Vejam o que diz Tagore:

“Deixa o teu rosário, o teu canto, as tuas salmódias. Quem supões estar cultuando, no recanto solitário e sombrio de um templo, cujas portas se acham todas fechadas?

Abre os olhos, vê que o teu Deus não está diante de ti!

Ele se acha onde o lavrador está lavrando o solo duro. À margem o caminho, o calceteiro está quebrando pedras. Ele está com o lavrador e o calceteiro, quando faz sol. A sua veste cobre-se de poeira. Deixa teu manto de orar. Faz como ELE, desce também à poeira.

Libertação! Onde pretendes encontrá-la? Nosso Mestre alegrou-se ao tomar sobre si os encargos da criação. Uniu-se a nós para sempre.

Deixa as meditações, o incenso, as flores. Tuas vestes estão sujas e rasgadas. Que importa? Vai reunir-te a ELE, e, suado, permanece no trabalho ao seu lado.”

TAGORE, OBRAS SELECIONADAS – Tradução e Introdução de XAVIER, Raul, Livros do Mundo Inteiro, Rio de Janeiro, 2ª edição. 1974, Gitanjali, pg. 154/155.