No email que recebi hoje do Laitman.com impressionou-me o artigo” Egypt Flowing With Milk And Honey (Kabbalah and the meaning of life – Michael Laitman’s  personal blog). Aborda a comemoração da Páscoa, partindo, obviamente, da visão judaica. Venho de uma tradição cristã, como sabem, e meus parentes e maioria de amigos também, de forma que, como eu, também não viram antes um enfoque como o  deste culto cabalista.

Sempre me impressiona a objetividade do Sr. Laitman, com conselhos para serem usados no dia a dia, e a urgência da ação requerida. Esta urgência fica mais acentuada neste texto pela proximidade da comemoração a que se refere. De sorte que a tradução feita por mim pode estar requerendo muitos ajustes, mas estes refinamentos demandariam um tempo do qual não disponho. De qualquer forma, as correções serão bem vindas.

As pessoas vêem a Páscoa como a festa do êxodo histórico do Egito.

– “Costumávamos ser escravos e construímos várias cidades e pirâmides para Faraó  e depois saímos para a liberdade.

Entretanto, em realidade não estamos celebrando uma data no calendário histórico. Afinal, hoje a situação é muito pior do que naquela época. É suficiente comparar a situação de Israel no Antigo Egito com a situação atual para você correr de volta e beijar as mãos do Faraó, rogando-lhe para permitir a sua volta.

Os judeus viviam na terra de Gósen, que era a parte mais favorável do Egito com um dos solos mais férteis e com abundantes rebanhos. Você podia fazer o que quisesse, porque o Faraó não apenas ditava as regras por lá, mas também o protegia. Ninguém podia tocar um fio de cabelo em sua cabeça, suas vasilhas estavam cheias de carne, as redes cheias de peixes, e seus celeiros estavam abarrotados de produtos. Você é um escravo só porque tem que ouvir o Faraó. Isto significa: Atuar pelas ordens de seu egoísmo , e nada mais que isso.

Os judeus tinham uma vida maravilhosa, por isso não foi por acaso que se queixaram a Moisés no deserto:

-“Onde estão as carnes e peixes, onde está a cebola e o alho que comiamos no Egito? Nossa vida era boa, e onde você nos trouxe agora? “

Então o que nós comemoramos neste feriado? Estávamos cercados por inimigos, naquela época, da forma que estamos hoje? Pelo contrário, tínhamos todos os favores à nossa disposição e o poder de Faraó nos protegia de nossos inimigos. Em seu país ele permitiu e vivemos do jeito que queríamos, até mesmo em território separado e por nossas próprias leis. Então, o que era tão ruim, comparado com a situação atual?

Como Baal HaSulam escreve, se os judeus hoje pudessem se dispersar por todos os países da Diáspora, então quase ninguém ficaria em Israel. Temos de compreender: O Egito se torna uma masmorra apenas quando você começa a pensar sobre o exílio espiritual, quando lhe falta o Criador . Se não fosse a necessidade de uma redenção espiritual, o Egito, por si só, é uma terra que mana leite e mel. Aqui você tem tudo, exceto o Criador, exceto a  resposta à pergunta sobre o sentido da vida . Você tem tudo em abundância. Você está vivendo a vida de um rei e lhe falta apenas uma coisa: “Quero doação e amor ao próximo.”

Quando você deseja exatamente isto, então o Egito vai parecer o exílio para você. Esta é a única coisa que falta aqui – amor ao próximo. Assim, verifica-se que nós celebramos a Páscoa para comemorar a boa vida no Egito e não a redenção, que ninguém realmente precisa. Afinal, sair do Egito significa jogar fora tudo o que temos, com exceção do amor .

Nós sentimos que estamos no exílio? Pelo contrário, as pessoas não entendem o que isto significa. Mas o amor ao próximo tem que se tornar nosso único desejo. Pedido de  Moisés ao Faraó:

-“Deixe ir o meu povo! Eu quero sair!

E a isto o Faraó responde:

“Que falta você, Moisés? Você cresceu em meus braços. Mantenha-se como um príncipe egípcio. Seja um príncipe! Por que você está fazendo uma revolução aqui? Por uma questão de amor ao próximo? Você enlouqueceu! “

Apenas no final do caminho o Egito se tornar uma terra de exílio para nós. Mas enquanto isso não acontece, estamos saciado com tudo, com exceção da  outorga .

Acontece que nós celebramos este feriado para comemorar o fato de que outrora houve a falta de amor ao próximo. Se apenas fosse possível realmente explicar isso para as pessoas e mostrar-lhes a verdadeira situação de hoje!  Hoje estamos dispostos a renunciar a tudo em nossas vidas ricas por causa do amor pelo Criador, para com o vizinho, para com os amigos, em prol da doação e mútua empatia mútua? Será que estamos perto disso? Nós merecemos celebrar o feriado da redenção?

Isto é falar de liberdade do egoísmo, quando o egoísmo tem tudo, mas eu quero fugir disso. Eu odeio essa abundância, e eu não desejo isso. Eu não preciso me encher de comida, nem de segurança, nem de conforto, nem de saúde, nada. Estou pronto para me afogar nas águas do Mar Vermelho ou a morrer de sede no deserto, qualquer coisa para me desobrigar do egoísmo?

Realmente queremos sair para a liberdade? 

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