Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

Por conseguinte, os gastos dependem dos recursos

Ou

SOLIDARIEDADE, O CAMINHO DA HUMANIZAÇÃO

Bíblia de Jerusalém

Eclesiastes 5, 17:19:

 (17) Esta é a minha conclusão: o bom e o que vale é comer e beber e experimentar a felicidade em toda ação que se faz debaixo do sol durante os dias da vida que Deus lhe concede. Pois esta é a sua porção.

(18) Se a um homem Deus concede bens e riquezas e a capacidade de sustentar-se, de realizar a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isto sim é que é um dom de Deus.

(19) Não pensará muito nos anos de sua vida, se Deus lhe concede a alegria do coração.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

 5.18   Então cheguei a esta conclusão: a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a curta vida que Deus lhe deu é comer e beber e aproveitar bem o que ganhou com o seu trabalho. Essa é a parte que cabe a cada um.
5.19   Se Deus der a você riquezas e propriedades e deixar que as aproveite, fique contente com o que recebeu e com o seu trabalho. Isso é um presente de Deus.

 5.20   E você não sentirá o tempo passar, pois Deus encherá o seu coração de alegria.

 

Entendo que o Nazareno estaria apoiando esta ilação do Pregador quando ensinou:

Mateus 6:

25 — Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas?

26 Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos?

27  E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso.

28 E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas.

29 Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores.

30 É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena!

31 Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?”

Isto me parece o “Paraíso”, coisa quase inacreditável. Mas, revendo os rudimentos da Cabala, lá igualmente encontrei preceito que esclarece a boa vida sugerida pelo Eclesiastes:

Não existe nada no mundo além do desejo do Criador de dar prazer e o desejo do ser criado de receber este prazer. Tudo está conectado a isto. A criação inteira em todos os seus possíveis estágios de desenvolvimento: inanimado, vegetativo, animado e falante – todos desejam receber uma centelha da Luz, receber prazer.

O Criador trouxe à existência a Criação para que ao receber a Luz experimente prazer infinito, sem limite algum, não de forma egoísta, mas ao invés disso de forma perfeita e absoluta. Se a Luz entra no Vaso e o preenche completamente, este Vaso não pode mais receber porque o desejo está saturado pela Luz, e na falta de um desejo o prazer desaparece também.

UM GUIA À SABEDORIA OCULTA DA CABALA; LAIMAN, Michael; Um guia para iniciantes, pg.s 75, 76.

Porém, destacaria parte do segundo parágrafo que parece trazer uma luz adicional: “O Criador trouxe à existência a Criação para que ao receber a Luz experimente prazer infinito, sem limite algum, não de forma egoísta, mas ao invés disso de forma perfeita e absoluta.” Este “não de forma egoísta” dá um novo sabor à boa vida anunciada sob “as asas do Criador[i]” e obriga trazer à luz mais este preceito:

A Cabala ensina que o mundo, e nós, seus habitantes, fomos criados apenas para cumprir as leis que têm por objetivo elevar espiritualmente a humanidade acima de nosso mundo material. Desta maneira, podemos atingir a similaridade e a unidade com o Criador.

CONCEITOS BÁSICOS DE CABALA  – PDF, pg. 22

O “receber a luz de forma infinita de forma não egoísta” está certamente correlacionado ao “objetivo de elevar espiritualmente a humanidade”.  É o que afirma também a Igreja Católica quando, na Campanha da Fraternidade 2010, esclarece:

 ‘O dinheiro “deve ser usado para servir ao bem comum das pessoas, na partilha e na solidariedade.”’

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=42929

No SERMÃO…XXVIII quando já citei a assertiva acima levantei algumas dúvidas:

Será que “partilha” e “solidariedade” combinam com acumulação de riquezas? Quem acumula riquezas é capaz de ser altruísta? As versões de Almeida e da Linguagem de Hoje, do texto bíblico correspondente ao epigrafado, não deixam este entendimento:

10 Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem a ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer. Isso também é ilusão.

Contudo, temos de acreditar que os corações de pedra serão transformados em corações de carne[ii] e, assim, o compartilhar, a solidariedade se tornarão algo palpável na nossa civilização. É bom lembrar que no passado um povo já praticou, ainda que forma parcial, uma vida com esta qualidade, ou pelo menos recebeu as instruções para praticá-la, conforme nos ensinam as Escrituras:

Êxodo

23.10   — Durante seis anos você semeará as suas terras e colherá o que elas produzirem.

23.11   Porém no sétimo ano deixe que a terra descanse e não colha nada que crescer nela. Mas os pobres poderão comer o que crescer ali, e os animais selvagens comerão o que sobrar. Faça isso também com as suas plantações de uvas e de azeitonas.

Levítico:

19.9   — Quando fizerem a colheita do trigo, não colham as espigas dos pés que ficam na beira do campo, nem voltem atrás para pegar as espigas que não tiverem sido colhidas.

19.10   E não façam uma segunda colheita nas plantações de uvas, para colher os cachos que ficaram, nem voltem atrás para catar os cachos que tiverem caído no chão. Deixem isso para os pobres e para os estrangeiros. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês.

Deuteronômio:

15.1   Moisés disse ao povo: — De sete em sete anos todas as dívidas serão perdoadas.

15.2   Isso será feito assim: quem tiver emprestado dinheiro a outro israelita perdoará a dívida. Ele não exigirá pagamento, pois o SENHOR Deus declara que a dívida foi perdoada.

