Assisti a um filme na TV que, a princípio, eu não queria ver. Parecia um filme ruim e chato.  Nem me lembro do nome!

O ator principal fazia um papel de bobão. Um milionário mal resolvido e meio panacão. Ele queria passar um natal com uma família, porque nunca tinha tido essa oportunidade na infância. Então ele pagou pra uma família pra passar o natal com eles.

Conclusão: a família estava à beira de um colapso. O casal ia se separar. O filho mal conversava com os pais. E outras coisas mais. Pra resumir, vou direto ao que me marcou:

O marido acabou saindo de casa. Foi para um hotel. No final do filme, ele se arrependeu. Voltou e, em uma das cenas finais, foi atrás de sua esposa em um teatro. Sentou-se ao lado dela, e o diálogo foi simples e mais ou menos assim:

     ELE – Eu não quero sair de casa! Eu não tenho pra onde ir!

     ELA – Então por que você vai sair?

     ELE – Me perdoa? Eu quero ficar!

     ELA – Então fica!

Riram um pro outro, e ela colocou a mão sobre sua perna, abrindo os dedos para um gostoso aperto de enamorados!

A princípio achei simples e mágico demais. Pensei comigo: “Só mesmo em filme. Na vida real não é assim.”

E o pior de tudo é que não é mesmo! Na vida real queremos um sem número de explicações. Tanto as mulheres, quanto os homens. Queremos humilhações e retratações. Queremos confissões. Queremos compromissos. E, infelizmente, queremos condições, muitas condições!

Lendo a Bíblia, percebi as diferenças da gente com Jesus!

Nós, na realidade, exigimos explicações.  A exigência de explicações é uma forma de dominação! Fazendo o outro se explicar indefinidamente, mantemos uma posição de domínio, de quem pode exigir e manter o controle. É mais ou menos o que o diabo gosta, e também os ambientes dominados pela religiosidade.

Jesus não era assim! Ele não exigia explicações, nem retratações:

À mulher adúltera, ele disse as simples palavras: “Nem eu tão pouco te condeno! Vai, e não peques mais” (Jo 8.11);

À prostituta que lavou seus pés, ele exclamou: “Perdoados são os teus pecados. A tua fé te salvou; vai-te em paz” (Lc 7.48,50);

A Zaqueu, o publicano desonesto, ele publicou: “Hoje houve salvação nesta casa” (Lc 19.9);

E a um dos malfeitores que dividiu o Gólgota com ele, anunciou: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Sabe o que é comum nestes casos todos (e em tantos outros registrados)?

A ausência completa de explicações! Perdão e restauração sendo oferecidos sem qualquer exigência de explicações! Simples, e cirurgicamente profundo!

Fantástico isso, não? Igualzinho ao filme! Não é que o roteirista e o diretor conseguiram captar o que tantos cristãos e tantas igrejas não conseguem… É a arte imitando a vida! Mas a vida de Jesus, e não a nossa!

Que Deus nos dê, a você e a mim, a graça de mudarmos e nos tornarmos como nosso Mestre, parando de exigir explicações! Que nos contentemos em ouvir, ou quem sabe apenas em ver, um simples arrependimento. E possamos ser econômicos, mas profundos, em nossas palavras de aceitação e reconstrução!

Rogelio Fonseca

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