextricável teia de preceitos — eram, segundo Gamaliel, 248, além de 346 proibições! Acresciam a isto inumeráveis conselhos e diretivas orais, cada um dos quais afetava a consciência com maior ou menor gravidade.

http://ihgomes.wordpress.com/ (Conversão de São Paulo)

1 Coríntios 3.18   Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto[i] para se tornar sábio.

Mas aqui Paulo fala da sabedoria “deste século”, a sabedoria dos homens, não a sabedoria que é dada por Deus[ii]. Os dois versos seguintes mostram isto:

1 Coríntios:

3.19   Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles.

 3.20   E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos.

E, por fim, ensinamentos de Tiago:

Tiago 3.13   Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras.

Tiago 3.17   A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.

Não seja malvado nem insensato, tolo, demais. É a recomendação do verso 17. Entendo que se pode esperar consenso a este propósito. Eu, pelo menos, até me esforço para ser só “tolo” ou “insensato”, isto é, eu me esforço para eliminar o “de mais”.

E lá vem o verso 18 “Evite tanto uma coisa como a outra”. Evitar o que? Ser “tolo demais” ou “insensato demais”? Eu preferiria apostar que recomenda: “não ser sábio demais” e “não ser malvado demais”. Ou seja, “a tese de que a virtude está no justo equilíbrio” proposta pelos tradutores da Bíblia Ecumênica tem respaldo.

Transcrevo o que foi dito no Sermão LXIII:

“E os versos 11 e 12?

11 – Boa é a sabedoria acompanhada de patrimônio: é de proveito àqueles que veem o sol.

12 – Estar ao abrigo da sabedoria é como estar ao abrigo do dinheiro, e a vantagem do saber é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.

Se entendermos que “sabedoria” é igual a “boas obras[iii], poderíamos desconfiar de um certo sarcasmo, pois aquela só é completa acompanhada de “patrimônio”, mais do que isto, “os bons ventos” estariam soprando pela ação do “Sábio”, não do Criador: contudo, o Coélet já afirmou em Ecl. 5:19 que a riqueza e o “poder” dela desfrutar é um dom de Deus; e lá no capítulo 2, verso 26 afirma, com todas as letras, a tese dominante: “Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, e o dê ao bom…” Então o melhor é apreciarmos os versos em si mesmos, esquecendo a “retribuição segundo as obras”.

Estamos diante de um “bem aventurado”, pois além de sabedoria foi-lhe concedido a riqueza. Está em uma situação tranquila (como a de Jó, provavelmente…). Por esta tranquilidade peço aguardarem um pouco mais, quando falaremos sobre os versos 16 a 18 deste capítulo de Eclesiastes e falaremos mais demoradamente sobre a sabedoria.”

Lembremos que as considerações acima se referiam a hipótese de que Coélet estava usando de sarcasmo com a tese de “retribuição segundo as obras” e fiz questão de reproduzi-los  por entender que a associação “sabedoria X patrimônio”, “sabedoria X riqueza” exemplifica regiamente os preceitos de “prudente sabedoria” e “prudente bondade”.  Concordam?

Os versos15 a 18 (e por que não os versos 11 e 12?) formam um bloco único a que dou o título “Sabedoria da Sobrevivência”. Para ilustrar, uma historinha:

A enfermeira estava preparando a inserção de um tubo para conexão intravenosa em um garoto de 15 anos. Sua mãe, sempre ao seu lado, recebe um telefonema. Após uns minutos vira-se para o guri e diz: “Seu pai pergunta se as enfermeiras que estão cuidando de você são bonitas?” O garotão olha de soslaio para a enfermeira segurando a agulha acima de seu braço, pronta para espetá-lo, e diz com confiança e em voz alta: “Diga-lhe que elas são absolutamente maravilhosas.”

Será que o piá expressava absoluta verdade ou, instintivamente, aplicava a sabedoria da qual nos fala o texto? Neste caso, não seria necessário observar uma “honradez exagerada” – fazê-lo seria “insensatez”.

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio: estulto [Do lat. stultu.]  Adjetivo. 1.Tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto; estúpido.

[ii] Provérbios 2:6  Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

[iii] Relendo este texto, notei que precisa de um esclarecimento. Por que levantei a hipótese de comparar a “sabedoria” com “boas obras”? Por que, na minha cuca está sedimentado que a sabedoria leva inexoravelmente à prática de ações que beneficiem  o “todo”, isto é, a comunidade e não primordialmente ao pretenso sábio: “A verdadeira sabedoria consiste em saber como aumentar o bem-estar do mundo.” (Benjamin Franklin)

Conselhos para a 3a. Idade….!!!!!


 RECEBI DE UM CASAL DE AMIGOS QUE UM DIA CHEGARÃO À TERCEIRA IDADE. NÃO SEI O AUTOR, MAS ACHEI TÃO BOM QUE NÃO POSSO DEIXAR DE COMPARTILHAR.


Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente.
Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão de um tempo maior de velhice,
 que pode até não acontecer, se você morrer breve. 

Além disso, um idoso não consome muito além do plano de saúde e dos remédios. Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho.

Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, 
não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito.
 

Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação. 

Portanto, a responsabilidade agora é deles. 

Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário. 

Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada, alimente-se bem,  mas sem exagero. 

Tenha a sua própria condução, até quando não houver perigo.

Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos. 

Namore sempre, independente da idade, com sua “velha” companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce. As “Maria-gasolina” estão por ai e, um idoso, mesmo da classe média, é sempre uma garantia de futuro para as espertalhonas.

Esteja sempre limpo, um banho diário pelo menos,   seja vaidoso, frequente barbeiro,  pedicure, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica? 

Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado. 
Nada de ser muito moderno, tente ser eterno.
Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a internet, mande  e responda e-mails,  ligue para os amigos.  Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo.

Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados. 

Não use jamais a expressão “no meu tempo”, pois o seu tempo é hoje.

Seja o dono da sua casa por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá você é quem  manda. Não caia na besteira de morar com filhos, netos, ou seja lá o que for. 

Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo. 

Você está no período do ronco e da flatulência. 

