Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

O BOM NOME

 

O bom nome:

1 – Mais vale o bom nome do que o bom perfume, mais o dia da morte do que o do nascimento.

1 – Melhor é a boa fama do que o unquento precioso, e o dia da morte, melhor do que o dia do nascimento.

1 – O nome limpo vale mais do que o perfume mais caro; e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento.

Opressão e suborno

7 – A opressão exaspera o sábio, e o suborno lhe corrompe o coração.

7   Verdadeiramente, a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração.

7   Quando o sábio usa a violência, ele se torna tolo. Quem aceita suborno estraga o seu caráter.

Versões: 1º – Bíblia de Jerusalém; 2º – Almeida revista e atualizada; 3º – Nova tradução na linguagem de hoje.

 O seu nome já foi parar no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) ou no Serasa? Que coisa chata, principalmente nesta época em que você é obrigado a comprar a prazo. Pior quando você não fazia a mínima ideia de que o débito existia: esquecimento, uma conta que não recebeu, um pagamento que seria feito por um amigo, uma fiança que você prestou…e, pronto, você está com o nome sujo! Passa “carão”, tem muito aborrecimento e na maioria das vezes tem que botar a mão no bolso em uma hora em que estava totalmente desprevenido.

Há outras maneiras de saber se um gajo está com o nome sujo. Por exemplo, verificar se tem alguma pendência em uma esfera administrativa (federal, estadual ou municipal), saber se corre contra ele algum processo judicial, se já deu trabalho à polícia etc. Mas todos estes são casos de transgressão à Lei, os bons modos de convivência em uma comunidade.

Mas não ocorreriam outros casos de estar com o nome sujo fora do alcance da Lei? Por exemplo: o mentiroso, o fofoqueiro, o dar ou receber suborno, o sonegador de impostos (normalmente este e o subornado trabalham em conluio), o que faz falsas promessas.

Para as pessoas mais humildes parece que as regras para se ter BOM NOME são mais simples. Vejam estas concisas recomendações do Pastor Sérgio Fernandes, da Assembleia de Deus:

Insista, por isso, em dar bom testemunho sempre! Pague suas contas! Não fale sobre o que não sabe! Seja pontual! Cumpra com sua palavra! Seja educado no falar e honesto no proceder! Retire as gírias e os palavrões do seu vocabulário!

http://devocionais.amoremcristo.com/devocionais_texto.asp?id=637

Para quem possui mais riqueza, maior poder, as oportunidades de perder o BOM NOME são bem maiores. Considerem, para entenderem este aspecto da questão, o caso de nossos políticos. Acumulam uma crosta tão grande de sujeira em seus nomes (e, apesar disto são eleitos) que boa parte da população exigiu a criação da Lei da Ficha Limpa. Infelizmente a nossa suprema corte de justiça entendeu que eles mereceriam um prazo maior para continuarem praticando suas falcatruas.

Felizmente, existem casos que não dependem de nossos julgadores e que demonstram que a procura, o interesse pelo BOM NOME ainda carrega um significado positivo. As Empresas, notaram como todas elas procuram se mostrar como defensoras do meio ambiente? É o BOM NOME como alavanca para os bons negócios.

Até mesmo as Nações se esforçam, hoje, para ter um BOM NOME. Certamente vocês acompanham o noticiário internacional e têm visto o “rebu” provocado pelo rebaixamento dos Estados Unidos na sua condição de “bom pagador”. E os nossos amigos terão que rebolar muito, pois sendo a maior economia do mundo que tornou a sua moeda a referência de troca mundialmente aceita, não pode perder o seu BOM NOME, sob pena de causar o maior transtorno a toda a economia globalizada.

Não é de hoje que as pessoas desejam ter um bom nome, ou pelo menos aspiram ser consideradas pessoas com esta qualidade. Acompanhem esta  denúncia de Jesus de Nazaré há 2000 anos atrás:

 “E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios[i], e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: Rabi, Rabi” Mateus 23:5-7.

Hoje quem é que não conhece um montão de gente assim: em posições elevadas na sociedade, gostam de aparecer em reuniões festivas, no meio de gente importante e rica, muitas vezes se fazem filantropos, juram de pés juntos que são honestos, sentem-se injuriados até mesmo quando as algemas são colocadas em seus amigos, falam bonito etc., etc.

Na nossa sociedade, sob forte influência cristã, a orientação e o apelo para a conduta ilibada parte principalmente das Escrituras. Menciono alguns textos bíblicos que enfocam o tema:

Prov. 22,1 –  É preferível um bom nome a muitas riquezas, e uma boa graça a prata e ouro.

Prov. 15,30 – A luz dos olhos alegra o coração; a boa fama engorda os ossos.

