Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Antes de continuarmos a falar de Eclesiastes peço permissão para fazer uma referência ao verso 10 do Salmo 90, em destaque acima. Ele aí está pela simples razão de que dia 8 de novembro de 2009, quando iniciei esta série (espero que o seja. . .) eu completava meus 71 anos de idade. Consequentemente, pela visão do salmista, estou entrando na minha “zona” de $lucro$ e, pasmem, também na visão do IBGE: fui no Site dos “omes” e lá me informei que a esperança de vida do brasileiro, da região sul, é de 71 anos, ou melhor, era no ano 2000; para os brasileiros,  de todas as regiões, homens era de 64,8 anos e, mulher,71,2 anos.

O comentário anterior foi encerrado com outra citação dos Salmos para demonstrar que a visão do salmista é, via de regra, como indicado pelo comentarista da Bíblia de Jerusalém, de deslumbramento diante do que se pode chamar de “visão da continuidade monótona da vida”, perspectiva esta totalmente contrária à do Pregador, isto é, do autor do Eclesiastes. Mas. . . o que dizer da segunda metade do versículo acima? Hipótese: a maior parte dos Salmos foi escrita antes que seus autores completassem 70 anos de idade.

Ora, tenho saúde, uma família que me traz muita alegria, e nada tem me faltado para levar uma vida alegre e feliz. Isto confirma: estou no $lucro$. Os cifrões são apenas para qualificar a qualidade intensa do lucro, sem qualquer vinculação com valores monetários – seria uma inverdade e uma “vaidade”, pura ilusão, pura névoa, puro vapor!

Ainda não alcancei a segunda parte do verso “e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez, pois passam depressa, e nós voamos”. Ou melhor, em parte cheguei, nesta parte que diz, passam depressa, e nós voamos. E faria até uma observação ao salmista: não é só para quem comemorou 70 primaveras, mas para todos que completaram. . . talvez, 50 anos. Quanto à fadiga, procuro caminhar 1 hora por dia para exercitar o coração; sei que não supero 99% dos jovens de 20 anos, mas os médicos garantem que estou dentro dos “padrões” estabelecidos pela medicina, se bem que. . . sempre enfatizam a necessidade de reduzir o excesso de peso (uns 10 quilinhos- o que é bom e mal sinal: vida boa engorda, mas excesso de peso mata. A outra qualificação da Bíblia de Jerusalém me encafifou: “mesquinhez”. É um termo muito forte: olha o que diz dele o Aurélio (a minha versão do Aurélio agora é oficial – já não tenho peso de consciência ao utilizá-lo): pobre, mísero, insignificante, ridículo, parco, irrelevante, avaro, escasso, não generoso, desditoso, infeliz, relés, sórdido, ordinário, vulgar, débil, fraco. . . Consultei outras versões bíblicas para esta parte do versículo:

  • Ferreira de Almeida, revista e atualizada: “. . . o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente e nós voamos.”
  • Ferreira de Almeida, edição ecumênica, Barsa, 1964: “. . .e a maior parte deles, sofrimento e vaidade: passam depressa e nós voamos.”
  • Linguagem de hoje: “mas esses anos só trazem canseira e aflições. A vida passa logo, e nós desaparecemos”.
  • Almeida, revista e corrigida: “o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.”

Então, mesquinhez foi também traduzido por enfado, vaidade, aflições. “Vaidade”, no caso, me parece muito genérico e, nesta edição da Barsa, vem precedido de “sofrimento”. Aflições, enfado, sofrimento, me parecem substituir melhor a expressão “mesquinhez”. Não, não atingi este ponto. Salvo as aflições, os sofrimentos normais que nos afligem em qualquer idade.

Voltando para o Eclesiastes. É um livro polêmico. Para vocês terem uma idéia, avaliem esta apreciação em um artigo que encontrei na Internet: “É obra de um homem revoltado, cínico e cético, que duvida de Deus e questiona o valor de se fazer o bem.” No próximo seguimento falaremos sobre isto.

WILL CONTINUE

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