Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

O DINHEIRO

Vamos falar um pouquinho sobre este artifício econômico, criado inicialmente para facilitar o relacionamento humano.

É sabido que antes da sua existência, os agentes produtivos se valiam da troca daquelas mercadorias que lhes sobravam, por aquelas de que tinham necessidade. Depois, algumas mercadorias mais procuradas passaram a ser a base de troca, como o feijão e o sal. Evoluindo um pouquinho, alguns metais passaram a ser a referência para os negócios, tendo caído no gosto geral o OURO.  Os países, para emissão de sua moeda, até recentemente, precisavam possuir uma reserva em OURO.

Hoje já não é assim. Na Wikipédia encontrarão uma interessante história sobre o surgimento e evolução do dinheiro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinheiro.

Mas esta abstração econômica já está cansando. Vejam como se refere a ele o Cabalista Michael Laitman, no seu comentário ESTABLISHING BALANCE BETWEEN COUNTRIES:

A incontrolável impressão  de dinheiro e a tirania financeira tem um limite, e eu acho que este limite está perto.

http://www.laitman.com/2011/03/establishing-balance-between-countries/?utm_source=newsletter&utm_medium=blograveng-ma11&utm_campaign=establishing-balance-between-countries

no qual coloca estas duas ações financeiras no centro da demonstração do egoísmo humano, responsável por muitos dos males que o mundo vive hoje, inclusive as catástrofes naturais – terremotos, tsunamis, etc. – e outros menos naturais como a contaminação radioativa por problemas nas usinas nucleares. LEMBREM-SE: nós e a natureza estamos unidos em um sistema integral.

Muito humildemente eu acredito, já faz algum tempo, que somos escravos do dinheiro. Olhem o que já disse o mestre Jesus, registrado em Mateus 6:

24: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. (versão de Almeida)

Qual a grande preocupação dos pais em relação aos seus filhos: que tenham uma boa formação, para conseguirem um bom emprego, com um salário razoável, para cuidarem de suas famílias (e formada esta, o ciclo se repete). E para que serve o salário razoável: para alimento, educação, saúde e para os gastos com os ‘benefícios’ que a sociedade oferece: a melhor televisão, o carrão mais bonito – para por inveja nos amigos e inimigos -, o casarão mais cobiçado do bairro, o celular de último tipo (que fala, tira foto, faz vídeos, roda na internet etc., etc.). E é óbvio que estes ‘benefícios’ devem ser atualizados constantemente. Mas não se preocupe se você não possui o dinheiro agora para a atualização do seu ‘benefício’, você consegue um empréstimo para pagar em suaves prestações.  Quando terminarem as prestações, o ‘benefício’ já estará desatualizado (são produzidos com esta perspectiva), e aí você faz  um novo empréstimo.

Esta pequena exposição não deixa claro que desde o nascimento nós vivemos em função do dinheiro?

Eu estou saturado disto. Mas não sou só eu. Leiam a história deste amigão:

  1. Um economista britânico que passou os últimos 18 meses vivendo sem dinheiro está lançando um livro em junho contando a sua experiência (“The Moneyless Man”, ou O Homem Sem Dinheiro, em tradução livre) e diz que nunca foi tão feliz ou tão saudável.
  2. Mark Boyle começou seu experimento em novembro de 2008, aos 29 anos, com o objetivo de chamar a atenção para o excesso de consumo e desperdício na sociedade ocidental.
  3. Na ocasião, ele se mudou para um trailer que ganhou de graça no site de trocas britânico Freecycle e passou a trabalhar três dias por semana em uma fazenda local em troca de um lugar para estacionar o trailer e um pedaço de terra para plantio de subsistência.
  4. Dezoito meses depois ele afirma que não pensa em voltar a usar dinheiro e que, com o que ganhar com a venda do livro, pretende comprar um pedaço de terra para montar uma comunidade em que outras pessoas que queiram viver sem dinheiro, como ele, possam morar.
  5. “Foi o ano mais feliz da minha vida”, disse Boyle, 12 meses depois de começar a experiência, “e não vejo nenhum motivo para voltar a um mundo orientado pelo dinheiro”.
  6. “Foi libertador. Há desafios, mas não tenho o estresse de uma conta bancária, contas, engarrafamentos e longas horas em um trabalho do qual que não gosto.”
  7. A parte mais difícil, conta ele, foi manter uma vida social sem dinheiro, mas ainda assim ele classifica o ano como tendo sido “fantástico”.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/05/economista-passa-18-meses-vivendo-sem-dinheiro-e-diz-que-nunca-foi-tao-feliz.html

Mas não são somente os Srs. Boyle, Laitman e até eu, que estão cansados desta escravidão do $dinheiro$. Deem uma olhada no Movimento Zeitgeist:

http://movimentozeitgeist.com.br/

É um movimento internacional de ciência, informação e sustentabilidade. O que pensam sobre o $dinheiro$ ?