Um bom asilo também não deve ser descartado e pode até ser bem divertido,  e você irá conviver com a turma da sua geração e não dará trabalho a ninguém. 

Cultive um “hobby”, seja caminhar, cozinhar, pescar, dançar, criar gato, cachorro,  cuidar de plantas,  jogar baralho, golfe, velejar ou colecionar algo. Faça o que gosta e os seus recursos permitam. 

Viaje sempre que possível, de preferência, vá de excursão, pois além de mais acessível, pode ser financiada e é uma ótima oportunidade para se conhecer novas pessoas. 

Aceite todos os convites de  batizado, formatura, casamento, missa de sétimo dia, o importante é sair de casa. 

Fale pouco e ouça mais, a sua vida e o seu passado só interessam a você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre  esses assuntos, seja sucinto e procure falar coisas boas e engraçadas.  Jamais se lamente de algo.

Fale baixo, seja gentil e educado, não critique nada, aceite a  situação como ela é. As dores e as doenças estarão sempre presentes; não as torne mais  problemáticas do que são falando sobre elas. Tente sublimá-las, afinal, elas afetam somente a você e são problemas seus e dos seus médicos. 

Não fique se apegando em religião, depois de velho, rezando e implorando o tempo todo como um  fanático.  O bom é que, em breve, seus pedidos poderão ser feitos pessoalmente a ele. 

Ria, ria muito, ria de tudo, você é um felizardo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte será somente uma nova etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida. 

Se alguém disser que você nunca fez nada de importante, não ligue.
O mais importante já foi feito: Você!

 

SERMÃO PARA MIM MESMO – LXIV


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

ANALISA, MAS ACEITA…

            Eclesiastes 7:

13 Observa a obra de Deus: quem poderá endireitar o que ele entortou?

14 Em tempo de prosperidade desfruta, em tempo de adversidade reflete: Deus criou a um e a outro, para que o homem não possa investigar seu destino.

15 Já vi de tudo em minha vida cheia de ilusões: gente honrada que fracassa por sua honradez, gente malvada que prospera por sua malvadez.

Segundo a classificação da Bíblia de Jerusalém, estes três versículos são introduzidos com a assertiva: “Tudo o que acontece deve ser aceito, sem procurar uma explicação”.

A afirmação do verso 13 traz alguma verdade, mas foi exposta de maneira incorreta, a meu ver.

A verdade está em reconhecer a suprema autoridade do Criador para criar e definir como as coisas devem ser. O bicho homem tem que se contentar com sua insignificância e aceitar o que a Natureza oferece, pois não dispõe de conhecimento ou poder para mudar nada. Ou melhor, pode modificar, com largo sacrifício, a si mesmo – para chegar a equivalência de forma com o Criador, dizem os Cabalistas.

Contudo, a expressão: “quem poderá endireitar o que ele entortou?” não foi muito feliz. “Entortar” passa a ideia de fazer algo errado, algo fora do lugar, sem sentido. O Criador do Universo poderia ter cometido algum engano? O Criador do corpo humano, com milhões de células que se organizam em órgãos, sistemas etc., poderia descuidar da sapiência em alguns de seus pensamentos?

O que possa eventualmente nos parecer “torto”, só o é pela deficiência de nosso entendimento.

Assim, “observa” a obra criada. Se, por acaso, alguma coisa não lhe parecer adequada com o seu melhor entendimento, tenha certeza de que sua compreensão não foi completa ou adequada.

 

Mas espera um momento ilustre articulador: analisando somente esta afirmativa, isolada de seu contexto, não se estará cometendo um equívoco? O verso 13 está umbilicalmente associado ao verso 15 e o parágrafo 14 é a astuta conclusão, a prudente consideração sobre o que nos resta fazer.

Deveras, faz sentido considerar “o justo sendo penalizado enquanto o malvado é premiado” como um tronco torto, retorcido. E olha que estas coisas já aconteciam há mais de dois mil anos atrás, entre o culto e religioso povo judeu. Vejam só o que diz o profeta Jeremias (anos 600 AC):

Jeremias 12:

1  —Ó SENHOR Deus, se eu discutisse esse meu caso contigo, tu provarias que estás com a razão. Mas eu preciso te fazer algumas perguntas sobre a tua justiça. Por que os maus ficam ricos? Por que os desonestos conseguem sucesso?

2  Tu os plantas, e as suas raízes se firmam; eles crescem e produzem fruto. Vivem sempre falando bem de ti, mas na verdade não se importam contigo.

3  Mas tu, ó SENHOR, me conheces; tu vês o que estou fazendo e sabes como te amo. Ó SENHOR, arrasta essa gente como ovelhas para o matadouro; separa-os para o dia da matança.

4  Por quanto tempo a nossa terra ficará seca? Até quando o capim murchará em todos os pastos? Os animais e as aves estão morrendo por causa da maldade dos moradores da terra, que dizem: “Deus não vê o que estamos fazendo.”

Não. Não! Ele não está falando do nosso Brasil atual, Está se referindo a acontecimentos de sua época. É um profeta? É, e muito temente e amigo do Criador. Mas, como nós, pede-lhe “ arrasta essa gente como ovelhas para o matadouro; separa-os para o dia da matança.” Reflete aqui o pensamento dominante da “retribuição conforme o mérito”. Pensava da mesma maneira que o Salmista:

Salmo 73:

1  Na verdade, Deus é bom para o povo de Israel, ele é bom para aqueles que têm um coração puro.

2  Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.

3  Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.

4  Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde.

5  Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm.

6  Por isso, usam o orgulho como se fosse um colar e a violência, como uma capa.

7  O coração deles está cheio de maldade, e a mente deles só vive fazendo planos perversos.

8  Eles gostam de caçoar e só falam de coisas más. São orgulhosos e fazem planos para explorar os outros.

9  Falam mal de Deus, que está no céu, e com orgulho dão ordens às pessoas aqui na terra.

10  Assim o povo de Deus vai atrás deles e crê no que eles dizem.

11  Eles afirmam: “Deus não vai saber disso; o Altíssimo não descobrirá nada!”

12  Os maus são assim: eles têm muito e ficam cada vez mais ricos.

13  Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas de pecado.

