Hoje fui fazer a Inspeção Veicular de meu veiculo. Segundo o Jornal do Trânsito (21 a 23 de janeiro de 2009) deverão passar pela inspeção, neste ano, cerca de 2,6 milhões de veículos, o que inclui 770 mil motos, 1,5 milhões de carros, além da frota diesel. A obrigação visa veículos fabricados a partir de 2003. A taxa é de R$ 52,73 por veículo inspecionado, resultando um faturamento para a empresa concessionária  de R$ 137.098.000,00 – garantido e sem concorrência.

Estas coisas geram minhocas na cabeça do povão menos esclarecido, como eu, por exemplo. Não só na minha cachola oca, mas de outros que lá aguardavam a liberação de seus veículos – serviço rápido, diga-se de passagem, mas que, em São Paulo, representa pelo menos meio dia perdido para os proprietários. As minhocas faziam-nos perguntar por que só os carros mais novos (fabricados a partir de 2003), que certamente poluem bem menos que os mais antigos, estão obrigados à inspeção; faziam-nos considerar a grande oportunidade de negócios que a preservação ao meio ambiente proporciona aos bem posicionados em relação ao poder. E até mesmo, vejam como são maldosas as minhocas, qual a real motivação da inspeção: o meio ambiente ou a lucratividade do negócio?

Chegando a casa, fui cumprir o propósito de pesquisar e-book’s gratuitos sobre poesia, com a  idéia de dar mais vida, mais beleza ao meu Blog. Encontrei muita coisa bonita. Aleatoriamente encontrei Poemas, de Fagundes Varella (1841 – 1875) e lá – que coincidência impressionante! -, uns versos “versando” sobre meio ambiente. Apreciem:

O VIZIR

– Não derribes meus cedros! murmurava

O gênio da floresta aparecendo

Adiante de um vizir, senão eu juro

Punir-te rijamente! E no entanto

O vizir derribou a santa selva!

Alguns anos depois foi condenado

Ao cutelo do algoz. Quando encostava

A cabeça febril no duro cepo,

Recuou aterrado: – “Eternos deuses!

Este cepo é de cedro!” E sobre a terra

A cabeça rolou banhada em sangue!

(MINISTÉRIO DA CULTURA, Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro,POEMAS, Fagundes Varella; ebook pelo Site http://cultvox.uol.com.br)

Não é este tipo de poesia que irá dar mais leveza ao “Stropatus Blog”, mas não seria uma forma de alertar que toda ação, ainda que suas verdadeiras intenções não sejam claras, que contribuem para a preservação do meio ambiente, são realmente bem-vindas?

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