O sistema financeiro, hoje, se encontra obsoleto e perpetua valores que não permitem usarmos totalmente nossa capacidade científica e tecnológica. Em outras palavras, é entendido que nossa construção social não permite conhecermos o verdadeiro potencial de ser humano. Por isso, a força motora do Movimento Zeitgeist é a conscientização.

O Movimento Zeitgeist não trata só do dinheiro. Tem uma visão ampla, abrangendo todos os ramos da ciência, que está propondo uma remodelação do “habitat” terrestre de uma maneira mais humana. Dão muita ênfase no uso de recursos tecnológicos e propõe uma economia de Recursos, não monetária. Indicam no início de suas METAS:

Pretendemos restaurar as necessidades fundamentais e a consciência ambiental da espécie através da defesa das ideias mais atuais de quem e o que nós verdadeiramente somos, combinado com a ciência, a natureza e a tecnologia (em vez da religião, política e dinheiro) são a chave para o nosso crescimento pessoal, não só como seres humanos individuais, mas como civilização, tanto estrutural como espiritualmente. A percepção central dessa consciência é o reconhecimento dos elementos emergentes e simbióticos das leis de natureza e de como, com o alinhamento a essa compreensão como base para as nossas instituições sociais e pessoais, a vida na Terra pode e irá florescer em um sistema que crescerá continuamente de forma positiva, onde consequências sociais negativas como estratificação social, guerras, vieses, elitismo e atividades criminosas serão constantemente reduzidos e, idealisticamente, virão a deixar de existir dentro do espectro do próprio comportamento humano.

VALE A PENA CONFERIR.

Conheci este movimento através de um vídeo indicado por meu filho. É preciso disposição para ouvi-lo (2 horas e quarenta minutos, em inglês com legendas em português), mas não será, certamente, desperdício de tempo. Traça um perfil da sociedade moderna comandada pelo dinheiro (o egoísmo pregado pelo Sr. Laitman fica evidente):

http://www.youtube.com/watch?v=4Z9WVZddH9w

MAS É BOM TAMBÉM OUVIR O OUTRO LADO. Encontrei guardado em meu note-book um artigo muito interessante escrito por Paul William Roberts e Syd Kessler, sob o título DINHEIRO: SERÁ QUE REALMENTE CONFIAMOS EM DEUS? Ambos os autores são pessoas muito interessantes, o que poderão confirmar na Internet – o primeiro é escritor por profissão e se interessa pelos assuntos do Oriente Médio; o segundo chegou ao topo do ramo publicitário nos EUA e Canadá e também já publicou um livro. Os trechos do artigo que escreveram em conjunto aqui inseridos pode ser encontrado na sua íntegra no seguinte endereço: http://www.ecosust.org.br/textos/dinheiro.html

Vamos lá:

A idéia de que o dinheiro é mal ou impuro tem suas raízes no profundo desrespeito a ele – e é esse mesmo desrespeito que, ironicamente, pode levar a sua efetiva impureza e ao seu uso para propósitos malignos. Uma coisa não pode ser inerentemente boa ou má; é o uso que fazemos dela que pode associá-la a ações justas ou injustas. O dinheiro real – e com isto quero me referir ao dinheiro não corrompido – merece nosso respeito, por várias razões espirituais, além das diversas razões materiais.

Na verdade o dinheiro é uma forma poderosa de energia e, assim como a eletricidade ou a energia nuclear, é capaz de causar danos terríveis, assim como pode trazer benefícios. O mesmo dinheiro que alimentará uma aldeia africana por uma semana, também poderá ser usado para comprar explosivos suficientes para mutilar, deformar ou matar um número igual de pessoas. Este é um poder realmente impressionante. E um poder assim sempre vem com regras. Nenhum adulto em estado de perfeita sanidade quebraria de forma consciente as leis para o uso da eletricidade – alguém ou alguma coisa poder sofrer um dano. Embora as regras fundamentais para o uso da eletricidade sejam amplamente conhecidas e respeitadas por todos, as que se referem ao uso do dinheiro não são.

Mais um trechinho:

Sabemos que, como disse o filósofo espanhol Ibn Zabara, a própria vida é a causa da morte. Mas qual é a causa do dinheiro? “A resposta”, escreve o Rabino Bonder, “‘é que ele não foi criado para ser uma forma de opressão ou um instrumento de ganância; mas, ao contrário, o dinheiro – surpreendentemente – surge de um desejo humano por justiça e pela esperança de um mundo melhor”. Como tal, ele atua como um espelho que reflete as atitudes humanas com relação a ele nas diversas e variadas formas que ele tomou ao longo dos séculos e continua tomando.

Assim, fica claro, acredito, que o mal não está no dinheiro, mas em nós. De qualquer forma, se pudermos encontrar uma fórmula de nos livrarmos dele para o bem de todos e felicidade geral da humanidade…

ESPERO CONTINUAR.