TIRANIA DO PODER

Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Lembrando:

A Bíblia de Jerusalém dá ao capítulo 4º do livro de Eclesiastes o subtítulo “A Vida em Sociedade” e o estende até o versículo 8º do capítulo 5º, dividindo-o assim: versos 4:1-12 – Opressão pelo abuso de poder e desamparo do homem isolado; versos 4:13-16 – Maquinações políticas; versos 4:17 até 5:6 – Religiosidade motivada pelo espírito de massa e abuso na prática de fazer promessas; versos 5:7-8 -Tirania do poder. Seguimos esta divisão.

Eclesiastes Cap. 5 (Linguagem de hoje):

8 Se vires em alguma província opressão de pobres e o roubo em lugar do direito e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si outro mais alto que o explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram.

As versões Almeida e da Bíblia de Jerusalém dão um sentido um pouco diferente à segunda parte do verso.

Almeida revista e corrigida, edição 1969:

5:8  Se vires em alguma província opressão de pobres, e a violência em lugar do juízo e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que mais alto é do que os altos para isso atenta; e há mais altos do que eles.

Bíblia de Jerusalém:

5:7 Se vires numa província o pobre oprimido, conculcados[i] o direito e a justiça, não estranhes tal situação: cada autoridade tem um superior e um supremo vigia sobre todas.

Em defesa da versão na Linguagem de Hoje esclareço que ela está de acordo com as versões inglesas ‘New King James Version’  e  ‘An English translation of the LXX’. As versões de Almeida e da Bíblia de Jerusalém – que deixam entender que os ‘opressores’ estão sendo vigiados, julgados e punidos – talvez apenas procurem atender os anseios dos oprimidos de todos os tempos, eu incluso, ou, quem sabe, deram melhor entendimento ao texto original.

O tema já foi expresso pelo Coélet em versos anteriores:

(Ecl.3:16) Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda.

(Ecl. 4:1) Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos.

Veja que o final do verso 4:1 (“sem que ninguém consolasse os oprimidos”) dá mais razão à tradução do verso 5:8 pela ‘linguagem de hoje’.

Feitos estes esclarecimentos, temos de concluir que a recomendação mais importante do Pregador, aqui, é de que, tão somente, não nos admiremos, não nos espantemos, não nos assombremos, se constatarmos a opressão do pobre, o espezinhamento da justiça, o roubo e a violência no seu lugar. Então, falando só de nós brasileiros, não temos muito o que nos espantar ou nos maravilhar: estamos vendo, diuturnamente, estas coisa acontecerem. Mas vamos dar ênfase ao ensino final da ‘linguagem de hoje: ”, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram”. Há! Os mais altos também exploram? Vamos ilustrar:

“O título “Mau Exemplo”, traduz perfeitamente o que a grande maioria da população esclarecida pensa a respeito dos nossos políticos, isto em qualquer esfera (federal, estadual, municipal). Somente aqueles beneficiados com Bolsas ($), que não pagam impostos, não trabalham, cachaça todos os dias, pau na madame, acham tudo uma maravilha. Com raríssimas exceções, as ratazanas que foram eleitas para defender os interesses da coletividade, não passam de um bando de oportunistas legislando unicamente com a finalidade de enriquecer da forma mais vil e cruel, praticando devassa nos cofres públicos, apropriando-se do dinheiro dos nossos impostos, que deveriam ser todos direcionados para o bem estar social, conforme determina a Lei.”

Ei, calma – não fui eu quem o escrevi. Foi o cientista político João Batista (será que o próprio voltou à terra porque não agüentava mais o que aqui acontece?), altíssimo nível intelectual, cultura mais do que vasta. E disse muitas coisas mais – comprovem:

http://joaobatistacientistapolitico.blogspot.com/2011/02/mau-exemplooito-anos-se-passaram-e-as.html

Mas esta corja tem gente mais elevada que eles (ham! ham!)…que também…

“Ao tempo em que a sociedade brasileira estupefata assiste ao escabroso espetáculo de corrupção que já afastou vários membros do alto escalão do governo federal, o Supremo Tribunal Federal patina numa indefinição quanto a aplicabilidade ou não da Lei da Ficha Limpa, que tem como principal desígnio retirar de vez os maus políticos da disputa eleitoral.