14  Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me castigas.

15 ¶ Se eu tivesse falado como os maus, teria traído o teu povo.

16  Então eu me esforcei para entender essas coisas, mas isso era difícil demais para mim.

17  Porém, quando fui ao teu Templo, entendi o que acontecerá no fim com os maus.

18  Tu os pões em lugares onde eles escorregam e fazes com que caiam mortos.

19  Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível.

20  Quando te levantas, Senhor, tu não lembras dos maus, pois eles são como um sonho que a gente esquece quando acorda de manhã.

21 O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado.

22  Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento.

23  No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão.

24  Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras.

25  No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra?

26  Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso.

27  Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti.

28  Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do SENHOR Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito.

Os amigos de Jó pensavam da mesma forma:

Jó 34: (palavras de Eliú):

24  Quebranta os fortes, sem os inquirir, e põe outros em seu lugar.

25  Ele conhece, pois, as suas obras; de noite, os transtorna, e ficam moídos.

26  Ele os fere como a perversos, à vista de todos;

27  porque dele se desviaram, e não quiseram compreender nenhum de seus caminhos,

28  e, assim, fizeram que o clamor do pobre subisse até Deus, e este ouviu o lamento dos aflitos.

29  Se ele aquietar-se, quem o condenará? Se encobrir o rosto, quem o poderá contemplar, seja um povo, seja um homem?

Mas Jó, à vista de seu sofrimento, já não tinha tanta certeza desta ideia:

Jó 12:

10  A vida de todas as criaturas está na mão de Deus; é ele quem mantém todas as pessoas com vida.

11  Meus amigos, assim como os ouvidos julgam o valor das palavras, e o paladar prova os alimentos, assim escuto o que vocês dizem, mas só aceito aquilo que acho certo.

12  “Os velhos são sábios, pois a idade traz a compreensão.

13  No entanto, Deus é sábio e poderoso; ele tem inteligência e entendimento.

14  Ninguém pode reconstruir o que Deus derruba; e, se ele prende, ninguém pode soltar.

15  Quando Deus segura a chuva, vem a seca; quando deixa saírem as águas, há enchentes.

16  “Deus é forte e vitorioso; ele tem poder tanto sobre o enganado como sobre o enganador.

17  Ele tira das autoridades a sabedoria e faz com que os líderes percam o juízo.

18  Deus tira os reis dos seus tronos e os põe na prisão.

19  Deus afasta os sacerdotes do seu ofício; ele derruba os que estão no poder.

20  Deus faz calarem conselheiros de confiança e acaba com a sabedoria dos idosos.

21  Ele mostra desprezo pelas autoridades e acaba com a força dos poderosos.

22  Deus revela os segredos escondidos nas trevas e faz a luz brilhar na escuridão mais completa.

23  Deus dá às nações grandeza e poder, mas depois as derrota e destrói.

24  Ele faz com que os líderes das nações percam o juízo e os leva por desertos sem caminhos.

25  Eles andam na escuridão, às cegas, tropeçando como bêbados.

1 ¶ “Eu vi tudo isso com os meus próprios olhos; escutei tudo com os meus ouvidos e entendi.

(Um parêntesis malicioso: quando li o verso 12 acima fiquei de peito estufado, como pavão; mas o verso 20, pumba! furou o balão)

O Apóstolo Paulo faz referência a uma conhecida história do Velho Testamento e indica que também não se agarra muito à tese da “retribuição segundo o mérito”:

Romanos
9.10   E mais ainda: os dois filhos de Rebeca tinham o mesmo pai, o nosso antepassado Isaque.

9.11-12   Mas, para que a escolha de um deles fosse completamente de acordo com o plano de Deus, o próprio Deus disse a Rebeca: “O mais velho será dominado pelo mais moço.” Disse isso antes de eles nascerem e antes de fazerem qualquer coisa, boa ou má. Assim ficou confirmado que é de acordo com o seu plano que Deus escolhe aqueles que ele quer chamar, sem levar em conta o que eles tenham feito.

9.13   Como dizem as Escrituras Sagradas: “Eu escolhi Jacó, mas rejeitei Esaú.”

9.14   O que vamos dizer, então? Que Deus é injusto? De modo nenhum!

9.15   Pois ele disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser; terei pena de quem eu deseja[i]r.”

9.16   Portanto, tudo isso depende não do que as pessoas querem ou fazem, mas somente da misericórdia de Deus.

A sabedoria da Cabala também se indispõe com a tese da “retribuição segundo o mérito” e até de forma mais radical – o que me deixa ligeiramente preocupado -, pois entendem que qualquer coisa que fizermos neste mundo da materialidade não tem influência alguma com a nossa espiritualidade.

Assim, vamos aceitar o conselho do Coélet e desfrutar os nossos bons momentos, sem esquecer, contudo, de agradecer quem os concedeu. Mas esteja atento: eles podem mudar – foi o que aconteceu com Jó, um servo fiel, em mais de uma ocasião. Se isto acontecer com você, lembre-se destas profecias:

Malaquias

3.3   Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao SENHOR justas ofertas.

Zacarias

13.9   E estes que sobrarem eu farei passar pelo fogo. Eu os purificarei como se purifica a prata e os refinarei como se refina o ouro. Aí eles orarão a mim, e eu os atenderei. Direi: ‘Vocês são o meu povo’, e eles responderão: ‘O SENHOR é o nosso Deus.’ ”

 

QUE O CRIADOR TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS!

 

ESPERO CONTINUAR


[i] Ex. 33,19.

A Lei Universal da Harmonia

Traduzi (que petulância!) mais um artigo de Michael Laitman – de qualquer forma poderão vê-lo no original:

https://mail.google.com/mail/?tab=wm#inbox/13498e7e198ea0ca

Os grifos também são meus. TENHAM UM FELIZ 2012!!!

 

O que você quer dizer quando você está falando de harmonia?

É fácil entender o que é harmonia.

