Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

O DINHEIRO

É penoso perder dinheiro:

Ecl 5, 12-16:

 Bíblia de Jerusalém

(12) Há um mal doloroso que observei debaixo do sol: riquezas guardadas que prejudicam ao dono.

(13) Num mau negócio ele perde suas riquezas, e o filho que lhe nasceu fica com as mãos vazias.

(14) Como saiu do ventre de sua mãe, nu voltará, assim como veio, sem levar consigo nada do trabalho de suas mãos.

(15) Também isso é um mal doloroso: como veio, assim terá que ir embora. Que proveito então tirou de tanto trabalho? – Vento.

(16) Todos os seus dias são consumidos nas trevas, em muitos desgostos, enfermidades e rancores.

Riquezas acumuladas que prejudicam aqueles que as possuem:

Interessante lembrar o primeiro dos versos com a Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

5.13   Eu tenho visto neste mundo esta coisa triste: algumas pessoas economizam dinheiro e sofrem com isso.

Assim posto o problema fica mais objetivo: pessoas que sofrem quando economizam dinheiro.

Já falamos, em mais de um momento, sobre as dores causadas pela obsessão da riqueza, mas o assunto é inesgotável e podemos trazer mais alguns comentários.

Sobre riquezas guardadas damos a palavra à Igreja Católica Apostólica Romana:

RIQUEZA E POBREZA NO ENSINO SOCIAL DA IGREJA

 1.1. Sobre a riqueza

Os bens terrenos, as riquezas são coisas boas; a riqueza guardada, por si só é iníqua (Clemente de Alexandria). A riqueza acumulada e as fortunas dos ricos em geral são frutos de alguma injustiça: avareza, exploração do trabalho alheio, abuso no comércio ou corrupção da justiça. Para Basílio, “o pão que guardas em tua despensa pertence ao faminto; o sapato que apodrece em tuas gavetas pertence ao descalço; ao miserável pertence a prata que ocultas”.  

http:/A riqueza concentrada nas mãos de poucos é injusta por ser apropriação indébita do que é comum a todos. O direito de possuir está vinculado ao dever de dar aos pobres para restabelecer a igualdade primitiva (Gregório de Nazianzo). E distribuir aos pobres é restituir (Basílio e Ambrósio de Milão).

http://pensocris.vilabol.uol.com.br/riquezapobreza.htm

E para exemplificar a incongruência de quem se dedica doentiamente à guarda de dinheiro, reproduzo informações atribuídas a John Scrooge e publicadas no Site FÁBULAS E CONTOS,:

1-Pedir para o amigo dois reais e dar gorjeta ou esmola, fazendo vênia com chapéu alheio;

2-Ir religiosamente todo dia ao banco e, naquele altar, verificar o saldo de sua conta corrente;

3-Pagar com cheque de cinco reais somente para protelar um determinado pagamento;

4-No restaurante, dizer que não está com fome somente para não por a mão no bolso;

5-Pedir para o cobrador de ônibus deixar passar dois na catraca;

6-Fazer uma volta quilométrica em estrada de chão, esburacada, somente para não pagar pedágio;

7-Pedir dinheiro emprestado para aplicar na Bolsa de Valores, levar um tombo e depois, com cara-de-pau, não ter como pagar o prejú;

8-Abrir o tubo de pasta de dente pra aproveitar o que sobrou;

9-Guardar sobra de sabonete para depois fazer uma bola só;

10-Usar uma cueca ou bermuda dias a fio somente para não gastar sabão, e guardar as novas;

11-Na hora do rango, brigar com a patroa por causa da mistura;

12-Deixar crescer a barba e o cabelo somente para não gastar com barbeiro ou lâmina de barbear;

13-Dar presente de 1,99 pra filha(o).

rsrsrs

http://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=83

Mas não vamos ficar só com o pessimismo. Eis uma riqueza guardada que é valorosa:

Amizade verdadeira é semelhante a riquezas guardadas em um cofre de um bem fortificado banco: Não é preciso vê-la todos os dias para termos certeza que a possuímos, mas estamos cientes que se precisarmos sabemos exatamente aonde encontrá-la”

(Desculpem: não sei quem é o autor deste pensamento)

E outro exemplo que vale a pena

Toda riqueza guardada nessa vida!

Jorge Bem Amado

Eu tenho um tesouro, “por força deste destino” fui arrastado para bem longe dele, “a long time ago, in a galaxy far, far, way”.

Desculpas, sei que não foi fácil, mas tive que aprender a lutar de espada e escudo.

Esse tesouro foi sempre minha armadura, meu coração e meu destino.

E agora, “longe, tantas léguas” olho pro passado e vejo que tesouro é composto de amor, carinho, felicidade.

O meu está guardado em Recife e estou louco para voltar a ficar perto dele.

