É Natal e é também uma cantata.

É Natal no Brasil. Lembrei-me então, da cantoria. . .

Folia. . .Romaria. . .Alegria. . .

Um Natal em cantigas. . .

Ao som da zabumba, do triângulo e da sanfona.

Um bom baião nordestino.

Cantado em frevo, cravo e canela.

Ao som do berimbau, na Bahia do Senhor do Bonfim.

Natal no Brasil tem que ser assim.

No falar cantado do mineiro bom de prosa.

No samba paulista com jeito de Adoniram.

No batuque carioca com gingado de mulata assanhada.

Regado ao chimarrão e embalado pelas lindas guarânias sulistas, com gosto de fronteira.

É Natal no meu Brasil.

Lembrei-me, então, de outra cantoria.

Aquela daquele dia.

Cantoria de anjo e de noite especial:

“Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama.”

Glória a Deus. . .

Shekiná. . .para os hebreus

Aleluia. . .louvado seja o Senhor.

Paz na terra.

Shalom – a paz hebraica recebida.

Eirene – a paz dos gregos transmitida.

Sauidi – a paz dos índios – paz perdida.

Paz na terra – só para os poderosos.

É Natal todos os anos. . .

E a nossa América Latina não conhece a paz.

Nascem a cada ano as escolas superiores das guerras.

Lembrei-me então de outros cantos. . .cantos de Esperança:

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e mulheres de cabeça louca.”

Glória e Paz a todos aqueles que ainda “acreditam nas flores que vencem os canhões.”

Glória e Paz porque “ficou uma semente de cravo em algum lugar do jardim.”

Glória e Paz porque ”a nossa cidade vai ficar ensolarada e um dia o povo e os meninos terão poder.”

Glória e Paz porque hoje celebramos as saudades de Belém.

É só na saudade que sentimos o amor.

E por isso cantamos.

(COMPROMISSO COM O SONHO, GCEC uma comunidade cristã alternativa, pg.s 247/248, texto do Longuini[i] .)


[i] Rev. Luiz Longuini Neto, hoje  professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB) – é a notícia que temos deste irmão, um dos primeiros pastores do GCEC.