Eclesiastes 4:1 Então olhei de novo para toda a injustiça que existe neste mundo. Vi muitos sendo explorados e maltratados. Eles choravam, mas ninguém os ajudava. Ninguém os ajudava porque os seus perseguidores tinham o poder do seu lado.

ROHDEN:

Deus do céu! Como andava eu falsificado!…

Quão adulterado em mim mesmo…

Como andava soterrado,

Pelo ilusório ego humano,

O meu autêntico Eu divino!…

E sobre a base desse pseudo-eu humano

Corria a minha vida diária:

Vida de ódios e rancores,

Vida de cobiças e egoísmos,

Vida de orgulhos e luxúrias…

Ao redor de mim havia amigos e inimigos,

Criaturas simpáticas e antipáticas,

Seres dignos do meu amor e do meu ódio,

Tamanha era a falsificação da minha vida.

Veio então o sofrimento redentor…

O grande purificador de todas as impurezas…

O grande retificador de todas as tortuosidades…

O grande demolidor de todos os ídolos…

O grande simplificador de todas as complexidades…

E, após demolidas as muralhas do pseudo-eu,

Pela violência desse terremoto,

Pela veemência desse incêndio,

Pela crueldade dessa tormenta,

Pela sangrenta benevolência da dor,

Eis que ficou de pé tão-somente

O meu genuíno e autêntico Eu divino,

O meu eterno e puríssimo Cristo!…

Disseram-me então que eu ia  morrer,

Que me sobravam poucos dias de vida terrestre.

Mas eu nada compreendi dessa linguagem profana,

Envolto na minha grande sacralidade,

Porque abolira a morte compulsória de fora

Pela morte voluntária de dentro…

Antes de ser morto

Eu morrera…

E esse glorioso morrer espontâneo

Me libertou do inglório morrer compulsório,

Libertou-me do que esse morrer tem de amargo e lúgubre.

Agora sou todo luz e leveza,

Como um raio solar,

Como um sopro de Deus…

E após essa morte e ressurreição de dentro,

Sinto-me seguro e invulnerável.

Nada mais me pode derrotar,

Nada mais me pode fazer infeliz.

Sinto-me definitivamente remido

De todas as velhas irredenções

Engendradas pelo ego falaz.

Ingressei no reino dos céus,

Nasci para a vida eterna…

Aleluia!…

Hosana!…

(PORQUE SOFREMOS – ROHDEN, Huberto, 11ª edição, 1993, Martin Claret Editores, São Paulo)