Estou lendo, vejam que coragem, A Evolução Criadora, de Henri Bergson. Vou devagar porque, para mim,  a leitura é difícil: além de muitos pormenores o homem tem uma capacidade de encadeamento de pensamentos que me deixa torto. Não sei quando foi escrito, mais Bergson foi agraciado com o Prêmio Nobre de Literatura, por sua publicação, em 1927. Professor de filosofia, era dono de uma cultura invejável. Mas na pedreira toda despontam beleza e pensamentos instigantes. Falta muito para terminar o livro, mas dou uma colher de chá:

“Vemos, com efeito, o ímpeto da vida para o movimento sair vitorioso. Os Peixes trocam a couraça ganóide pelas escamas. Muito tempo antes tinham aparecido os Insetos, libertos eles também da couraça que protegera os seus antepassados. Uns e outros obviaram à insuficiência do seu invólucro protetor por meio duma agilidade que lhes permitia escapar aos inimigos e também tomar a ofensiva, escolher o lugar e o momento do combate. É um progresso do mesmo gênero que se verifica na evolução do armamento humano. O primeiro movimento é para procurar um abrigo; o segundo, que é o melhor, para adquirir a agilidade necessária para a fuga e sobretudo para o ataque, – pois atacar é a forma mais eficaz da defesa. Foi assim que o legionário suplantou o pesado hoplita, que o soldado de infantaria com os movimentos livres suplantou o cavaleiro coberto de ferro; duma maneira geral, na evolução da vida no seu conjunto, assim como na das sociedades humanas, e na dos destinos individuais, os maiores sucessos foram obtidos pelos que aceitaram os maiores riscos.”

BERGSON, Henri; A EVOLUÇÃO CRIADORA (L’Evolution Créatrice, Presses Universitaires de France, Paris), tradução de Adolfo Casais Monteiro, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro, 1973; Capítulo II, As direções divergentes da evolução da vida. Torpor, inteligência, instinto; pg. 149.