Me fez um bem danado conhecer uma análise dos sete principais chakras sob o ponto de vista da psicologia.  Vejam o que Pierre Weil disserta a respeito do quinto chakra.

               “Sob influência da caça aos prazeres relacionados aos três primeiros níveis, acirrada pela propaganda e manipulação de massa, próprias de nossa cultura industrial fundada na segurança, na sensualidade, na posse e nos poderes de classes sociais, o egoísmo e o egocentrismo, inerentes ao ego narcísico, são estimulados ao máximo. Daí resulta toda espécie de sofrimento e neurose: lutas, competições, agressões, medos e angústias; enfim, mortes em lutas interpessoais e guerras, frutos ainda do primeiro chakra.

                Todo processo de conscientização levam a um descondicionamento dos apegos do ego vinculados aos papéis. São esses apegos que criam o medo de não possuir, de perder ou de não reaver objetos ou pessoas, os quais, como vimos, são apenas formas mais densa de energia. Querendo possuir outros objetos ou pessoas, o ego é uma forma de energia que pretende a posse de outras posses de energia. E isto é bastante ilusório. Vimos também que tal ilusão se cria por outra forma de energia: a mente nos obriga a ver tudo de forma dual. Então, sob o efeito da frustração que resulta da presença de um obstáculo na realização de um desejo com relação aos três primeiros níveis, nascem as tensões ligadas ao stress provocado pela multiplicação das frustrações.

                Quanto mais os processos de conscientização (terapias ocidentais e métodos orientais) conseguem dissolver as dualidades ilusórias, tanto mais estas aproximam o homem da unidade fundamental do Ser, e mais fácil se torna para a energia a ascensão aos níveis superiores ao chakra do coração. À medida que se dissolvem as dualidades e conflitos associados ao prazer e à dor, ao bem e ao mal, ao masculino e ao feminino, à dominação/submissão, a energia se torna disponível para ser aproveitada em outros níveis. Tal disponibilidade se torna patente quando as pessoas em evolução começam a se dedicar uma à outra, começam a amar. É o que caracteriza o quarto nível do coração. A energia potencializada nos três níveis inferiores se atualiza no nível cardíaco.

                O ato de doar, de amar, torna a pessoa progressivamente receptiva e disponível. Essa disponibilidade e abertura são próprias do quinto nível energético.

                O quinto chakra, situado na altura da garganta, tem como característica principal o vácuo. Por isso é simbolizado pelo quinto elemento, o éter. É um lugar de passagem, de recebimento da alimentação, da água, do ar. É também o lugar de vibração sonora, da palavra e do canto, e por isso mesmo considerado o centro de recepção das idéias criativas e, em geral, da aceitação daquilo que vem de cima, a ‘inspiração’ aérea e criativa. Os aspectos alimentares correspondem ao estágio oral da primeira infância, que permanecem ativos em casos neuróticos ou psicóticos assinalados pela psicanálise. Mas, segundo Rama (Ballentine e Ajaya), este chakra se refere sobretudo ao segundo aspecto: o da disponibilidade em receber inspiração dos níveis superiores, entrega e confiança nas forças criativas provenientes dos últimos chakras. A psicanálise tem demonstrado que esta disponibilidade pode ser aniquilada ou seriamente perturbada pela desconfiança esquizoparanóide de origem frustrativa oral deste mesmo nível, mas com origem defensiva do primeiro chakra. O importante é estar disponível para uma ‘alimentação’ psicológica, de origem ‘transpessoal’, que transcende o ego dos três primeiros chakras e se diferencia muito daquilo que chamamos ‘pseudofusão’, característica de regressões psicóticas. Aqui se situa a aceitação de viver, do ritmo respiratório e da mensagem que lhe está subjacente. Efetivamente, podemos sustar voluntariamente a respiração e nos expor à morte, fechando os músculos da garganta de tal modo que o ar não passe mais. A mensagem que a respiração nos dá é a seguinte: se paramos de respirar com os pulmões cheios, morreremos, pois pretendemos guardar para nós o que não nos pertence. Em outras palavras, tudo o que recebemos terá de ser devolvido mais cedo ou mais tarde. De nada adianta ser possessivo. Se, ao contrário, nos recusarmos a inspirar o ar trancando a passagem da garganta, depois da expiração, também correremos o risco de morrer. A natureza, portanto, nos obriga também a receber. Se deixarmos de receber, não poderemos viver. O mesmo se diga da recusa oral de alimentação ou da recusa possessiva de evacuação anal, que, aliás, lembra muito a relação da analidade com certos mutismos observados nas psicoterapias e enfatizados pela psicanálise.

                A emissão da voz se liga também à passagem do ar e à respiração. O grito de terror se associa ao primeiro chakra, o do gozo ao segundo, e o da raiva ao primeiro e ao terceiro chakras, enquanto o timbre de voz carinhosa depende do chakra do coração. A emissão da palavra é própria do quinto centro energético, que, através da palavra, liga este chakra ao pensamento, que nada mais é do que a interiorização da vibração sonora da linguagem. Linguagem, pensamento e respiração são realidades inseparáveis, como afirma Gaiarsa. Também é o centro de emissão da linguagem criativa, da poesia, da literatura, do pensamento filosófico, da expressão verbal, de toda espécie de criação. Voltamos aqui ao que já afirmamos mais acima, no que se refere à criatividade: a fonte da linguagem e a da criatividade ligadas ao penúltimo chakra. No ioga empregam-se certas palavras ou  ‘mantras’, para se chegar, numa viagem interior, à fonte das palavras e da linguagem, que é a fonte do Ser. Toda pessoa criativa deixa falar sua voz interior e se torna receptiva ao que vem de dentro dela. É o que faz o artista, o poeta, o escritor e o homem de ciência. A linguagem simbólica é o elo de comunicação com os dois últimos chakras. Estamos aqui em plena psicologia da escola de Carl Gustav Jung.”

AS FRONTEIRAS DA EVOLUÇÃO E DA MORTE -Os limites da transformação da energia no homem; III.Os níveis de realidade; 1. A realidade interior; Weil, Pierre; Petrópolis, RJ; Vozes, 1983; pg.s 62 a 64.