PAU QUE NASCE TORTO

Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Eclesiastes, Cap. 1(linguagem de hoje):

12 Eu, o Sábio, fui rei de Israel, em Jerusalém.

13 E resolvi examinar e estudar tudo o que se faz neste mundo. Que serviço cansativo é este que Deus nos deu!

14 Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.

15 Ninguém pode endireitar o que é torto, nem fazer contas quando faltam os números.

16 E pensei assim: “Eu me tornei um grande homem, muito mais sábio do que todos os que governaram Jerusalém antes de mim. Eu realmente sei o que é a sabedoria e o que é o conhecimento.”

17 Assim, procurei descobrir o que é o conhecimento e a sabedoria, o que é a tolice e a falta de juízo. Mas descobri que isso é o mesmo que correr atrás do vento.

18 Quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem; e, quanto mais sabe mais sofre.

Ilusão, tudo é ilusão! E aí, gostaram das sábias conclusões de nossos cientistas contidas no artigo “L’Universo é un’illusione” que sugeri na última postagem? “Se a concretude do mundo é uma realidade secundária e o que existe não é senão turbinas de freqüências holográficas, e, até mesmo o cérebro é somente um holograma que seleciona algumas dessas frequências, transformando-as em percepções sensoriais, o que resta da realidade objetiva? Simplesmente não existe. Como sustentam as religiões e filosofias orientais, o mundo material é uma ilusão.”

É, pesados todos os “ii”, estava cheio de razão o Pregador, quando proclamava: Ilusão, tudo é ilusão!

Mas, uma vez que o Pregador não é tão pessimista como dizem, vamos comentar a sua afirmação no verso 15, que já se tornou um ditado popular: “Ninguém pode endireitar o que nasce torto”.  Na Bíblia ecumênica publicada pela Barsa, lê-se assim: “Os perversos dificultosamente se corrigem, e o número dos insensatos é infinito.” Me parece que os sentidos se coadunam.

Ouçamos Sêneca (Lucius Annaeus Sêneca, escritor e filósofo da época do Império Romano, nascido em Córdoba (província romana da Hispânia) em 4 a.C. falecido em Roma no ano de 65 d.C.):

“Para dizer a verdade, nem sequer é necessário grande esforço se, como disse, começarmos a formar e a corrigir a nossa alma antes que as más tendências cristalizem. Mas mesmo já empedernidas, nem assim eu desespero: com esforço persistente, com cuidados aturados e intensos, todas as más tendências serão vencidas. Podemos aprumar toros de madeira, por muito tortos que estejam; por meio de calor é possível endireitar pranchas curvas e adaptar a sua forma natural às nossas conveniências. Com muito mais facilidade se pode dar forma à alma, essa entidade flexível, mais maleável que qualquer líquido. De fato o que é a alma senão uma espécie de sopro dotado de certa consistência? Ora tu podes observar como o ar é mais elástico que as outras espécies de matéria por ser a mais subtil. Não há, pois, Lucílio, motivo para desesperares de nós pelo fato de a maldade nos dominar, nos possuir mesmo há tanto tempo: ninguém atingiu a sabedoria sem primeiro passar pela insensatez! Todos temos o inimigo dentro de casa: aprender as virtudes equivale a desaprender os vícios. Com tanto maior vontade nos devemos aplicar a emendar-nos: uma vez aprendidos, os bens da sabedoria permanecem para sempre na nossa posse. A virtude nunca se esquece.
As plantas crescem com dificuldade num solo inadequado, e por isso será fácil arrancá-las, eliminá-las; mas colocadas num terreno apropriado ganham raízes firmes. A virtude está de acordo com a natureza; os vícios, esses, são como plantas daninhas e nocivas. As virtudes adquiridas não podem ser extirpadas, é com facilidade que as podemos conservar; adquiri-las, contudo, é tarefa árdua, portanto é próprio de um espírito fraco e doente recear experiências desconhecidas. Obriguemos, portanto, esse espírito a dar os primeiros passos. Passada esta fase o tratamento deixa de amargar e torna-se mesmo, enquanto se processa a cura, uma fonte de prazer. Com os remédios do corpo o prazer só chega depois da cura; a filosofia, pelo contrário, é salutar e saborosa simultaneamente.”

Sêneca, in ‘Cartas a Lucílio’

(o grifo acima é meu)

Ele não concorda com a afirmação do Eclesiastes!

O profeta Ezequiel também não pensa como o Eclesiastes:

Ezequiel 11:19  Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne;

E o apóstolo Paulo também não:

Romanos 12:2  E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Aí parece que o nosso amigo fica sozinho. Mas alguém poderia dizer: “Mas isto se trata de uma ndecisão da própria pessoa”; Não se pode impor a terceiros a própria conversão deles– vide, a propósito Lucas 9:54-55).” Talvez por esta razão as coisas demorem tanto a “endireitar”, segundo a nossa vontade. Mas os sábios parecem entender que esta mudança começa conosco mesmo. Vide o que disse Paulo acima. Vejam o que diz Rav Michael Laitman:

“O Mundo Inteiro Está Doente ou Saudável Junto Comigo

Em relação a mim todas as outras almas estão num estado corrigido. Eu tenho que reconhecer que sou o único elemento não corrigido em todo o universo. No entanto, se todos estão corrigidos, e eu não, isso significa que eu sou o único que precisa ser corrigido? Não, e a razão é que a falta de correção está dentro de mim, pois todos nós pertencemos a um único sistema.

Se eu sou um órgão doente dentro do corpo, o corpo inteiro sofre, porque eu não executo meu trabalho corretamente. Suponhamos que eu sou uma parte muito importante do corpo, digamos os rins, onde o meu dever é limpar tudo o que existe no corpo, mas não estou funcionando bem. Então, o corpo inteiro não consegue existir, pois esta parte está incluída em todas as outras e deve servi-las, proporcionando a sua parte no trabalho comum. Sem isso, todas as outras partes são incapazes de funcionar corretamente.

Além disso, não importa se o resto do corpo está sadio; eu continuo fazendo com que ele permaneça doente, pois eu não estou corrigido. Eu tenho que perceber que sou o único sem correção, e que isso estraga o corpo inteiro. Sem mim, todos seriam perfeitamente sadios.

Portanto, o meu trabalho é conectar-me com todo mundo e ver como eles estão doentes por minha causa. Este é o significado do verso: “Toda pessoa julga as outras de acordo com suas próprias falhas”. Assim, eu desejarei me corrigir e elevar todo mundo junto comigo, até às alturas do estado final corrigido.”

http://www.kabbalah.info/brazilkab/paginas-diarias

ESPERO CONTINUAR