“Concluindo: – É, pois, meu parecer que seja o 1º premio do Concurso de Poesia de 1936 concedido ao livro Magma, de João Guimarães Rosa; e que não seja a ninguém, neste torneio, conferido o 2º prêmio, tão distanciado estão do primeiro premiado os demais concorrentes.

“Tal é, salvo melhor juízo, o meu parecer.

“São Paulo, 22 de novembro de 1936. Guilherme de Almeida, Relator”

Premiado, com distinção, em 1936 pela Academia Brasileira de Letras, Magma só foi publicado, postumamente, em 1997. O autor parece que não tinha em muito boa conta o seu livro de poesias.

Adquiri um exemplar usado, em excelente estado, e o li quase que de uma sentada. Uma beleza! Vejam se não tenho razão:

Floresce, na orilha da campina,

esguio ipê

de copa metálica e esterlina.

 

Das mil corolas,

saem vespas, abelhas e besouros,

polvilhados de ouro,

a enxamear no leste, onde vão pousando

nas piritas que piscam nas ladeiras,

e no riso das acácias amarelas.

 

Dos charcos frios

sobem a caçá-los redes longas

lentas e rasgadas de neblina.

Nuvens deslizam, despetaladas,

e altas, altas,

garças brancas planam.

 

Dançam fadas alvas,

cantam almas aladas,

na taça ampla,

na prata lavada,

na jarra clara da manhã. . .

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