Harmonia é o resultado de duas forças que existem na natureza: a força de doação (a força positiva) e a força de receber (o negativo), que se manifestam em diferentes níveis (biológico, físico, moral, e assim por diante) como sistemas equilibrados. Se essas forças estão equilibradas no corpo humano, o corpo é absolutamente saudável. Se estão em equilíbrio na natureza, significa que estamos em um estado de repouso absoluto. A falta de equilíbrio leva a todos os tipos de movimentos.

Naturalmente, o desequilíbrio é necessário porque produz vida. É a interação constante entre estas duas forças, dentro de certos limites, a variação de sua relação uma com a outra que cria a vida. Por exemplo, a expansão e contração do tórax, do coração e de outros órgãos são movimentos produzidos pelas forças opostas que se dão suporte e se complementam uma a outra. Vida é o que ocorre entre estas forças, devido à sua interação adequada e harmoniosa.

No nosso desenvolvimento, vamos chegar a um ponto em que toda a comunidade humana atingirá precisamente este modo de operação através do qual todas as suas partes irão oscilar mutuamente. Mas essas oscilações, como a respiração, serão interdependentes umas com as outras, quando a força de doação é igual à força de recepção. Elas irão alternadamente interagirem uma com a outra: Quanto mais doamos à natureza, mais iremos receber; quanto mais recebermos, mais teremos que doar.

Então, vamos viver em harmonia, homeóstase[i], o que significa um estado de apoio mútuo. A natureza que nos leva a um estado de equilíbrio entre suas duas principais forças, a força de dar e a de receber, pretende que cheguemos a esta harmonia. É  a tendência geral da natureza.

Não podemos fazer nada com esta lei geral, universal. Só podemos compreender para onde vamos e como nos encaixar voluntariamente, conscientemente, nos seus movimentos – movimentos externos a nós e absolutamente obrigatórios. Assim, nos sentiremos confortáveis, não só no estado final no qual chegaremos, mas em cada uma de suas fases de desenvolvimento.


[i] Aurélio: homeóstase [De homeo- + -stase.] – Substantivo feminino.
1.Fisiol. Med. Tendência à estabilidade do meio interno do organismo.
2.Cibern. Propriedade autorreguladora de um sistema ou organismo que permite manter o estado de equilíbrio de suas variáveis essenciais ou de seu meio ambiente.

2011 in review

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SERMÃO PARA MIM MESMO – LXIII


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10

Sem cólera e sem saudosismo.

Eclesiastes 7:

9 Não te deixes arrebatar pela cólera, porque a cólera se aloja no peito do néscio.

10 Não perguntes: “Por que os tempos passados eram melhores do que os de agora?” Não é pergunta motivada pela sabedoria.

11 Boa é a sabedoria acompanhada de patrimônio: é de proveito àqueles que veem o sol.

12 Estar ao abrigo da sabedoria é como estar ao abrigo do dinheiro, e a vantagem do saber é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.

 

Este texto está sob a seguinte indicação da Bíblia de Jerusalém: Coélet responde com ceticismo[i]. Lembremos que esta indicação está vinculada ao princípio da “Retribuição coletiva a Israel” que se transformou em “Deus retribui a cada um segundo as suas obras”.

 

O verso 9 encontra respaldo em outros textos bíblicos:

Provérbios (Almeida Revista e Atualizada)
22.24   Não te associes com o iracundo[ii], nem andes com o homem colérico,

Tiago (Almeida Revista e Atualizada)
1.19   Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

Acredito que a grande maioria de nós irá também concordar que a ira não é boa companheira. Para não alongar, deixo abaixo uma poesia de Charles W. Penrose, que me parece faz parte do hinário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Controla teus sentimentos, Oh meu irmão;

Treina tua alma irritada, impulsiva.

Não lhe sufoques a emoção,

Mas deixa que a controle a voz da sabedoria.

Controla teus sentimentos; existe poder

Na mente serena e calma.

A paixão despedaça a torre da razão,

Torna cega a mais clara visão.

 

Controla teus sentimentos; nunca condenes

Quer amigo ou inimigo,

Mesmo que a maré de acusações

Flua como uma torrente da verdade.

Ouve a defesa antes de julgares,

E um raio de luz brilhará,

Mostrando-te a sujeira que se esconde

Sob a falsa acusação.

Controla teus sentimentos, Oh meu irmão;

Treina tua alma irritada, impulsiva.

Não lhe sufoques a emoção,

Mas deixa que a controle a voz da sabedoria.

O artigo no qual a encontrei inserida é edificante. Confiram:

http://lds.org/conference/talk/display/0,5232,89-2-776-23,00.html

 

O verso 10 encontra apoio em Livro das Escrituras tido como apócrifo pelos evangélicos:

 

Eclesiástico 36:16 Todas as obras do Senhor são magníficas, todas as suas obras são executadas pontualmente. Não é preciso dizer: “O que é isto? Por que aquilo?” Porque tudo deve ser estudado a seu tempo.

Eclesiástico 39:33-34 Todas as obras do Senhor são boas, ele supre toda necessidade na hora devida. (34) Não se pode dizer: “Isto é pior do que aquilo”, porque tudo, no seu tempo, será reconhecido bom.

Se tudo vem do Criador e tudo o que faz o Criador é perfeito, não se pode alegar que as coisas do passado eram melhores – seria um contrassenso. Então, quando eu recordar minha meninice e a época de minha juventude – e de uns anos para cá me tornei insistente em lembrar estes bons tempos – devo ter ciente que aquela BOA época era tão BOA como a de agora.  Recordar é viver, diz o dito popular, mas recordar para apreciar melhor o presente. Ter saudades sim dos momentos felizes e sofridos, dos amigos, tanto dos que ainda nos fazem companhia como dos que já não estão mais perto de nós; aprender com os acertos do passado e tirar lições dos atos impensados, com aquilo que fizemos e com aquilo que deixamos de fazer. Mas nunca esquecer: o que ocorre agora é tão BOM como o que aconteceu ontem – e, de certa forma, até MELHOR pois a experiência adquirida nos dá condições de apreciá-lo e desfrutá-lo em maior profundidade. E, interessante, por aí se vê que o BOM, o MELHOR, o PIOR etc., está sempre e apenas em nossa cabeça e não nos eventos propiciados pela Natureza. Mas, quanto à tese de “retribuição segundo as obras”, esta afirmação parece neutra.

