A gostosa teimosia da vida

Nas estradas poeirentas

da terra – Canaã que um dia ficou sagrada,

percorremos tristes sendas

engolindo o pó da estrada.

No trabalho em campo aberto,

homens, mulheres e crianças

olham-se nesse deserto,

onde perderam-se as esperanças.

Nos olhares proibidos,

Maria cativa José,

e como corpos prometidos

descobrem o sonho da fé.

Maria lavadeira,

lava o sofrimento do povo

como um bálsamo de vinho novo.

José, no canto da cocheira,

acaricia sua amiga, a madeira.

Como a pensar, num relance de desespero e fé.

Por que eu, Javé?

Que sou um simples carpinteiro,

por que eu devo ser o teu guerreiro?

Maria, lavadeira, cozinheira, empregada,

José, carpinteiro, bóia-fria, pedreiro,

tiveram a coragem de sonhar

e sonharam o sonho de um guerreiro.

Acreditaram nas promessas da poesia,

viveram a vida com teimosia,

sonharam o sonho da sabedoria,

encontraram-se como corpos na calmaria.

Essa luta pelo chão roubado,

a fé mais pareceu um cavalo alado.

E na opressão do trabalho forçado,

o carpinteiro forjou na madeira,

com o carinho de Maria,

a conquista do sonho sonhado.

(COMPROMISSO COM O SONHO, GCEC uma comunidade cristã alternativa, pg.s 285/286, texto do Longuini[i] no encarte do boletim nº 121.)


[i] Rev. Luiz Longuini Neto, hoje  professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB) – é a última notícia que temos deste irmão, um dos primeiros pastores do GCEC.