Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Vaidade da Ciência

Eclesiastes, Cap. 1(linguagem de hoje):

12 Eu, o Sábio, fui rei de Israel, em Jerusalém.

13 E resolvi examinar e estudar tudo o que se faz neste mundo. Que serviço cansativo é este que Deus nos deu!

14 Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.

15 Ninguém pode endireitar o que é torto, nem fazer contas quando faltam os números.

16 E pensei assim: “Eu me tornei um grande homem, muito mais sábio do que todos os que governaram Jerusalém antes de mim. Eu realmente sei o que é a sabedoria e o que é o conhecimento.”

17 Assim, procurei descobrir o que é o conhecimento e a sabedoria, o que é a tolice e a falta de juízo. Mas descobri que isso é o mesmo que correr atrás do vento.

18 Quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem; e, quanto mais sabe, mais sofre.

Eu jamais pensei em examinar “tudo o que se faz neste mundo”; só pretendia dar uma estudada no texto de Eclesiastes. Mas nisto eu concordo com o próprio: “é cansativo”. Não foi o que falei anteriormente, eu me lembro, mas me retifico.

Nas primeiras inserções desta série, espero que se lembrem, comentei como muita gente tem verdadeira ojeriza por esta porção bíblica, taxando-a de extremamente pessimista. Sugiro a apreciação do pensamento de um filósofo mais atual que Eclesiastes – Schopenhauer. Este homem, nascido na Prússia em 1788 e falecido em 1860, tem uma história bonita: seu pai, comerciante, insistia que lhe seguisse a carreira; fê-lo viajar para que se aprimorasse nos labores da mercancia, porém o filho insistia em manifestar profundo interesse pela condição humana e redige, a este respeito,  uma série de considerações melancólicas e pessimistas; de volta à casa, é colocado em uma escola de comércio. Somente após a morte do pai, em 1807 matricula-se em uma universidade para se dedicar ao que mais lhe interessa: inicialmente medicina e depois filosofia. Dizem-no haver introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Apreciem esta sua manifestação:

“A Tragédia e Comédia da Vida

A vida é um mar repleto de rochedos e turbilhões, que o homem evita com a máxima precaução e cautela, embora saiba que, quando consegue insinuar-se por eles com todo o esforço e arte, justamente por isso acaba por se aproximar e até mesmo se dirigir para o seu naufrágio maior, total, inevitável e irremediável, a morte: esta é o objetivo final da penosa viagem e, para ele, o pior de todos os rochedos dos quais se desviou.
A vida de todo o ser humano flui inteiramente entre o querer e o conseguir. O desejo, conforme a sua natureza, é dor: alcançá-lo significa gerar rapidamente a saciedade. O objetivo era apenas aparente; a posse tira o encanto; o desejo e a necessidade reapresentam-se com um novo aspecto. Quando isso não ocorre, seguem-se a solidão, o vazio e o tédio, contra os quais a luta atormenta tanto quanto contra a miséria.
Quando se observa a vida de cada indivíduo de modo geral, destacando apenas os seus traços mais significativos, percebe-se que ela não passa de uma tragédia; porém, se examinada nos seus detalhes, tem o caráter da comédia.”

Arthur Schopenhauer, in ‘A Arte de Insultar’

Estaria ele superando o Coélet em pessimismo e, quiçá, com uma dose de sarcasmo? Mas qual o fundamento do Budismo? Não é a exclusão (ou superação, não sei!) de todo desejo para se alcançar o Nirvana? Aqui, contudo, o homem parece estar em um beco sem saída.

Já li alguma orientação sobre a Cabala em que se aborda com bastante interesse este tema, pois seria o objetivo do Criador conceder prazer à sua criatura, seja no nível inanimado, vegetativo, animal ou humano. Concorda, pelo que entendi, com a colocação do filósofo: “A vida de todo o ser humano flui inteiramente entre o querer e o conseguir. O desejo, conforme a sua natureza, é dor: alcançá-lo significa gerar rapidamente a saciedade.” O correr atrás do prazer gera um insaciável desejo. O caminho indicado seria dedicar este prazer ao próprio Criador (altruísmo), tendo como regra: Amar o próximo como a si mesmo.

Se o Coélet optou por abordar o “viver” em um nível puramente “material”, pois poucas vezes se refere ao Criador, não está, a meu ver, em desacordo com a Cabala, com o Budismo, com o Cristianismo etc., etc. Realmente os atos humanos, sejam quais forem, não levam a nada. Por mais que obtenham a admiração (e a inveja) das gentes, e ainda que absolutamente indispensáveis à sobrevivência do planeta Terra e daqueles que nele habitam, o que são diante do Universo?

Não havendo a consciência -“de quem somos nós”, “por que estamos aqui” -, é dizer “sim” ao  “tudo é vaidade” do Pregador e se “dirigir para o seu naufrágio maior, total, inevitável e irremediável, a morte”, sem pessimismo.

Ainda para ilustrar este tema, permitam sugerir a leitura de um texto intitulado No Mundo nada existe – tudo é ILUSÃO! que se encontra no seguinte endereço:

http://informaridendo.blogspot.com/2009/10/no-mundo-tudo-e-ilusao-realidade-nao.html#links

ESPERO DAR CONTINUAÇÃO

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