E os versos 11 e 12?

11 – Boa é a sabedoria acompanhada de patrimônio: é de proveito àqueles que veem o sol.

12 – Estar ao abrigo da sabedoria é como estar ao abrigo do dinheiro, e a vantagem do saber é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.

Se entendermos que “sabedoria” é igual a “boas obras”, poderíamos desconfiar de um certo sarcasmo, pois aquela só é completa acompanhada de “patrimônio”, mais do que isto, “os bons ventos” estariam soprando pela ação do “Sábio”, não do Criador: contudo, o Coélet já afirmou em Ecl. 5:19 que a riqueza e o “poder” dela desfrutar é um dom de Deus; e lá no capítulo 2, verso 26 afirma, com todas as letras, a tese dominante: “Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, e o dê ao bom…” Então o melhor é apreciarmos os versos em si mesmos, esquecendo a “retribuição segundo as obras”.

Estamos diante de um “bem aventurado”, pois além de sabedoria foi-lhe concedido a riqueza. Está em uma situação tranquila (como a de Jó, provavelmente…). Por esta tranquilidade peço aguardarem um pouco mais, quando falaremos sobre os versos 16 a 18 deste capítulo de Eclesiastes e falaremos mais demoradamente sobre a sabedoria.

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio: ceticismo, [De céptico + -ismo.]  Substantivo masculino.  1.Filos. Atitude ou doutrina segundo a qual o homem não pode chegar a qualquer conhecimento indubitável, quer nos domínios das verdades de ordem geral, quer no de algum determinado domínio do conhecimento. [Cf. dogmatismo (1).] … 3.Estado de quem duvida de tudo; descrença. [Var.: cepticismo.]

[ii] Aurélio: irascível [Do lat. irascibile.]  Adjetivo de dois gêneros.  1.Que se ira com facilidade; iracundo, irritável:

SERMÃO PARA MIM MESMO – LXII

PACIÊNCIA E ARROGÂNCIA

Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes 7:

8 Mais vale terminar de falar que começar, e mais vale paciência que arrogância.

 

O rodapé da Bíblia de Jerusalém, como vocês se recordam, dá ao texto de Eclesiastes 7:8 – 8:17 o título de  SANÇÃO e indica o verso oitavo do capítulo 7 como uma refuta, ou uma indicação à refuta de duas teses bíblicas, a saber:

- o princípio da retribuição coletiva: se Israel for fiel, será feliz; se for infiel, será infeliz.

- Deus retribui a cada um segundo as suas obras.

Aquele estabelecido na Lei e este último derivado daquele, segundo o entendimento dos livros sapienciais. Indicamos, anteriormente, as porções das Escrituras que apoiavam estes pontos de vista. Os tradutores da Bíblia de Jerusalém indicam ainda uma “acomodação” especialmente para esta segunda tese: “Se, pelo contrário, a experiência desmentia a validade desse princípio, afirmava-se que a felicidade do ímpio é efêmera, e passageira a infelicidade do justo (cf. Sl. 37 e os amigos de Jó).”

Temendo ter deixado passar algum esclarecimento, declaro não compreender como o verso acima (Eclesiastes 7:8) poderia estar refutando as mencionadas teses. Mas isto não invalida o sintético ensino: Mais vale terminar de falar que começar, e mais vale paciência que arrogância.

A primeira parte da sentença é quase que autoexplicativa. Terminar de falar faz bem ao falante e aos ouvintes. Aquele por que se sente honrado em poder expressar o que pensa; estes por que, além de terem uma nova opinião, dão mostras de civilidade não interrompendo alguém que contribui com suas ideias. Começar e não chegar ao termo de uma fala pode significar que o assunto sobre o qual se pronunciava não estava de todo entendido ou que houve a violência de quem não tem intenção de conhecer novos ângulos de uma questão.

Vamos, pois, apenas falar um pouquinho sobre paciência e arrogância.

Segundo a Wikipédia, Paciência é a virtude de manter o controle emocional “equilibrado” ao longo do tempo. Algumas características:

1)Está relacionada à tolerância, isto é, à capacidade de admitir, sem exasperação, os erros ou os fatos indesejados. É capaz de suportar incômodos e dificuldades de toda ordem, em qualquer hora ou em qualquer lugar.

2)É a capacidade de persistir em uma atividade difícil, tendo uma postura tranquila e acreditando que irá conseguir o que quer.

3) É ter a sabedoria de ser perseverante e ficar na expectativa do momento certo para determinadas atitudes; de aguardar em paz a compreensão que ainda não tenha obtido.

4) É a capacidade de ouvir alguém com atenção e sem ter pressa.

5) É capacidade de se libertar da ansiedade.

Alguns pensamentos podem ilustrar o termo.

Quem sabe esperar o bem que deseja não toma a decisão de se desesperar se ele não chega; aquele que, pelo contrário, deseja uma coisa com grande impaciência, põe nisso demasiado de si mesmo para que o sucesso seja recompensa suficiente. Há pessoas que querem tão ardente e determinantemente certa coisa, que por medo de perdê-la, não esquecem nada do que é preciso fazer para perdê-la. As coisas mais desejadas não acontecem; ou se acontecem, não é no tempo nem nas circunstâncias em que teriam causado extraordinário prazer. 

Jean de La Bruyére, in “Os Caracteres”

http://www.citador.pt/textos/saber-esperar-jean-de-la-bruyere

 

Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem.

John Quincy Adams

Aquele que tiver paciência terá o que deseja.

Benjamim Franklin

Não há problema que não possa ser solucionado pela paciência.

Chico Xavier

Se fiz descobertas valiosas, foi mais por ter paciência do que qualquer outro talento.

Isaac Newton

Consideremos a Arrogância.  Como a define o Aurélio:

Substantivo  feminino.
1.Orgulho que se manifesta por atitudes altivas e desdenhosas; soberba.
2.Insolência, atrevimento. [Sin. ger., desus.: arrogo.]

