Algumas citações de Nilton Bonder, de seu livro A ALMA IMORAL, publicado pela Rocco, 1998.

Adão e Eva, nossos antepassados animais mais próximos se tornaram de uma nudez assustadora quando romperam com sua natureza primeva e se tornaram conscientes. (pg. 9)

E grande é o paradoxo humano no qual não há humano que seja digno sem uma boa noção de si como nu e não há nada mais assustador à dignidade humana do que se perceber nu. (pg. 9/10)

O ser humano é talvez a maior metáfora da própria evolução, cuja tarefa é transgredir algo estabelecido. (pg. 13)

Na verdade, essa parceria no processo de transgredir se inicia no próprio Criador que implanta uma espécie de primeira consciência através de uma proibição. (pg. 13)

O surgimento do fundamentalismo em nosso tempo é, com certeza, uma razão legitima a um mundo que quer mudar o eixo do desígnio coletivo para o do individuo. Consumir em vez de reproduzir é dar mais ênfase ao meio reprodutor do que ao fim reprodutivo. É priorizar o presente em detrimento do futuro. É poluir mais do que conservar. É, em suma, ameaçar um animal e com isso o ter acuado com toda agressividade e desespero de tal condição. (pg. 17/18)

Em resumo, estamos reformulando os conceitos de corpo e alma. Segundo essa nova definição, o pecado original não foi uma tentação do corpo, como a leitura cristã nos quer fazer acreditar. Adão e Eva foram tentados pela alma para cumprir com seu desígnio de desobedientes. O corpo não tinha outro desejo, alem do mandamento de procriar no território do Éden.

Por isso mesmo as gerações passadas, que já experimentaram a vida, não podem oferecer mais do que ensinamentos para cumprir o que deva ser cumprido e desobedecer o que deva ser desobedecido.(pg. 69)

Os desígnios do corpo estão ai para serem obedecidos e o corpo que quer dar conta do próprio corpo se torna desumano. A alma é, por sua condição traidora, a grande libertadora da opressão que se exerce sobre o corpo e este depende fundamentalmente dela. (pg. 122)