Ofereço a vocês mais um pequeno texto de Rohden. Boa leitura. 

Sendo que a Suprema Realidade é a causa e fonte de tudo quanto existe nos vastos domínios do cosmos, é certo que essa Realidade é consciente, auto-consciente self-conscious, selbstewusst), uma vez que entre os fenômenos por ela creados existem seres auto-conscientes – e não é possível, logicamente, admitir efeito superior à sua causa. A infinita Realidade é a infinita Consciência, quer dizer que é cônscia de si mesma com infinita claridade e veemência[i]. Entretanto, como Deus não possui consciência individual – pois não é indivíduo, senão o Ser Universal – mas consciência universal ou cósmica, é ambíguo e impreciso dizer que Deus é consciente, possui auto-consciência. As filosofias e religiões orientais, em geral, negam que Deus seja um ser consciente, ou pessoal, e os grandes videntes e místicos de todos os tempos usam termos que sugerem esta mesma idéia. Houve quem daí concluísse que Deus é um ser inconsciente e impessoal, à semelhança das forças da natureza física, eletricidade, luz, magnetismo. Se assim fosse, seria Deus menos perfeito do que o homem e outros seres auto-conscientes. Entretanto, é falsa essa conclusão. O fato de não ser Deus consciente não implica em inconsciência. Deus é super-consciente, pelo fato de possuir consciência universal.

Quanto maior é a consciência dum ser tanto maior é a sua perfeição, tanto mais alto está na escala dos seres. Um ser com consciência zero teria perfeição zero, isto é, não seria um ser real, seria um puro nada. Tal ser, evidentemente, não existe. Devido à fraqueza da nossa percepção, consideramos certos seres, por exemplo, os do plano mineral, como totalmente destituídos de consciência, como absolutamente inconscientes, o que é um erro. Não existe nenhum ser de todo inconsciente. Mesmo o elétron que gira com estupenda velocidade e quase invencível fidelidade ao redor do seu próton, não é de todo inconsciente desse seu centro de gravitação, embora essa consciência seja puramente mecânica.

Ser de absoluta inconsciência é um ser nulo, irreal.

Ser de consciência parcial é um ser finito.

Ser de consciência total é um ser infinito.

O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA ANTIGUIDADE – O drama milenar do homem em busca da verdade integral; ROHDEN, Huberto; Volume I, 4ª Edição, Alvorada Editora e Livraria Ltda., Em busca da Realidade Absoluta, pg.s 36 e 37.

[i] Na teologia eclesiástica, Deus é chamado “pessoa” (persona), “personalidade”, palavra que tem dado asa a muita discussão e controvérsia. Se tomarmos o termo “pessoa”, “personalidade”, como sinônimo de “indivíduo”, “individualidade”, é impossível considerar a Deus como pessoa, porque seria reduzi-lo a um indivíduo, fazê-lo finito, limitado, quando de fato Deus é Ser Universal, Infinito. Entretanto, é permissível chamar a Deus pessoa no caso que tomemos esta palavra como equivalente a “consciente”, ou “super-consciente”, “oniconsciente”, como a igreja cristã, certamente, entendeu nas suas definições dogmáticas sobre a personalidade de Deus.