Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Hoje levantei e abri a Bíblia – livro de Eclesiastes. É aquele que repete inúmeras vezes: “Vaidade das Vaidade, tudo é Vaidade”. Comecei a ler e desconfiei que o melhor seria dizer “Ilusão, Ilusão, tudo é ilusão”; grande vantagem! Consultei a Bíblia na linguagem moderna e lá estava: “É ilusão, é ilusão, diz o Sábio, tudo é ilusão” (verso 1:2). (hã, hã, estou ficando sábio!).

Já ouvi muita gente dizer que acha deprimente a leitura de Eclesiastes. O “Coélet” (=Eclesiastes, o homem que fala na Assembléia – em hebraico) parece que se compraz em fazer baixar o astral:

Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? (verso 1:3)

(naquela época, lembrem-se, inexistiam os escritórios com ar condicionado).

E continua:

Uma geração passa, outra lhe sucede, enquanto a terra permanece para sempre. O sol se levanta , o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar para novamente tornar a nascer. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte: girando, girando vai o vento em suas voltas. Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar não transborda: embora chegados ao fim de seu percurso os rios voltam a correr. Tudo é tão aborrecido que nem se pode mencionar. O olho não se sacia de ver, nem a orelha se farta daquilo que ouviu.” (versos 1:4-8).

Uma chamada de rodapé da Bíblia de Jerusalém: “O determinismo do cosmo, o quadro monótono da vida humana, provoca em Eclesiastes o aborrecimento, oposto à admiração e adoração que se manifestam em Jó 38-40 ou Salmo 104”. E isto me fez lembrar um artigo (ou um poema) de Rubem Alves “A complicada arte de ver”, outro dia mesmo distribuído pela Margaret, para os irmãos,  na forma de um maravilhoso Power-point. Porque? Por que lá ele diz que via num ipê florido a epifania do sagrado, tal como Moisés vira a sarça ardente, enquanto uma vizinha via no mesmo ipê florido o lixo que lhe sujava a calçada; Drummond viu em uma pedra um poema. . .

Tudo é uma questão de saber ver. Na linguagem de Rubem Alves: “A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo”

Por isto, antes de nos aprofundarmos muito em Eclesiastes, um pedacinho da visão do salmista:

Salmo 104:

“Bendize a Iahweh,  ó minha alma! Iahweh, Deus meu, como és grande: vestido de esplendor e majestade, envolto em luz como num manto, estendendo os céus como tenda, construindo sobre as águas tuas altas moradas; tomando a nuvem como teu carro, caminhando sobre as asas do vento; fazendo dos ventos os teus mensageiros, das chamas de fogo os teus ministros!. . . (versos 1 a 4).

WILL CONTINUE

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