Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Eclesiastes, Cap. 1(linguagem de hoje):

1 São estas as palavras do Sábio, que era filho de Davi e rei em Jerusalém.

2  É ilusão, é ilusão, diz o Sábio. Tudo é ilusão.

3  A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso?

4 Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo.

5  O sol continua a nascer, e a se pôr, e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez.

6  O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar.

7  Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez.

8  Todas as coisas levam a gente ao cansaço – um cansaço tão grande, que nem dá para contar. Os nossos olhos não se cansam de ver, nem os nossos ouvidos, de ouvir.

9 O que aconteceu antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo.

10  Será que existe alguma coisa de que a gente possa dizer: “Veja! Isto nunca aconteceu no mundo”? Não! Tudo já aconteceu antes, bem antes de nós nascermos.

11  Ninguém lembra do que aconteceu no passado; quem vier depois das coisas que vão acontecer no futuro também não vai lembrar delas.

Para solidificar argumentação anterior a propósito da necessidade de repetição de fatos para que haja ciência, transcrevo dois textos de Henri Bergson:

“Do futuro só pode prever-se aquilo que assemelha ao passado ou que pode ser recomposto com elementos semelhantes aos do passado. Estão nesse caso os fatos astronômicos, físicos, químicos, e todos aqueles que fazem parte dum sistema no qual se justapõem simplesmente elementos que se têm como imutáveis, em que se produzem somente mudanças de posição, em que não é um absurdo teórico imaginar que as coisas voltem ao seu lugar, em que, por consequência, o mesmo fenômeno total, ou pelo menos os mesmos fenômenos elementares se podem repetir.”

(A Evolução Criadora (L’Evolution Créatrice), BERGSON, Henri, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro, 1973, pg.s 63, 64)

“Tal como o conhecimento usual, a ciência só retém das coisas o aspecto repetição. Se o todo é original, arranja maneira de o analisar em elementos ou em aspectos que sejam mais ou menos repetição do passado. Só pode operar sobre aquilo que se considera suscetível de repetição, isto é, sobre aquilo que, por hipótese, não está sujeito à ação da duração.”

(A Evolução Criadora (L’Evolution Créatrice), BERGSON, Henri, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro, 1973, pg. 65)