Pra mexer com o que há de melhor em voces, aqui vai um texto deste autor:

 

Se existe o centro para o qual gravita a pedra solta no espaço…

Se existe o sol que a planta adivinha em plena escuridão…

Se existem zonas banhadas de luz e calor que de veementes saudades enchem as aves migratórias…

 – por que não existiria algures esse grande astro por que minh’alma suspira?…

 – por que não cantaria, para além desses mares visíveis, o invisível país da minha grande nostalgia?…

 – por que não?…

Seria o homem, rei e coroa da creação, a única desarmonia no meio dessa universal sinfonia da Natureza?

Um caos de desordem em pleno cosmos de ordem?

Não atingiria ele jamais a meta das suas saudades?

Seria ele mais infeliz que a pedra, a planta, o animal?

Seria ele um eterno Tântalo ludibriado pela miragem duma felicidade quimérica?

Seriam as mais nobres aspirações de minh’alma eternamente burladas por um gênio perverso e cruel?

E teria esse tirano o nome de DEUS?

Quem poderia crer coisa tão incrível?

Que inteligência abraçar tamanho absurdo?

Creio, SENHOR, na imortalidade, porque creio no teu amor!

Creio na vida eterna, porque creio na ordem dos teus mundos!

Creio no mundo futuro, porque creio na harmonia do teu Universo!

Para além de todos os enigmas e paradoxos da vida presente existem uma solução e uma vida eterna.

Após a noite deste mundo que nos desorienta, despontará a alvorada dum dia que iluminará os nossos caminhos.

. . . . . .

Continua, pois, Centro eterno, a atrair o meu coração, que inquieto está até que ache quietação em ti…

Continua, ó Sol divino, a encher-me de veemente heliotropismo o espírito, para que no meio das trevas procure a tua grande claridade…

Continua, ó tépida Primavera, a chamar das regiões polares a avezinha nostálgica de minh’alma, que só na zona tropical do teu amor encontra paz e vida eterna…

Só em ti, meu Centro, meu Sol, minha Primavera, sucederá à dolorosa inquietude do meu espírito a inefável quietude de todo o meu ser…

ROHDEN, HUBERTO, De Alma para Alma, Editora Martin Claret, 16º Edição, pg.s 15 e 16.