Gustavo de Paula Teixeira (1881 – 1937) é poeta nascido em São Pedro (SP). Obtive no Site

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sao_paulo/gustavo_teixeira.html#topo

este belo poema. Apreciem.

 

O ARANHOL[i]

Entre bromélias, junto à quérula[ii] torrente
Que do plaino em que habito um longo tracto[iii] banha,
Num contínuo labor, uma operosa aranha
Fia o rico enxoval de noiva, sutilmente.

O tecido brumal, que nunca se emaranha,
É feito de um só fio, um tênue fio albente[iv],
Que vai, de volta em volta, ininterruptamente,
Tramando o brocatel de contextura estranha…

 

Quando o sol se levanta enviando olhares d´oito
E a aranha, distendendo a fibra, no tesoiro
Da renda leve embala as ilusões raiosas,

Na teia, que, filtrando orvalho, oscila e pende,
A luz, que se refrange em cada gota, acende
Uma aurora boreal de pedras preciosas!


[i] (Aurélio): Lugar onde há teias de aranha, onde as aranhas se recolhem; aranheiro.

[ii] (Aurélio): Queixoso, lamentoso, plangente:

[iii] (Aurélio): Espaço de terreno; região.

[iv] (Aurélio): V. alvejante (2).

 

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