É lamentável que o esforço e a mobilização da sociedade brasileira sofram, agora, um revés na direção da reforma política, devido a falta de coragem do Supremo Tribunal Federal, que, ao patinar sobre uma decisão tão importante para o país, frustrou o eleitor e criou uma  insegurança jurídica, prestando um desserviço à democracia e ao aperfeiçoamento do sistema político brasileiro já tão desgastado por inúmeras distorções.

A indefinição do Supremo Tribunal Federal sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano joga ainda mais dúvidas sobre as eleições e complica o quadro político e eleitoral, em razão da ausência de jurisdição sobre o tema, o que é um paradoxo porque a função daquela Corte de Justiça é exatamente dirimir as duvidas quanto a constitucionalidade e aplicabilidade das normas.

… a patinação da Suprema Corte sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa expressa o desrespeito com o ELEITOR BRASILEIRO, aplicando-se a velha e viciada regra do “empurra-se com a barriga para deixar as coisas como estão”.”

Quem o disse foi o advogado Charles Dias. Leiam o artigo inteiro:

http://www.itevaldo.com/?p=5445

Quanto ao sistema judiciário do País, o mais bem pago dos 3 poderes  da Nação, eu tenho ainda que é ávido em acumular privilégios para si próprio, tal qual o Executivo e Legislativo, além de um corporativismo imoderado que propicia o nepotismo e o abuso do poder.

MAS NÃO VAMOS NOS ESPANTAR!!! O Eclesiastes já o previra.

Mas temos que aceitar, concordar com isto? NÃO, DE FORMA ALGUMA. E agora chamo o apóstolo Paulo para nos ajudar:

Romanos 12:2  E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Concordar, aceitar? – JAMAIS!! Mas o que fazer para acabar com este sistema de opressão?

“ …mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Epa! Eu é que tenho que me transformarÉ o que Paulo diz.

No informe que recebo semanalmente da Kabbalah, encontrei um artigo de Michael Laitman com o título “Waking up in a new dimension” (Acordando em uma nova dimensão) que podem ler integralmente em

http://mlist.kbb1.com/files/blog_mihaelya_laitmana_eng_wb.html

Resumindo, diz que a humanidade não entende o grande número de problemas que estão acontecendo. E a dificuldade em entendê-los é derivada tão somente de nosso EGOISMO. Tentamos solucioná-los utilizando os métodos antigos, os quais já não surtem efeito. Estamos enfrentando uma fase em que a única solução é deixarmos de lado o nosso EGOISMO, substituindo-o, segundo entendi, pelo altruísmo – o amor pelo próximo – (os mais versados nesta ciência me ajudem, por favor, se a minha conclusão não está correta). Estaremos, consequentemente, em um nível mais elevado de nosso desenvolvimento espiritual.

Utilizando uma linguagem cristã, diremos que devemos apegar-nos a um viver segundo  “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Ou seja, devemos ser realmente cristãos, propiciando a “segunda volta” do Cristo à terra.

Mas a Kabbalah continua esclarecendo que “É possível que tenhamos muitas revoluções e até mesmo guerras mundiais…” até que este novo mundo venha a acontecer. Vamos entender: não é que tenhamos – nós – que lançar mão de revoluções e guerras para vencermos os problemas atuais – estaríamos lançando mão dos velhos métodos, que não irão funcionar. Estaríamos dando “corda” ao nosso egoísmo. Então a solução é: 1) superar o nosso egoísmo, transformando-o em ALTRUÍSMO; 2) divulgando esta ideia para que todos os homens a acatem. Em linguagem cristã, devemos ‘evangelizar’ o mundo (principalmente com nosso exemplo verdadeiro), para que este mundo se salve (estou distorcendo um pouco, porque o cristianismo atual é extremamente individualista?).

