Acabo de ler a FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA, de Rohden. Anotei muita coisa interessante e bonita. Permitam-me trazer a vocês um texto não de caráter especificamente “espiritual” (tema que mais me empolga neste autor), mas que fala de um assunto que me tem preocupado muito – e sei que a vocês, cidadãos conscientes, igualmente.

A certo momento, Rohden discorre animadamente a respeito da influência dos filósofos, entre outras coisas, sobre a orientação política das nações:

*Henri Bergson defende radicalmente o individualismo humano: “.O que ele entende por indivíduo é o Eu central, real, a alma humana, a essência espiritual do homem.”

*Mostra, por outro lado, que tanto o nazismo como o comunismo, embora pareçam regimes políticos tão dispares, são ambos filhos da filosofia de Hegel, que defende um Estado transcendente, acima dos indivíduos. Isto posto, complementa:

Entre esses dois extremos, que se unem no mesmo mal, devia estar a democracia – mas, infelizmente, ela não está. Por que não? Porque as democracias que conhecemos são, como regimes políticos, a apologia do personalismo, do ego, e não da individualidade do Eu. Uma democracia real e genuína seria o mais alto triunfo da individualidade humana, isto é, do homem genuíno e integral, seria uma verdadeira cosmocracia, ou seja, o cristianismo social. Tanto os hegelianos como os marxistas detestam as democracias e derramam sobre elas todo o seu vocabulário de impropérios. Entretanto, o que eles visam são as pseudo-democracias que conhecemos no presente, e não a verdadeira democracia, a cosmocracia do futuro, que, praticamente, ignoramos. As nossas democracias não passam de autarquias personais coletivas.

            O que os regimes democráticos entendem, geralmente, por personalidade, liberdade, e todos os outros slogans que são de uso e abuso entre nós, é, em última análise, a absoluta indisciplina e soltura do ego humano, carta branca para todos os seus caprichos e egoísmos. Essa pseudo-democracia não pode, naturalmente, inspirar respeito aos antidemocráticos da direita ou da esquerda. Se a verdadeira democracia existisse como regime político, expressão lídima do altruísmo e do amor espontâneo, não tardariam os hegelianos e marxistas sinceros a respeitá-la.

            Bergson defende, direta ou indiretamente, uma democracia cosmocrática, e não autárquica. Claro está que semelhante regime não pode ser estabelecido por um decreto, mas tem de ser o resultado de uma evolução do homem integral, essa evolução que vai com passos mínimos em espaços máximos, como o crescimento imperceptível de uma planta, como o amadurecimento gradual de uma fruta.”      

ROHDEN, Huberto (1893 – 1981) – FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: O drama milenar do homem em busca da verdade integral, Copyright Editora Martin Claret, 1981, Conhecimento pelo impulso vital, Henri Bergson, 5 – Filosofia ética, social e política de Bergson, pg. 158.

Logo, segundo a conclusão de Rohden, devemos ter muita paciência! Se consultarmos a História, veremos que muita coisa já melhorou em nossa Terra, no que concerne ao governo dos homens. A democracia parece que está no caminho certo, mas sofre a influência nefasta daqueles que ainda não alcançaram sua evolução – como eu, por exemplo; até lá, parece, teremos problemas com os nossos governantes – os maus governantes, seriam, ao que tudo indica, como os POBRES: sempre os teremos conosco (Mt. 26:11).

Tá!. . . mas vou continuar esperneando.