Vejam o burburinho das cidades (e nós todos vivemos nas cidades, deixamos os campos): Agora os Papais Noéis, fazendo ponto em todos os shoppings, atraem milhares de consumidores (eu disse “consumidores” não pessoas) para as compras; as ruas se enchem de gente; o trânsito fica infernal (usar este vocábulo na época em que se comemora o nascimento do menino-Deus parece contraditório); as lojas se engalanam de luzes, de presentes. . . Que beleza! Algumas delas mostram um presépio. Há notícias de que algumas igrejas fazem concursos de presépios – e isto é a única lembrança da vida no campo, novidade para a maioria de nossos pequeninos. Eu já morei no campo e me lembro do dia em que fomos visitados por parentes da cidade: um primo meu confundiu um urubu no telhado com um frango preto que fugira do galinheiro.

Mas me refiro a esta balburdia só para ressaltar como todos se esforçam – com o incentivo financeiro dos mercadores – em comemorar o Natal e, naturalmente, justificar a minha ousadia,visto que já matei saudades compartilhando com vocês diversos textos do GCEC, em expressar os votos de FELIZ NATAL de minha própria lavra, mais do que isto, do meu próprio coração.

Estes votos são simples e, ao mesmo tempo, complicados.

Simples por que basta dizer:

FELIZ NATAL – que o CRISTO esteja em nossas vidas;

Simples, ainda, pois isto depende exclusivamente de nossa vontade.

Complicado por que envolve vocês e eu – mais eu do que vocês;

Complicado por que é processo que já vem sendo proclamado há milhares de anos, com parcos resultados.

Estes votos, vocês já o notaram, reportam-se à declaração de Paulo:

não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”[i]

Foi para isto que há cerca de 2.000 anos atrás uma criança nasceu em Belém (da Judéia, não do Pará) – de início, para que rebento humano algum viesse, novamente, a nascer, desprezado, em um estábulo.

Mas bebê bonitinho (todos os são), vindo ao mundo no meio de estrume de gado (quem conhece o perfume?) nos comove e nossos corações se sentem realizados quando damos presentes para amenizar-lhe o sofrimento (revejam, por favor, texto do Longuini “Nataldesejos não confessados”, postado no dia 21/12/2009).

Pelo que aprendi (e olha que faz tempo que procuram me ensinar), estou sinceramente convencido de que quando o Cristo estiver em nossas vidas, na minha e na sua, não haverá mais ódios, não haverá mais inveja, não haverá mais maldades; guerras – nem pensar! Ouso, até mesmo, acreditar que, desafiando a  afirmação de Jesus de Nazaré – “pois os pobres estarão sempre com vocês”[ii]-, as brutais desigualdades sociais desaparecerão. As coisas serão como o profeta sonhou:

A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins.

O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará.

A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.[iii]

Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.[iv]

Natal comemora o nascimento de uma criança. Todo nascimento deve ser comemorado: é manifestação de Vida. Vida é atributo Divino. Vida é Deus. Mas Deus é também amor[v]. Cristo disse “eu e o Pai somos um”[vi], logo, Cristo é amor. O nascimento em Belém representou então a plenificação da vida com o amor. Logo, se “Cristo estiver em nossas vidas”, isto é, se plenificarmos nossas vidas com amor, o desamor, origem de todos os males da humanidade, será extirpado e poderemos vivenciar:

E Deus(“Cristo”) lhes enxugará dos olhos toda lágrima.[vii]

Portanto, os meus votos natalinos:

“Que Cristo viva em nossas vidas!”


[i] Galatas 2:20.

[ii] Mt 26:11, Mc 14:7.

[iii] Is 11:5-7.

[iv] Is 2:4.

[v] I Jo 4:8; 4:16.

[vi] Jo 10:30.

[vii] Ap 7:17; 21:4.