Então Kabbalah e Cristianismo, nesta encruzilhada, dizem a mesma coisa: a solução das dificuldades do Brasil e de todo o mundo começa com a nossa transformação.

Recebi hoje uma historinha “engraçada” sobre dois leões que fugiram do zoológico, tomando caminhos diversos para dificultar sua captura: um correu para a selva e o outro para a cidade. Depois de um mês o primeiro retornou de livre e espontânea vontade – magérrimo. O segundo, passado um ano, quando até já não se falava mais nele, foi finalmente capturado e levado ao zoológico – estava gordo, forte, bem alimentado e com muita saúde. Quando se encontraram os dois amigos, o primeiro indagou: “Eu fugi para o mato, mas como não há mais caça, voltei correndo para não morrer de fome. Você, onde esteve este ano inteiro e como foi localizado?”. Resposta: “Entrei em uma repartição pública e a cada dia me alimentava com um funcionário – ninguém dava falta. Era gente de todos os níveis, diretores, secretárias, supervisores, etc., etc. – ninguém nunca percebeu a falta deles. Mas um dia fiz a besteira de me alimentar com o funcionário que distribuía o cafezinho – pronto: desconfiaram, procuraram e me acharam.” Seria para rir, mas o conceito que se faz desta gente (é, são gente como nós!) é realmente deprimente. Mesmo assim eu achei que seria uma boa levar um destes amigos selvagens para a Câmara dos Deputados, para o Senado… MAS, E DAÍ? Por quem os substituiríamos. No período que antecedeu as eleições do ano passado, recebi mais de uma mensagem, nervosas, exaltadas, expondo que a escolha de pessoas indignas para os cargos públicos decorria do fato de a cultura brasileira basear-se no ‘jeitinho’, no favor, no ‘o que ganho com isto’ etc. Não haveria verdade nisto?

Logo, a cada um cabe lutar pela sua própria correção. Fazendo parte de uma alma comum, como afirma a Kabbalah, esta nossa correção dará uma pequena contribuição para a recuperação de toda alma. Falando como cristão, vamos participar ativamente do corpo de Cristo.

Isto posto, estamos dando apoio à sabedoria do Eclesiastes, segundo a versão “na linguagem de hoje”. Almeida e Bíblia de Jerusalém, ao que parece, deixaram-se influenciar pelo desejo coletivo dos oprimidos, que parece não ser de todo razoável, embora até, ás vezes, compreensível. Mas acho que não fará mal a ninguém se deixarmos dois ensinamentos aos homens públicos que tanto nos têm decepcionado:

1º) Uma afirmação de S.A.R., o Senhor Dom Duarte de Bragança, em sua mensagem de 1º de dezembro de 2010, gravada em vídeo:

“Quem está na política deve ter como primeiro e último objectivo SERVIR A PÁTRIA”

realfamiliaportuguesa.blogspot.com

2º) Pequeno trecho do livro de Êxodos, capítulo 23, fazendo recomendações ao povo judeu, recém liberto do jugo egípcio:

1 Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio, para seres testemunha maldosa.

2  Não seguirás a multidão para fazeres mal; nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito.

3 Nem com o pobre serás parcial na sua demanda.

4  Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás.

5 Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo.

6 Não perverterás o julgamento do teu pobre na sua causa.

7 Da falsa acusação te afastarás; não matarás o inocente e o justo, porque não justificarei o ímpio.

8 Também suborno não aceitarás, porque o suborno cega até o perspicaz e perverte as palavras dos justos.

9 Também não oprimirás o forasteiro; pois vós conheceis o coração do forasteiro, visto que fostes forasteiros na terra do Egito.

ESPERO CONTINUAR


[i](Aurélio) Conculcar: [Do lat. conculcare.] – Verbo transitivo direto: 1.Calcar aos pés; espezinhar;
2.Desprezar, menosprezar; aviltar:

Anúncios