Acabei de ler o livro “UM NOVO MUNDO – O Despertar de uma nova consciência”, de Eckhart Tolle. Ontem estava escolhendo alguns trechos para deixar arquivado no computador e, veja só o que encontrei. . . Este autor, de uma linha espiritual bem diferente da de Michael Laitman, registra em seu livro um pensamente absolutamente concorde com o que aquele Senhor expressou no artigo “A FRONTEIRA FINAL”, que postei no último dia 9. É uma nova abordagem, muito interessante. APRECIEM!

ESPIRITUALIDADE E RELIGIÃO

. . . (último parágrafo)

Mas o ego está destinado a se dissolver, e todas as suas estruturas rígidas – sejam elas instituições religiosas, corporações, governos ou entidades de outro tipo – irão se desintegrar de dentro para fora, mesmo que pareçam estar profundamente protegidas. As estruturas mais inflexíveis, as mais impermeáveis à mudança, serão as primeiras a desmoronar. Isso já aconteceu no caso do comunismo soviético. Por mais resguardado, por mais sólido e monolítico que se mostrasse, em poucos anos esse sistema se decompôs de dentro para fora. Ninguém tinha previsto esse fato. Todos foram surpreendidos. E há muito mais surpresas aguardando por nós.

A URGÊNCIA DA TRANSFORMAÇÃO

Quando se vê diante de uma crise radical, quando seu antigo estilo de existir no mundo – de interagir com os outros e com o reino da natureza – não funciona mais, quando sua sobrevivência é ameaçada por problemas aparentemente incontornáveis, uma forma de vida individual, bem como uma espécie, morrerá ou ultrapassará as limitações de sua condição por meio de um salto evolutivo.

Acredita-se que as formas de vida no nosso planeta tenham se originado no mar. Quando ainda não havia nenhum animal sobre a terra firme, o mar já estava cheio de vida. Então, a certa altura, uma das criaturas marinhas deve ter começado a se aventurar pelo solo. Talvez ela tenha se arrastado por alguns centímetros. Depois, exausta por causa da enorme força gravitacional do planeta, pode ter voltado à água, onde a gravidade é quase inexistente, pois ali conseguiria viver com muito mais facilidade. Mais tarde, ela tentaria de novo, de novo e de novo. Muito tempo depois, esse ser se adaptaria à vida na terra, desenvolvendo pés em vez de nadadeiras e pulmões em lugar de guelras. Parece improvável que uma espécie se expusesse a um ambiente tão estranho e sofresse uma transformação evolucionária, a não ser que fosse compelida a fazer isso por uma situação externa. Talvez uma grande área de mar tenha passado a receber um volume cada vez menor de água do oceano principal, o que, ao longo de milhares de anos, poderia forçar os peixes a deixar seu habitat e evoluir.

Responder a uma crise radical que ameace nossa própria sobrevivência – esse é o desafio que se apresenta à humanidade neste momento. O distúrbio da mente humana egóica, identificado há mais de 2.500 anos pela antiga sabedoria dos mestres e agora ampliado pela ciência e a tecnologia, é pela primeira vez algo ameaçador à sobrevivência do planeta. Até pouco tempo atrás, a transformação da consciência humana – também apontada por sábios do passado – era não mais do que uma possibilidade, compreendida por alguns raros indivíduos, independentemente de sua formação cultural e orientação religiosa. Um florescimento disseminado da consciência da nossa espécie não aconteceu porque até então isso não era imperativo.

Uma parte significativa da população do planeta logo entenderá, se é que isso já não aconteceu, que nossa espécie está diante de uma escolha radical: evoluir ou morrer. Uma porcentagem ainda relativamente pequena da humanidade – mas que cresce com rapidez – já está vivenciando o rompimento com os antigos padrões mentais egóicos e a emergência de uma nova dimensão de consciência.

O que está surgindo agora não é um sistema inédito de crenças, não é uma religião diferente, não é uma ideologia espiritual nem uma mitologia. Estamos chegando ao fim não só das mitologias como também das ideologias e dos sistemas de crenças. A mudança é mais profunda do que o conteúdo da nossa mente e do que nossos pensamentos. Na verdade, na essência da nova consciência está a transcendência do pensamento, a recém-descoberta capacidade de nos elevarmos ao pensamento, de compreendermos uma dimensão dentro de nós que é infinitamente mais vasto do que ele. Já não extraímos nossa identidade, o sentimento de quem somos, do fluxo incessante do pensamento, que, na antiga consciência, considerávamos ser nós mesmos. E, para um indivíduo é uma libertação saber que ele não é aquela “voz dentro da cabeça”. Quem ele é então? É aquele que compreende isso. A consciência que é anterior ao pensamento, ao espaço em que este – ou a emoção, ou a percepção sensorial – acontece.

O ego não é mais do que isto: identificação com a forma, o que basicamente corresponde a formas de pensamento. Se o mal tem alguma realidade (e ela é uma realidade relativa, e não absoluta), esta também é uma definição dele: identificação com a forma – formas físicas, formas de pensamento, formas emocionais. Isso resulta de uma total falta de consciência da nossa ligação com o todo, da nossa unidade intrínseca com todos os “outros” e com a Origem. Esse esquecimento é o pecado original, o sofrimento, a ilusão. Quando essa ilusão da completa separação governa tudo o que  pensamos e fazemos, que tipo de mundo criamos? Para responder a essa pergunta, observa como as pessoas se relacionam entre si, leia um livro de história ou veja o noticiaria na televisão hoje à noite.

Se as estruturas da mente humana permanecerem imutáveis, vamos sempre terminar recriando fundamentalmente o mesmo mundo, os mesmos males, o mesmo distúrbio.

UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

Há uma profecia bíblica que parece mais aplicável agora do que em qualquer outra época da história humana. Ela aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento e fala do colapso da ordem mundial existente e do surgimento da “um novo Céu e uma nova Terra[i]”. Precisamos entender que o Céu mencionado nesse contexto não é um local, e sim o reino interior da consciência. Esse é o significado esotérico do mundo, e esse é também o significado dos ensinamentos de Jesus. A Terra, por outro lado, é a manifestação externa da forma, que é sempre um reflexo do interior. A consciência humana coletiva e a vida do nosso planeta estão intrinsecamente interligados. “Um novo Céu” é o surgimento de um estado transformado da consciência humana, enquanto “uma nova Terra” é o reflexo do reino físico. A vida humana e a consciência humana estão ligadas de modo inerente à vida no planeta. Por isso, à medida que a consciência antiga se dissolve, tendem a ocorrer manifestações naturais de sincronismos geográficos e climáticos em muitas partes do globo, algumas das quais temos testemunhado.

TOLLE, Eckhart; UM NOVO MUNDO – O Despertar de uma nova consciência; copyright 2005; tradução Henrique Monteiro – copyright  tradução 2007;Cap. 1 – O Desabrochar da Consciência Humana, pg.s 24 a 27; GMT Editores Ltda., Botafogo, Rio de Janeiro – RJ.

 


[i] Apocalipse 21:1 e Isaias 65:17