Outro dia li um artigo muito espirituoso (tentei localizá-lo novamente, mas não consegui) no qual o articulista, em determinado momento, ao tentar explicar a uma criança que quando foi lançada a televisão as imagens eram em preto e branco, o pequeno interlocutor entendeu que as cores só apareceram no nosso mundo há poucos anos atrás, com o advento da TV à cores. Vou entrar nesta onda ingênua (da criança, não a minha) para afirmar que o Planeta Terra, de uns tempos para cá, está de fato ganhando cores. Tentarei esclarecer.

Iniciarei mencionando Kofi Atta Annan, diplomata de Gana, nascido em 1938 (tem a minha idade este moço!), Nobel da Paz em 2001, que durante 1997 até 2007 foi Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU, para os íntimos). Pergunto: 1) Teria havido, neste alto escalão da hierarquia mundial, um comandante de pele escura? 2) Até os tempos de minha adolescência, alguém suporia que isto poderia acontecer?

Lembro que me chamou atenção, 40 ou 50 anos atrás, quando lia o Velho Testamento, a história do encontro do rei Salomão com uma famosa e cultíssima rainha:

 I Reis

10.13   O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo quanto ela desejou e pediu, afora tudo o que lhe deu por sua generosidade real[i]. Assim, voltou e se foi para a sua terra, com os seus servos.

Creio que, àquela época, já fazia alguma pesquisa, pois soube que ela viera da África, pelo que associei que se tratava de uma mulher negra[ii]. Relato isto para destacar que não era comum a proeminência, cá em nossa terra, de pessoas de cor escura. Hoje procurei verificar se aquele meu antigo entendimento tinha algum fundamento e encontrei na Wikipédia: “O nome ge’ez ʾĪtyōṗṗyā e seu cognato português são pensados por alguns estudiosos de serem derivados da palavra grega Αἰθιοπία, Aithiopia, de Αἰθίοψ, Aithiops ‘um etíope’, derivado, por sua vez, de palavras gregas que significam de “de rosto queimado”

Recordo agora a famosíssima figura de Barack Hussein Obama, o 44o e atual presidente dos Estados Unidos, desde 20 de janeiro de 2009 (ano em que também foi Nobel da Paz). Até então, era senador pelo estado de Illinois. Obama foi o primeiro mulato (afro-americano no contexto estadunidense) a ser eleito presidente dos Estados Unidos da América.  Foi também o único senador afro-americano na legislatura anterior. Foi, igualmente, o primeiro afro-americano a ser presidente da Harvard Law Review.

Para coroar a ascensão destes irmãos com mais cor que nós (já li, em algum lugar, que nós, branquelos, descendemos deles e, portanto, literalmente, perdemos cor), para coroar esta ascensão, vimos ontem a mais justa, a mais honesta coroação da mulher mais linda do Universo:

 

Talvez o meu sangue português me garantisse, desde o momento que a vi, que só poderia ser ela a eleita: LEILA LOPES, 25 anos, de ANGOLA.

 

 


[i] Segundo diversos textos da Wikipédia, deu-lhe também um filho, apesar do voto de celibato a que deveriam de se submeter as Rainhas da Etiópia.

[ii] Juro de pé junto que não estou aqui praticando nenhum racismo, tanto assim que até procurei orientação na Internet (Wikipédia): “Certos sociólogos brasileiros, como Clóvis Moura, consideram o termo “negro” o mais adequado para classificar o grupo racial ao qual a pessoa pertence. Argumentam ainda que existe uma grande resistência da sociedade brasileira na utilização do termo citado, em razão deste ser considerado, erroneamente, uma palavra preconceituosa. Para estes sociólogos, a palavra “negro” não possui conotação pejorativa, e que o receio em utilizar o termo dito correto se deve ao fato da sociedade brasileira, ao contrário do que pensa o senso comum, possuir uma forte carga racista em relação ao negro, oculta pelo mito da democracia racial.

 

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