Prov. 11:3 -A integridade dos retos os guiará, mas perversidade dos desleais os destruirá.

Prov. 20:11 Até uma criança é conhecida por suas ações, se a sua obra for pura e reta.
Prov. 11.27 –  Quem procura o bem é respeitado, mas quem busca o mal será vítima do mal.

Prov. 20:7 – O justo anda na sua integridade; bem aventurados serão seus filhos depois dele.   I Timóteo 3:7 – Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. 

I Timóteo 5:14 – Quero, pois, portanto, que as moças se casem, gerem filhos, governem a casa e não dêem ocasião ao adversário de maldizer.

I Timóteo 6:1 – Todos os servos que estão debaixo do jugo considerem seus senhores dignos de toda honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados.

Romanos 2:23-24: Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre as nações por causa de vós”

Romanos 12:17 – A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens.

E o ensino de Cristo é fundamental:

Mateus
5.13   — Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.

5.14   — Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.

5.15   Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa.

5.16   Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.

E mais outros dois pensamentos não encontradas na Bíblia, atribuídos, contudo,  aos genitores do cristianismo, ou seja, os Judeus:

A beleza desaparece, mas o bom nome perdura.
Textos Judaicos

“Existem três coroas: a coroa da sabedoria, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza. Mas a coroa de uma boa reputação excede todas essas.” Fonte – Pirkei Avot.

Textos Judaicos

Acredito seja supérfluo qualquer comentário aos versos acima.

O que pensar da segunda parte do versículo 7:1 “e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento.”? Eu diria que o nascimento representa o início de uma quase sempre árdua, difícil, às vezes sofrida etapa de aprendizado, em que todo nosso esforço deve ser dirigido para entendermos de onde viemos, para onde iremos, porque a para que aqui estamos; como deve ser o nosso relacionamento com os demais seres animados e inanimados. Já a morte é indicada como um período de descanso, recuperação de forças.

Quanto ao versículo 7:7, que intitulei  Opressão e Suborno, coloquei-o debaixo do  Bom Nome por entender que aquelas ações são ciladas que objetivam denegrir o Bom Nome. Para ilustrar, uma citação de um dos mais eruditos, apreciados próceres do catolicismo:

“Assim como uma vida boa nos é necessária a nós, o nosso bom nome é necessário aos outros homens.” Fonte – S. Agostinho, De bono viduitatis, 12 .

Estes dias os noticiários apresentam o caso da JUIZA PATRÍCIA ACIOLI (em maiúscula e em negrito, pois ela o merece) assassinada em virtude de condenar policiais transgressores da Lei. É a opressão tentando intimidar os sábios, que realmente possuem BOM NOME.

Mas se este é um exemplo que enobrece, temos que pensar também na segunda metade do verso “…o suborno  corrompe o coração” , mostrando abaixo um outro exemplo, também de um juiz,  mas este elevado ao Supremo Tribunal Federal, ao que tudo indica não por mérito, mas por QI, isto é, quem indica, de um partido político  que faz questão de ser avesso a todos os bons costumes cristãos (aliás, se declara absolutamente anti-cristão). Ao contrário também do exemplo anterior, este nos deprime profundamente:

… me tiram do sério reações como essa do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli às informações divulgadas pela Folha de S. Paulo sobre sua viagem à Itália para o casamento, no dia 21 de junho, do advogado criminalista Roberto Podval, em cujas causas o ministro atuou e atua.

Muito legitimamente, o jornal quis saber do ministro quem custeou as despesas da viagem, uma vez que o advogado ofereceu a duas centenas de convidados dois dias de hospedagem num exclusivo hotel da ilha de Capri cujas diárias variam de 644 reais a 2,4 mil reais mil reais.

A Folha quis saber também quem pagou a viagem à Itália e os deslocamentos internos em território italiano.

A resposta veio por meio da assessoria do ministro: “É importante esclarecer que a viagem do ministro foi de caráter estritamente particular. Diante desse fato, ele se reserva o direito de não fazer qualquer comentário sobre seus compromissos privados”.

Se reserva o direito, vírgula!

“Compromissos privados”, vírgula!

‘Caráter particular”, uma ova!”

Texto de Ricardo Setti, de 22/07/2011.

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/ministro-do-stf-tem-sim-a-obrigacao-de-esclarecer-se-houve-mordomia-indevida-em-sua-viagem-a-italia/

Vamos continuar pedindo ao Criador que nos livre destes mesquinhos procedimentos e que, em futuro próximo, somente “Patricia’s Acioli” assumam posições de notoriedade no governo da Nação, para o bem físico e espiritual de todos os brasileiros.

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio: No judaísmo, par de pequenas caixas de couro usadas ritualmente, amarradas ao braço e à testa por correias, tb. de couro, e que contêm trechos das Escrituras.