A Wikipédia:

s.f. Atitude altaneira; altivez; orgulho; insolência: ele mostra arrogância no trato.

A Arrogância costuma demonstrar a falta de humildade - eu fico pensando se o que não tem confiança em si próprio também não age assim para se esconder. Quem se manifesta com esta atitude passa a imagem de quem não deseja ouvir os outros; a soberba o inibe de aprender algo ou sentir-se ao mesmo nível do seu próximo.

A Igreja Católica coloca a Soberba  que inclui Arrogância e a Vaidade como um dos Sete Pecados Capitais.

Mas a Arrogância contém também seu aspecto positivo: pode ser sinônimo de coragem de assumir as suas próprias opiniões, identidade ou personalidade.

Ilustremos:

“Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos…”

Rubem Alves

A futilidade é a alma gêmea da ignorância. A arrogância é a alma gêmea da incompetência. A vaidade é a mãe delas.

Maria Angélica Carnevali Miquelin

A arrogância que nos leva a acreditar que somos superiores aos outros, tem origem no medo de sermos inferiores.”

Mark W. Baker in Jesus o maior Psicólogo que já existiu

A arrogância sempre é o véu que está na iminência de ser despido para efetivamente mostrar a ignorância tal como é: nua, crua e feia de doer.

Eder Siegel

Assim, em que pese o aspecto positivo da Arrogância, fica claro o acerto do Coélet quando afirma:

Mais vale terminar de falar que começar, e mais vale paciência que arrogância.

 ESPERO CONTINUAR

 

 

 

SERMÃO PARA MIM MESMO – LXI

A SANÇÃO

Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes 7:8 – 8:17

 

Da mesma forma que fizemos no SERMÃO…XXVI, quando iniciamos a porção de Eclesiastes que a Bíblia de Jerusalém identificou como se referindo a O DINHEIRO, vamos abordar este novo texto, identificado como A SANÇÃO, transcrevendo o comentário dos doutos tradutores seguido dos versículos bíblicos a que se refere.

 

A Lei tinha formulado o princípio da retribuição coletiva: se Israel for fiel, será feliz; se for infiel, será infeliz (cf. Dt. 7:12s; 11:26-28; 28:1-68; Lv. 26). Os Sábios aplicaram esse princípio ao destino individual de cada pessoa: Deus retribui a cada um segundo as suas obras (Pr. 24:12; Sl. 62:13; Jó 34:11). Disso tiraram a conclusão de que a situação presente do homem era proporcional ao seu mérito. Se, pelo contrário, a experiência desmentia a validade desse princípio, afirmava-se que a felicidade do ímpio é efêmera, e passageira a infelicidade do justo (cf. Sl. 37 e os amigos de Jó).

 

                           (Nova Tradução na Linguagem de Hoje )
Deuteronômio:

11.26   E Moisés disse ao povo: — Hoje vou deixar que vocês escolham se querem bênção ou maldição.

11.27   Vocês receberão a bênção se obedecerem às leis do SENHOR, nosso Deus, que estou dando a vocês hoje;

11.28   ou receberão a maldição, se não obedecerem às suas leis, mas rejeitarem os mandamentos que eu lhes estou dando hoje e adorarem outros deuses que vocês não conheciam.

Provérbios:
24.12   Você pode dizer que o problema não é seu, mas Deus conhece o seu coração e sabe os seus motivos. Ele pagará de acordo com o que cada um fizer.

Salmos:
62.11   Mais de uma vez tenho ouvido Deus dizer que o poder é dele

62.12   e o amor, também. Tu, ó Senhor, recompensas cada um de acordo com o que faz.

Jó:
34.10   “Agora, vocês que têm juízo, me escutem. Será que Deus faria alguma coisa errada? Será que o Todo-Poderoso cometeria uma injustiça?

34.11   Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dá a cada um o que merece.

Salmos:
37.1   [De Davi.] Não se aborreça por causa dos maus, nem tenha inveja dos que praticam o mal.

37.2   Pois eles vão desaparecer logo como a erva, que seca; eles morrerão como as plantas, que murcham.

37.3   Confie em Deus, o SENHOR, e faça o bem e assim more com toda a segurança na Terra Prometida.

37.7   Não se irrite por causa dos que vencem na vida, nem tenha inveja dos que conseguem realizar os seus planos de maldade. Tenha paciência, pois o SENHOR Deus cuidará disso.

37.8   Não fique com raiva, não fique furioso. Não se aborreça, pois isso será pior para você.

37.9   Aqueles que confiam em Deus, o SENHOR, viverão em segurança na Terra Prometida, porém os maus serão destruídos.

37.10   Dentro de pouco tempo, os maus desaparecerão; você poderá procurá-los, porém não os encontrará.

37.11   Mas os humildes viverão em segurança na Terra Prometida e terão alegria, prosperidade e paz.

 

Coélet refuta essa tese.

À doutrina tradicional (7:8)

8 Mais vale terminar de falar que começar, e mais vale paciência que arrogância.

 

Coélet responde com ceticismo (7:9-12.

9 Não te deixes arrebatar pela cólera, porque a cólera se aloja no peito do néscio.

10 Não perguntes: “Por que os tempos passados eram melhores do que os de agora?” Não é pergunta motivada pela sabedoria.

11 Boa é a sabedoria acompanhada de patrimônio: é de proveito àqueles que vêem o sol.

12 Estar ao abrigo da sabedoria é como estar ao abrigo do dinheiro, e a vantagem do saber é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.

 

Tudo o que acontece deve ser aceito, sem procurar uma explicação (7:13-15).

13 Observa a obra de Deus: quem poderá endireitar o que ele entortou?

14 Em tempo de prosperidade desfruta, em tempo de adversidade reflete: Deus criou a um e a outro, para que o homem não possa investigar seu destino.

15 Já vi de tudo em minha vida cheia de ilusões: gente honrada que fracassa por sua honradez, gente malvada que prospera por sua malvadez.

 

Embora a vida e a morte estejam mal distribuídas (7:15), é inútil fazer esforços sobre-humanos (7:16-18).

