“Dentre as muitas figuras que compõem o cenário do Natal, existe uma que detém em si um desejo não confessado. Fica claro que todas essas figuras foram idealizadas pelos seres humanos e, portanto, carregam um forte sentido daquilo que nós, seres humanos, pensamos ou desejamos com respeito ao Deus que tentamos adorar.

Todas as figuras são extraídas das páginas das escrituras sagradas e fica também claro que nem sempre damos o valor necessário a todas elas; isso para não falar das inovações que não têm nada de bíblico, por exemplo, papai Noel, árvore de Natal, etc.

Impressiona-me a ênfase no Jesus na manjedoura. Deitado ou então nos braços de Maria. Não seria a eternização dessa figura um desejo não confessado de termos um Deus que podemos controlar? Um Deus que continua criança, portanto indefeso. Um Deus que depende de sua mão e de seu pai, portanto depende de nós também.

É evidente que se trata do nascimento de Jesus e por isso é que existe ênfase no Jesus criança e na manjedoura. Isso seria um argumento razoável se todos os outros aspectos fossem lembrados com tanta atenção. Precisamos enfatizar as figuras dentro da contemporaneidade do Natal e resgatar o que significa um casal com uma mulher prestes a dar a luz não encontrar lugar em hospedaria alguma. O que significa o nascimento desse homem verdadeiramente Deus, numa cocheira onde o cheiro de estrume devia ser bem forte. As figuras que nós eternizamos são figuras que não retratam a realidade. O presépio de hoje é um engodo. Isso tudo só teria valor se viesse acompanhado do verdadeiro significado para nós hoje: Deus faz morada nas periferias dos nossos mundos.”

(COMPROMISSO COM O SONHO, GCEC uma comunidade cristã alternativa, pg.s 176/177, texto do Longuini[i] para o boletim nº 71.)


[i] Rev. Luiz Longuini Neto, hoje  professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB) – é a notícia que temos deste irmão, um dos primeiros pastores do GCEC.