Há cerca de 15 dias terminei de ler o livro A Física dos anjos – Uma visão científica e filosófica dos seres celestiais, obra de Matthew Fox e Rupert Sheldrake  (Tradução de Carolina Caires Coelho, São Paulo: Aleph, 2008).  Traz bastante coisa interessante.

De início é bom lembrar que Matthew Fox é teólogo e ministro da Igreja Episcopal dos Estados Unidos (Comunhão Anglicana); Rupert Sheldrake é biólogo, conhecido por suas teorias dos campos mórficos e da ressonância mórfica.

 Para aguçar a sua curiosidade, pretendo colocar neste blog alguns trechos desta publicação, como este da Introdução – O retorno dos anjos e a nova cosmologia:

 

“. . . Os anjos, de acordo com Aquino, não têm massa, não tem corpo. E o mesmo acontece com os fótons: eles não têm massa, e você só pode detectá-los por meio de suas ações.

            MATTHEW: Isso quer dizer que os fótons são imortais?

            RUPERT: Sim, enquanto eles estiverem se movendo à velocidade da luz, de um lugar para outro. Mas, quando agem, são extintos por meio de sua ação, por isso, nesse sentido, eles chegam a um fim; passam sua energia enquanto agem. Isso, acredito eu, os torna diferentes dos anjos.

            Apesar de existirem paralelos entre a física moderna e as idéias medievais sobre os anjos, o aspecto da ciência moderna que mais suscita perguntas interessantes é a teoria da evolução. Na Idade Média, a natureza era tida como estática: o cosmo, a terra e as formas de vida existentes sobre ela não eram vistos como corpos em desenvolvimento.

            Na biologia, a idéia de evolução foi inicialmente proposta, em termos científicos, em 1858, por Darwin e Wallace. Na física, a idéia da evolução cósmica tornou-se ortodoxa no final dos anos 1960, como conseqüência da teoria do Big Bang sobre a origem do universo. Agora, vemos tudo como evolucionário na natureza. Isso significa que existe uma criatividade contínua em todos os seus domínios. Seria tudo isso uma questão fortuita, como os materialistas acreditam? Ou será que existem inteligências orientadoras trabalhando no processo evolucionário?

            Até onde sei, uma das primeiras pessoas a explorar essa possibilidade foi Alfred Russel Wallace. Depois que ele e Darwin publicaram a teoria da evolução pela seleção natural, Darwin desenvolveu um materialismo sombrio, que agora atravessa o pensamento neodarwinista, a doutrina ortodoxa da biologia acadêmica. Toda a evolução deve ter acontecido por acaso e por meio de leis da natureza inconscientes, sem qualquer sentido ou objetivo.

            Em contrapartida, Wallace chegou à conclusão de que a evolução abrangia mais do que a seleção natural, e que era guiada por inteligências criativas que ele identificava com anjos. Sua idéia foi resumida  no título de seu último livro, The Word of life: a manifestation of creativa power, directive mind and ultimate purpose* [ O mundo da vida: uma manifestação do poder criativo, da mente diretiva e do propósito final]. Hoje, ouvimos muito a respeito de Darwin, mas pouco sobre Wallace. Fico fascinado em saber que esses conceitos tão diferentes de evolução foram expressos pelos dois fundadores da teoria evolucionária; eles mostram que a evolução pode ser interpretada de maneiras bem distintas. Se o indivíduo for materialista, a criatividade evolucionária pode ser apenas uma questão de acaso. Mas, se ele acredita que há outras forças ou inteligências no universo, então existem outras fontes possíveis de criatividade, quer ele as chame de anjos ou não.

            Isso levanta um problema com o qual Aquino e outros pensadores medievais não tinham de lidar, ou seja, o papel dos anjos na evolução. Por exemplo, à medida que novas galáxias aparecem, supõe-se que os anjos designados para governar cada uma delas passem a existir junto com o surgimento desses sistemas estelares, a menos que todos os anjos lá estejam esperando para se manifestar no momento do Big Bang.”

pg.s 30, 31.

*Londres: Chapman e Hall, 1911

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