Meus familiares conhecem a história de vô Isidoro, quando voltava de uma noitada – era músico, tocava pistão, e quase toda semana alegrava os bailes da redondeza. Noite escura, lua minguante, e a vereda margeava o campo-santo. Foi logo aí que um cão enorme cruzou com ele, e, em alto e bom som, lhe diz gentil: “Boa noite, senhor Isidoro.”

Eu o invejava, pois tinha um causo pra contar pros descendentes.

E, agora, vejam só, creiam no que digo,

Eu vi o coisa ruim.

Trema o povo brasileiro

se o apavora o coisa ruim,

pois lá o vi, o feiticeiro,

destilando ódio sem fim.

Tensa a face e mais que rubra,

exsudando muita zanga;

nos olhos chispas de fogo:

Tudo pronto para a arenga!

“Proferir meu nome santo, é querer entrar em pranto!

No Brasil ou lá na China, eu convoco minha gangue.

Lhes ordeno e mostro como no poder se eternizar.

Se preciso, aqui estou, venho presto e equipado, meus meninos ilibados, minha gente, a defender.

Façam isto ou façam aquilo, não adianta espernear:

no Senado irão ficar!

Fazem coisas que mais gosto: apoquentam gente tola; saqueiam  o quanto podem;

ficam ricos a esnobar!

Maranhão e Alagoas, tão pequenos e exauridos, já é pouco pra esta choldra.

Coisa grande, bem maior, querem agora devastar:

seja aqui este Brasil.”

Vejam só: eu vi o coisa ruim!

P.S.: Desculpem o atraso! Era a dúvida: “post” ou “não-post”; mas não conseguia dormir: postei.