16 Não exageres tua honradez nem te tornes presunçoso com tua sabedoria: par que matar-se?

17 Não exageres tua malvadez e não sejas insensato: para que morrer antes do tempo?

18 Bom é agarrar-te a um sem deixar o outro, pois quem teme a Deus encontrará um e outro.

 

Quanto à reputação, já não tem significado algum (7:19-22).

19 A sabedoria torna o sábio mais forte que dez chefes numa cidade.

20 Não há no mundo ninguém tão honrado que faça o bem e não peque.

21 Não faças caso de tudo o que se diz, para não ouvires teu servo que te amaldiçoa,

22 pois sabes muito bem que tu mesmo maldisseste a outros muitas vezes.

 

Os fatos são inexplicáveis, e a realidade é um mistério insondável (7:23s, seguido por um aparte misógino[i], 7:25-28).

23 Tudo submeti à prova da sabedoria, pensando chegar a ser sábio, e, no entanto, a sabedoria ainda está bem longe de mim.

24 Longe está, o que aí está, e muito profundo: quem o achará.

29 Eis porém, a única conclusão a que cheguei: Deus fez o homem reto, e este procura complicações sem conta.

 

(Nos perdoem as meninas…)

25 Dediquei-me ao estudo para investigar e descobrir os critérios de saber qual seja a pior tolice e a insensatez mais absurda;

26 e descobri que mais amarga que a morte é a mulher, porque ela constitui uma cilada, seu coração uma rede e seus braços cadeias. Quem agrada a Deus livrar-se-á dela, mas o pecador será colhido por ela.

27 Eis o que encontrei – diz Coélet – ao tirar concluso das mais diversas coisas

28 que estive indagando sem chegar a um resultado: se entre mil encontrei só um homem, entre todas a mulheres não encontrei uma sequer.

 

O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9),

1 Quem se iguala ao sábio? Quem domina a ciência da interpretação das coisas? A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante.

2 Cumpre o mandato do rei, por causa do juramento de Deus;

3 não te apresses a afastar-te de sua presença, nem a ficar como testemunha de uma ação criminosa; porque o rei age a bel-prazer.

4 A palavra do rei é soberana: quem lhe dirá: “Que fazes aí?”

5 Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum. O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento,

6 pois para todo propósito há um tempo e um julgamento. Grande é a aflição que pesa sobre o homem,

7 porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

8 Ninguém domina o vento, e ninguém o retém; e ninguém tem poder sobre o dia da morte, e não há trégua nesta guerra. A maldade não deixa escapar aquele que a comete.

9 Tudo isso eu observei, atendendo a tudo o que se faz debaixo do sol, enquanto um homem domina o outro para seu mal.

 

e é motivo de revolta (8:10-14).

10 E assim vi ímpios na sepultura; eles saem do lugar santo e vão, mas são esquecidos na cidade em que assim procederam. Também isso é vaidade!

11 Porque a sentença ditada contra um crime não se executa em seguida, os homens se dedicam a praticar o mal.

12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes e se tenha paciência para com ele, estou convencido de que a felicidade é para aqueles que temem a Deus, porque o temem,

13 mas não haverá felicidade para o ímpio. Ele não terá longa vida; pelo contrário, será igual à sombra, porque não teme a Deus.

14 Porém, na terra acontece outra vaidade: há justos a quem toca a sorte dos ímpios, e há ímpios a quem toca a sorte dos justos. E isso considero vaidade.

 

Conclusão (8:15).

15 Faço o elogio da alegria, porque o único bem do homem é comer e beber e alegrar-se; isto o acompanhará durante os dias da vida que Deus lhe concede viver debaixo do sol.

 

16 Quando me dediquei a obter sabedoria, observando as tarefas que se realizam na terra – pois os olhos do homem não conhecem o sono nem de dia nem de noite -,

17 observei todas as obras de Deus: o homem não pode averiguar o que se faz debaixo do sol. Por mais que o homem se afadigue investigando, não o averiguará; ainda que o sábio pretenda sabê-lo, não o averiguará.

 

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio, Misoginia:  [Do gr. misogynía.], Substantivo feminino.
1.Desprezo ou aversão às mulheres.
2.Psiq. Repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres. [Antôn.: filoginia. Cf. ginecofobia.]

 

A salvação da alma em Spinoza

APRECIEM ESTE COMENTÁRIA DE ROHDEN A RESPEITO DE SPINOZA. 

   Preocupar-se com a sua salvação individual é, para Spinoza, prova de falta de confiança na retidão ou justiça do Universo; ele afina inteiramente pelo pensamento do carpinteiro –filósofo – profeta de Nazaré: “Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça – e todas as outras coisas vos serão dadas de acréscimo”[i]. O “reino de Deus e sua justiça” é a completa integração do querer humano no querer divino, a definitiva integração do Ego no Cosmo, a concentricidade da vontade humana com a vontade divina (“seja feita a tua vontade. . .”); uma vez realizada essa sintonização “todas as outras coisas” já não nos devem preocupar, porque elas nos “serão dadas de acréscimo”, isto é, virão infalivelmente como consequências lógicas e inevitáveis dessa premissa ética.

Ser bom é comigo.

Tornar-me feliz é com Deus.

            Está em meu poder o ser-bom – o ser-feliz é um dom de Deus inseparavelmente unido ao meu ser-bom.

O reverso da medalha do ser-bom chama-se ser-feliz (céu).

O reverso da medalha de ser-mau é ser-infeliz (inferno).

Mas só o anverso é que é comigo – o reverso é com Deus.

Não é da minha conta salvar-me – é da minha conta ser-bom.

Por isso, Spinoza manda abster-se de qualquer especulação meramente intelectualista-analítica sobre o que  e o  como da vida futura.

Basta que o homem tenha certeza de duas coisa, uma objetiva, outra subjetiva: 1) que o mundo de  deus é um cosmo, e não um caos, e, como um cosmo, o universo age com absoluta retidão e imparcialidade; 2) que o homem procure invariavelmente estar em perfeita harmonia com essa eterna e infalível ordem cósmica do universo, ou seja, com a vontade de Deus.

Sobre a base destas duas certezas ao seu alcance pode o homem viver tranqüilo e feliz, sem ansiedades nem dúvidas internas.

