Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

O DINHEIRO ou AS RIQUEZAS

A riqueza de que passa de um ao outro:

Ecl 6,1-2:

Bíblia de Jerusalém

 (1) Vi ainda outro mal debaixo do sol, pesando sobre os homens:

(2) Deus concedeu a um homem riquezas, bens e honra, sem que lhe falta nada de quanto possa desejar; Deus, porém, não lhe concede desfrutá-las, porque um estranho as desfruta. Isso é vaidade e cruel sofrimento.

                Nova Tradução na Linguagem de Hoje

6.1   Também tenho visto outra coisa muito triste que acontece neste mundo:

6.2   Deus dá a alguns tudo o que desejam — riquezas, propriedades e fama. Porém depois não deixa que eles aproveitem nada disso. E é algum estranho quem aproveita, e não ele. Isso também é ilusão e não está certo.

 

O Pregador parte de um conhecimento básico do povo judeu, ou seja, aquilo que alguém possui sempre provem do Criador: “Deus concedeu a um homem…”, ou “Deus dá a alguns…”. É o mesmo que cantava Davi:

1 Crônicas
29.10   Então, ali em frente de todo o povo, o rei Davi louvou a Deus, o SENHOR. Ele disse: — Ó SENHOR, Deus do nosso antepassado Jacó, bendito sejas para sempre!

29.11   Tu és grande e poderoso, glorioso, esplêndido e majestoso. Tudo o que existe no céu e na terra pertence a ti; tu és o Rei, o supremo governador de tudo.

29.12   Toda a riqueza e prosperidade vêm de ti; tu governas todas as coisas com o teu poder e a tua força e podes tornar grande e forte qualquer pessoa.

E Salomão foi prova desta verdade:

1 Reis
3.11   e disse: — Já que você pediu sabedoria para governar com justiça, em vez de pedir vida longa, ou riquezas, ou a morte dos seus inimigos,

3.12   eu darei o que você pediu. Darei a você sabedoria e inteligência, como ninguém teve antes de você, nem terá depois.

3.13   Mas lhe darei também o que não pediu: durante toda a sua vida, você terá riquezas e honras, mais do que qualquer outro rei.

 

A segunda parte da afirmação do verso 6-2 de Eclesiastes dá muita ênfase a uma situação realmente cruel: “Deus, porém, não lhe concede desfrutá-las”, ou “Porém depois não deixa que eles aproveitem nada disso”.  O caso de Jó poderia exemplificar esta situação. Até um determinado momento gozou de seus bens (inclusive filhos e filhas) e de suas riquezas que, repentinamente lhe foram retirados.

Gozou também da honra e fama. Eu às vezes me pergunto: estes não seriam bens que se usufrui apenas no mesmo momento em que estão acontecendo? Que não se guardam em estoque?  São talvez menos palpáveis, não se abre conta corrente bancária com eles, mas nos acostumamos com suas benesses e deixar de recebê-los, dói. Posso dar, apesar de pobre, um exemplo pessoal: fui gerente financeiro de uma empresa de porte médio; como tal gozava de um atendimento “vip” principalmente no setor bancário – hoje sinto como era gostosa aquela posição privilegiada! Mas exatamente em razão desta volatibilidade é mais fácil argumentar: não se deve apegar ao que é reconhecidamente passageiro.

Mas é forçoso inquirir: Bens – casas, mansões, fazendas, grandes propriedades, indústrias, ações… não seriam também tão voláteis, tão fáceis de perder, de desaparecer, como a fama e a honra? Porém quem os possui se agarra a eles com unhas, dentes, corpo e alma, de sorte que é sempre dolorido perdê-los.

Mas Eclesiastes vai mais fundo no cutucar a ferida: ”porque um estranho as desfruta”. À dor da perda se acrescenta a dor do ciúme!

 

Como evitar este sofrimento? Mudando o entendimento. Repetimos o ensino de Jesus de Nazaré:

Mt 6:

19 Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam.

20 Pelo contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las.

21 Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.

O Apóstolo Paulo confessou ter aprendido esta lição:

Filipenses
4.11   Não estou dizendo isso por me sentir abandonado
, pois aprendi a estar satisfeito com o que tenho.

4.12   Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco.

4.13   Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação.

Atribui-se a outro sábio da antiguidade uma daquelas frases lapidares a propósito do assunto:

 

“‘Ser rico é saber contentar-se com o que se tem.”

Lao-Tsé

 

ESPERO CONTINUAR