Recebi esta pérola de minha filha Damaris, que a encontrou no livro A ALMA CELEBRA, de Lawrence W Jaffe.

…Jung falou  de improviso sobre a relação entre sua escola de psicologia analítica e a religião. Suas Palavras finais foram:

Jesus, vocês sabem, foi menino que nasceu de mãe solteira. Criança que nasce nessas circunstâncias é ilegítima, e há um preconceito que a deixa em grande desvantagem. Sofre de um terrível sentimento de inferioridade que sabe com toda certeza que precisa compensar. Daí a tentação de Jesus no deserto, onde o diabo lhe ofereceu todos os reinos do mundo. Nessa proposta, ele se defrontou com seu pior inimigo, o demônio do poder; percebendo a armadilha, porém, não cedeu, respondendo, “Meu reino não é deste mundo”. Mas mesmo assim, tratava-se de um “reino”. E lembremos aquele incidente estranho, a entrada triunfal em Jerusalém. O fracasso supremo aconteceu na crucificação, nas trágicas palavras, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Para compreender a tragédia absoluta dessas palavras, precisamos entender o que elas significavam: Cristo viu que toda sua vida, dedicada à verdade de acordo com sua melhor convicção, fora ilusão terrível. Ele a vivera por inteiro de modo absolutamente sincero, fizera experimento honesto, mas mesmo assim tudo não passava de compensação… Como vivera uma vida plena e de entrega total, porém, conquistou o corpo de ressurreição.     Precisamos todos fazer o que Cristo fez. Precisamos fazer nosso experimento. Precisamos cometer erros. Precisamos viver nossa própria visão da vida. E haverá erros. Se evitarmos o erro, não vivemos; num sentido, inclusive, podemos dizer que cada vida é erro, pois ninguém encontrou a verdade. Vivendo desse modo, conhecemos Cristo como irmão, e Deus se torna  homem verdadeiramente. Isso soa como blasfêmia terrível, mas não é. Pois só então podemos compreender Cristo como ele quereria ser compreendido, como um semelhante; só então Deus se torna homem em nós mesmos.

Poderia parecer que falo de religião, mas não. Falo apenas como filósofo. Às vezes as pessoas me chamam de líder religioso. Não sou isso. Não tenho nenhuma mensagem, não tenho missão; apenas procuro compreender. Somos filósofos no sentido antigo da palavra, amantes da sabedoria. Isso evita ás vezes a questionável companhia dos que oferecem uma religião.                                                                                                                                                                     E assim a última coisa que gostaria de dizer a cada um de vocês, meus amigos, é : Vivam sua vida da melhor maneira que puderem ainda que ela se baseie no erro, porque a vida precisa ser desfeita, e às vezes chegamos á verdade através do erro. Então, como Cristo, terão concluído seu experimento. Assim, sejam  humanos, procurem compreender, procurem esclarecer, e proponham suas hipóteses, sua filosofia de vida. Então poderemos reconhecer o Espírito vivo no inconsciente de cada indivíduo. Então nos tornaríamos irmãos de Cristo.

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