Isso é um presente de Deus!

Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Eclesiastes Cap. 3 (Linguagem de hoje):

9  O que é que a pessoa ganha com todo o seu trabalho?

10  Eu tenho visto todo o trabalho que Deus dá às pessoas para que fiquem ocupadas.

11  Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as          coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completamente o que ele faz.

12  Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder.

13  Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso           trabalho. Isso é um presente de Deus.

Lembremo-nos de como se refere a este capítulo 3 a Bíblia de Jerusalém: encima o capítulo com o título “A morte” e faz uma chamada de rodapé com a seguinte análise:

“Metade das ocupações do homem é sinistra, metade de suas ações são gestos de luto. A morte já deixou a sua marca sobre a vida. Esta é uma sequência de atos desconexos (vv.1-8), sem meta (vv. 9-13) a não ser a morte, que, por sua vez, não tem sentido (vv. 14-22).”

Uso esta referência para lembrar que, na visão de cultos exegetas, este pedacinho de raciocínio faz parte da argumentação para mostrar, segundo o autor da obra, o aspecto sinistro da vida. Mas vamos tentar destrinchar o que ali foi colocado:

1) O trabalho do homem é encargo dado por Deus para mantê-lo ocupado;

2) A seu tempo, deu o desejo de entender a vida, privando-o do entendimento completo;

3) Resta-lhe aproveitar, da forma que puder, o ganho do seu trabalho para ‘procurar’ ser feliz.

A propósito do primeiro item, permitam que lhes apresente as considerações de Paulo Roberto Gaefke, responsável pelo Site www.meuanjo.com.br:

Se você se observar, e com respeito se policiar,
vai descobrir as qualidades escondidas que talvez você mesmo,
sem saber, tenta sufocar.

Engenheiros que são mestres  pizzaiolos,
médicos que cozinham como ninguém,
secretárias que fazem crochê divino, donas de casa quituteiras de mão cheia, pedreiros
artistas plásticos, e muita gente,
que acaba frustrada fazendo o que não gosta,
apenas por sobrevivência.
Que tal observar os seus dons?

Sim, todos nós temos dons!

Uns, um pouco mais, outros, um pouco menos,
mas todos trazem na bagagem da vida um dom
que pode  transformar em felicidade o ato de trabalhar.

Alias, trabalhar não significa sacrifício,
muito pelo contrário, trabalhar é a terapia da alma,
é o bem estar do corpo que precisa de uma atividade
que una prazer com movimento
e a certeza de que somos úteis.

Observe-se! Com os olhos do coração,
veja que pessoa linda está ai, escondida,
esperando para ser feliz.

Deixe de lado as mágoas, esqueça as faltas, os erros do passado.
Saiba que o sol saiu e não escolheu ninguém,
banhou a todos por igual,
só aqueles que se esconderam não o viram.

É hora de sair e ver o sol que brilha por você.


BRILHE VOCÊ TAMBÉM!

Discordamos, pois, do Coélet – eu e Paulo Roberto Gaefke. Trabalho não é castigo: pode e deve ser fonte de satisfação, alegria.

Quanto ao segundo ponto sugiro a seguinte reflexão: Pense no tamanho físico, na dimensão, de nosso planeta Terra em comparação com a dimensão do Sistema Solar e com a Via Láctea; pense no tamanho deste nosso pedacinho de céu em comparação com o do Universo até hoje já ‘descoberto’ pelos nossos cientistas; tente pensar nas nossas dimensões físicas (dos seres humanos) em relação a este MUNDÃO. Não, não se sinta perplexo! Agora lembre-se de que estas coisinhas minúsculas, quase nada, muito menos que poeira, têm a capacidade de cogitar sobre tudo e isto e, muito mais: aventar a possibilidade de serem eternas. “…não nos deixa compreender completamente o que ele faz– isto é apenas um pequeno detalhe. Continuemos investigando e, quiçá, em bilhões de anos futuros começaremos a ter alguma compreensão.

Falemos, por fim, sobre o terceiro ponto. Não me contenho em colocar, aqui, um ensinamento da Kabbalah:

Os Cabalistas afirmam que o propósito da Criação é trazer alegria e prazer aos seres criados. A vontade de obter prazer (o vaso ou alma) recebe prazer de acordo com a intensidade de seu desejo.

(Conceitos Básicos de Cabala {em PDF, disponível na Internet}, Capítulo 2 –  O Propósito da Cabala)

Portanto, deleitar-se no trabalho – como já vimos acima-, gozar os frutos de seu labor, como sugere o Pregador, usufruir de todos os bens que o Criador colocou a nossa disposição no Universo, é propósito supremo de nossas existências materiais (Oi, isto é só o comecinho – cuidado! A nossa vida pode não ser só material). Concordamos com Eclesiastes: Isso é um presente de Deus!

ESPERAMOS CONTINUAR