Deuteronômio:

15.7   — Se houver um israelita pobre em qualquer cidade da terra que o SENHOR, nosso Deus, vai dar a vocês, tenham pena dele e o ajudem.

15.8   Sejam generosos e emprestem todo o dinheiro que ele precisar.

15.9   Se isso acontecer quando estiver perto o sétimo ano, o ano em que as dívidas são perdoadas, talvez você pense em não ajudar o necessitado. Afaste esse mau pensamento e ajude o seu patrício israelita; se não, ele gritará a Deus contra você, e você será culpado de pecado.

15.10   Não dê com tristeza no coração, mas seja generoso com ele; assim o SENHOR, nosso Deus, abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer.

15.11   — Sempre haverá pobres e necessitados no meio do povo, e por isso eu ordeno que vocês sejam generosos com todos eles.

Hoje a gente não costuma ver coisas do tipo acontecendo. Porém, há muitas vozes que lutam para alcançarmos este mundo mais humano:

Comparando os ricos com os pobres, notamos que muitas vezes aqueles que quase nada possuem são menos ansiosos, apesar dos sofrimentos físicos que os afligem. Quanto aos ricos, são poucos os que sabem como utilizar sua riqueza de maneira inteligente -isto é, compartilhando-a com os necessitados, e não em uma vida de luxos -, mas muitos deles não sabem. Estão tão envolvidos com a idéia de conseguir ainda mais riquezas, que não deixam espaço para mais nada em suas vidas. Obcecados, deixam até de sonhar com a felicidade que supostamente as riquezas deveriam lhes trazer. Como resultado, estão sempre angustiados, divididos entre a incerteza sobre o que pode ocorrer e a esperança de ganhar mais, atormentados mental e emocionalmente, embora as aparências façam supor que eles têm uma vida de sucesso e bem-estar absolutos. 

FRASES DO DALAI LAMA

http://www.eurooscar.com/Frases1/frases-do-dalai-lama1.htm

Partilhai a riqueza
porque Deus de todos é Pai
sois benditos,
entrai, no reino da luz
porque eu tive fome,
e vós deste-me de comer
tive sede e vós
deste-me de beber.

http://vitaminac.sdpjleiria.com/?p=228

Os graves desequilíbrios entre riqueza e pobreza existente no Brasil merecem nossas reflexões. Tanto de governantes, quanto da sociedade em geral. Sem dúvida, que de um ponto de vista ético, moral, se faz necessária uma reflexão quanto à responsabilidade dos detentores da riqueza em nosso país no desafio de erradicar a pobreza, essa antiga condição que tem caracterizado a vida humana na caminhada da civilização ao longo dos milênios.

A SOLIDARIEDADE é a palavra chave.

CIDADÃO DO MUNDO, Blog do jornalista Washington  Araújo, 11/set/2006

http://www.cidadaodomundo.org/?p=900

A solidariedade é uma qualidade que dignifica o ser humano. É um laço recíproco entre as pessoas, entre as comunidades e grupos humanos; é um sentimento que envolve e constrói possibilidades transformadoras.
Ser solidário é aderir, apoiar concretamente a uma causa, com princípio, valor e sentimento humano. Ser solidário é uma atitude humano e social que vai ao outro, com vontade e determinação libertadora. Ser solidário é apresentar-se ao mundo consciente da responsabilidade que vincula os seres humanos, consciente do papel que podemos representar uns para os outros: para a família, para a comunidade, para a cidade, para a humanidade. Ser solidário é ir em busca da missão, é perseguir o ideal do desenvolvimento humano. Ser solidário é ser luz, é ser ajuda, é ser muito mais do que o sistema sócio-político e econômico induz que podemos ser.

RECANTO DAS LETRAS – Razão de ser solidário

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2757534

Se não houver desconcentração de riqueza, não haverá mudança histórica. O Brasil é “campeão” mundial de concentração de renda e “pentacampeão” na concentração de riqueza. Esse é um dos fatos mais marcantes e trágicos do processo histórico brasileiro. Qualquer projeto de ruptura ou mudança histórica implica redistribuição da riqueza.

A distribuição da renda é determinada, fundamentalmente, pela distribuição da riqueza. Políticas tributárias orientadas para a redução da concentração da riqueza terão um impacto sobre a distribuição da renda. Tendo em vista os objetivos do ajuste fiscal e da redistribuição de renda, o método racional seria o imposto, aplicado uma vez por todas, sobre a riqueza (once-for all capital levy). Esse tipo de tributo (aplicado uma única vez) sobre o estoque de riqueza é diferente de um imposto anual sobre a riqueza. Em praticamente todos os países europeus, no período após a Segunda Guerra Mundial, que realizaram reformas monetárias profundas, foi estabelecido um imposto sobre o estoque de riqueza dos grupos mais privilegiados da sociedade. Esse tributo foi chamado, pelos franceses, de imposto de solidariedade. O imposto de solidariedade pode ser complementado com uma taxação anual sobre a riqueza, isto é, pelo que a Constituição brasileira no seu artigo 153 (VII) denomina de imposto sobre grandes fortunas.

DEMOCRACIA VIVA – Reginaldo Gonçalves[iii]

http://www.ibase.org.br/modules.php?name=Conteudo&pid=921

Solidariedade, amigos, não se agradece, comemora-se.

Betinho

ESPERO CONTINUAR


[i] Sl. 36,7 Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas.

[ii] Ezequiel 11:19  E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne;

[iii] Reginaldo Gonçalves é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.