É a minha família.

http://istoefado.blogspot.com/2011/05/toda-riqueza-guardada-nessa-vida.html

Riquezas perdidas – os filhos são prejudicados:

Assim como o dia sucede a noite e esta àquele, eu seu que irei morrer porque estou vivo. Assim também, quem tem bens, riquezas, sabe – ou deveria saber -que está sujeito a perdê-las. Quando se tem uns ‘minguazinhos’ e vai-se ao Banco para “aplicá-los” e pede-se ao gerente o investimento com o melhor retorno, invariavelmente  é feita a advertência: “Esta é a melhor, mas não se pode ter data para resgatá-la e, ocorrendo perdas, deve-se ficar frio e aguardar o momento em que venha a se recuperar.”

Quem já viveu algumas décadas conhece certamente histórias de grandes fortunas perdidas, pelas mais variadas razões: um cataclismo, concorrência (desleal ou mais eficiente), mudança de hábitos da população, má gerências dos negócios etc.

De sorte que, perder riquezas é coisa fácil – basta tê-las. E enquanto não as perde, fique preocupado para tentar postergar o seu “bye-bye” ou minimizar seus danos.

A consequência apontada: “e assim não deixam nada para os filhos”. Já disse que em determinado período de minha longa e maravilhosa existência acreditava que para os judeus, a eternidade se concretizava na descendência – isto tendo em conta o cuidado que tinham com a prole. Eu também, quando já branqueavam os cabelos, pensando no que conseguira profissionalmente, sempre tinha em mente o que deixar para apoio dos filhos. E vejo que isto também aconteceu e acontece com meus amigos. Considerando que os filhotes do ‘animal’ homem é o mais dependente de todos os seus ancestrais, chego a conclusão que está no DNA da humanidade este cuidado extra com os rebentos.

Não que haja obrigação de deixar-lhes riquezas – depois de criados, se almejarem a fortuna, que corram atrás dela. Seria suficiente apenas transmitir-lhes a educação, os conhecimentos que a si mesmo foram conferidos. Mas, de qualquer forma, se conseguiu na sua labuta acumular alguma coisa – e não tinha pretensão de levá-las consigo para o túmulo – será frustrante não ver os meninos e meninas (não importa a idade) usufruí-la.

Debalde o esforço para adquirir riquezas – nossa última viagem o será de mãos vazias.

Lembremos o ensino de Jó:

Jó 1:21   Aí disse assim: — Nasci nu, sem nada, e sem nada vou morrer. O SENHOR deu, o SENHOR tirou; louvado seja o seu nome! (Linguagem de Hoje)

Considerando a sabedoria da Criação, considerando a possibilidade de nossa transferência para um mundo espiritual, a nossa ida para esta nova existência – inevitavelmente de mãos fazias dos bens terrenos – deixa claro que lá estes não têm o mínimo valor.

Para os nossos amigos que se dizem materialistas não há o mínimo problema, pois realmente não esperam nada após o fenecer de seu corpo físico. Mas não é assim com a maioria da população do planeta que acredita e ou espera em uma vida após perderem esta “casca” de matéria. Só para exemplificar, veja o que ensina a Cabala:

A Cabala ensina que o mundo, e nós, seus habitantes, fomos criados apenas para cumprir as leis que têm por objetivo elevar espiritualmente a humanidade acima de nosso mundo material. Desta maneira, podemos atingir a similaridade e a unidade com o Criador.

CONCEITOS BÁSICOS DE CABALA – PDF, pg. 22

 

E, visto que a maioria da população brasileira se diz cristã, completamos com um esclarecedor texto das escrituras:

Salmo 49 (linguagem de hoje)

7-  Mas ninguém pode salvar a si mesmo, nem pagar a Deus o preço da sua vida,

8-  pois não há dinheiro que pague a vida de alguém. Por mais dinheiro que uma pessoa tenha,

9- isso não garante que ela nunca vá morrer, que ela vá viver para sempre.

10- Todo mundo vê que até os sábios morrem, e morrem também os tolos e os ignorantes. E todos deixam as suas riquezas para os outros.

11- As suas sepulturas são os seus lares perpétuos, onde eles ficam para sempre, ainda que tenham possuído muitas terras.

12- O ser humano, por mais importante que seja, não pode escapar da morte; como os animais morrem, ele também morre.

13- Reparem no que acontece com os que confiam em si mesmos; vejam o fim daqueles que estão satisfeitos com as suas riquezas.

14- O pastor deles — a morte — os leva, e eles são condenados a morrer como se fossem ovelhas. De manhã, as pessoas corretas os vencerão; os corpos deles apodrecerão na sepultura, longe dos seus lares.

15- Porém Deus me livrará do poder da morte, pois ele me receberá.

16- Não se preocupem quando alguém fica rico, e a sua riqueza aumenta cada vez mais.

17- Pois, quando morrer, ele não poderá levar nada; a sua riqueza não irá com ele para a sepultura.

ESPERO CONTINUAR

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