Como realizar essa sintonização entre o Eu humano e o Tu divino?

Pelo amor, em seu aspecto vertical (Deus) e horizontal (homem).

O amor é a lei básica do cosmo. No universo tudo é cooperação, que supõe diversidade. Não haveria possibilidade de integração se não houvesse partes várias e individualmente diferenciadas. Para que essa integração seja harmonia, e não monotonia, requer-se a existência da diversidade dos indivíduos.

Unidade sem diversidade seria monotonia.

Diversidade sem unidade seria caos.

Unidade na diversidade é harmonia.

Spinoza é essencialmente o filósofo da harmonia cósmica do universo, como também da harmonia cósmica (ética) da humanidade. Essa mesma harmonia, resultante da unidade na diversidade, reina tanto no macrocosmo como no microcosmo.

ROHDEN, Huberto (1893 – 1981) – FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: O drama milenar do homem em busca da verdade integral, Copyright Editora Martin Claret, 1981, Rumo ao Monismo Absoluto, Benedito Spinoza (1632 – 1677), 6 – Vida após a morte, pg.s 79 a 80.

 


[i] Mateus 6:33.

NOSSA PRESIDENTE BRILHA NO EXTERIOR

Hoje vi, pela TV, a presidentE Dilma Rousseff  passeando pela Bulgária, com seu séquito de puxa-sacos, às custas do valoroso povo brasileiro. Fez me lembrar uma notícia que vi ontem na Folha-Uol (4/10/2011) sobre um artigo publicado no “Financial Times” mencionando alguns pronunciamentos da preclara presidentE.  Vejam uns trechinhos:

O jornal “Financial Times” publicou ontem, em sua versão digital, um artigo intitulado “Dilma: Agony Aunt to the European Union”.

O termo “agony aunt” se refere, em inglês, a colunistas especializados em conselhos sentimentais –em geral, uma senhora mais velha, daí o “aunt” (“tia”). Daí, também, a ironia do texto.

“O país ranqueado em 152º pelo Banco Mundial por seu pesado sistema tributário está aconselhando contra impostos restritivos”, escreve a autora, Samantha Pearson.

A crítica é uma reação à advertência feita por Dilma na segunda-feira, durante visita à Europa. Não pela primeira vez, ela fez duras críticas ao modo com que os países desenvolvidos vêm controlando suas finanças.

Pearson escreve sobre a surpresa trazida pela “sugestão de que o Brasil deveria resgatar países [...] cujo PIB per capita é três vezes maior do que o seu próprio”.

O artigo aponta que a posição do país, além de não ser realista, é também hipócrita.

“Dilma recentemente falou sobre a necessidade de combater o protecionismo apenas uma semana após aumentar impostos sobre carros estrangeiros em colossais 30 pontos percentuais.”

(eu grifei a frase acima)

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/985522-site-do-financial-times-publica-artigo-com-criticas-a-dilma.shtml

 

A respeito desta publicação, no Financial Times, naturalmente, que parece está provocando polêmica – não sei por qual razão,  pronunciou-se hoje o ex-ministro Mailson da Nóbrega. Destaco:

O artigo do blog Beyondbrics do jornal britânico Financial Times, que chamou de “hipocrisia” o aconselhamento da presidente Dilma Rousseff aos europeus, provocou um debate apaixonado e ideológico no Brasil. Na opinião do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, “O Financial Times tem toda a razão”.

“A Dilma pisou na bola sempre que falou com ares de quem dava lições aos europeus. Sua afirmação de que o ajuste fiscal não funcionou como saída para a crise dos anos 1980 demonstrou um abismal desconhecimento histórico. Ajuste fiscal no Brasil aconteceu apenas no governo FHC. Salvo esse interregno, a expansão fiscal tem sido a característica do país”, afirma o ex-ministro.

Sobre a qualidade do sistema tributário do Brasil, feita pelo artigo, Maílson da Nóbrega concorda com a autora. “O sistema tributário da União Européia tem estrutura melhor e é mais socialmente justo do que o de outras regiões ricas, particularmente o americano. No lado oposto, o Brasil tem um dos piores, se não o pior, sistema tributário do mundo: mal estruturado, caótico, com carga tributária excessiva e brutalmente regressivo”, diz o ex-ministro.

“Outro deslize (da presidente) foi dizer que a crise de 2008 teve como causa a ausência de regulação. A crise derivou de um conjunto de muitas causas, entre as quais a deficiência de regulação (e não a falta dela) é apenas uma”, avalia Maílson sobre a comparação do sistema bancário do Brasil e o resto do mundo.

http://upecbrasil.blogspot.com/2011/10/financial-times-critica-o-brasil.html

 

Mas se a NobrA PresidentA está refrescando a cuca com parte dos impostos que generosamente pagamos com 5 meses de trabalho por ano, me fez lembrar, igualmente, ser merecido este descanso. Afinal, não é fácil o cargo que assumiu, principalmente depois de ter de demitir cinco de seus mais próximos colaboradores:

- Pedro Novais – Ministro do Turismo, PMDB, indicado pelo presidente do Senado, José Sarney, deixou o comando da pasta em 14 de agosto. Indícios de desvio de dinheiro público. Cerca de 30 pessoas envolvidas.

- Nelson Jobim – Ministro da Defesa: saiu no dia 5 de agosto, na sequência de várias afirmações polêmicas com críticas a integrantes do Executivo

- Wagner Rossi – Ministro da Agricultura: saiu no dia 17 de agosto, após várias semanas a enfrentar as acusações de corrupção no seu ministério e o seu próprio envolvimento em alegadas irregularidades.

- Alfredo Nascimento – Ministério dos Transportes: saiu no dia 6 de julho, pressionado pelas denúncias de corrupção e após a queda de altos funcionários

- Antonio Palocci – Ministro Chefe da Casa Civil: saiu no dia 7 de junho, sob suspeitas de tráfico de influência em favor de sua empresa de consultoria, a Projeto, e enriquecimento ilícito.

Se eu fosse maldoso, até recordaria uma questão levantada por um outro candidato à Presidente da República:

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