A SANÇÃO

Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes 7:8 – 8:17

 

Da mesma forma que fizemos no SERMÃO…XXVI, quando iniciamos a porção de Eclesiastes que a Bíblia de Jerusalém identificou como se referindo a O DINHEIRO, vamos abordar este novo texto, identificado como A SANÇÃO, transcrevendo o comentário dos doutos tradutores seguido dos versículos bíblicos a que se refere.

 

A Lei tinha formulado o princípio da retribuição coletiva: se Israel for fiel, será feliz; se for infiel, será infeliz (cf. Dt. 7:12s; 11:26-28; 28:1-68; Lv. 26). Os Sábios aplicaram esse princípio ao destino individual de cada pessoa: Deus retribui a cada um segundo as suas obras (Pr. 24:12; Sl. 62:13; Jó 34:11). Disso tiraram a conclusão de que a situação presente do homem era proporcional ao seu mérito. Se, pelo contrário, a experiência desmentia a validade desse princípio, afirmava-se que a felicidade do ímpio é efêmera, e passageira a infelicidade do justo (cf. Sl. 37 e os amigos de Jó).

 

                           (Nova Tradução na Linguagem de Hoje )
Deuteronômio:

11.26   E Moisés disse ao povo: — Hoje vou deixar que vocês escolham se querem bênção ou maldição.

11.27   Vocês receberão a bênção se obedecerem às leis do SENHOR, nosso Deus, que estou dando a vocês hoje;

11.28   ou receberão a maldição, se não obedecerem às suas leis, mas rejeitarem os mandamentos que eu lhes estou dando hoje e adorarem outros deuses que vocês não conheciam.

Provérbios:
24.12   Você pode dizer que o problema não é seu, mas Deus conhece o seu coração e sabe os seus motivos. Ele pagará de acordo com o que cada um fizer.

Salmos:
62.11   Mais de uma vez tenho ouvido Deus dizer que o poder é dele

62.12   e o amor, também. Tu, ó Senhor, recompensas cada um de acordo com o que faz.

Jó:
34.10   “Agora, vocês que têm juízo, me escutem. Será que Deus faria alguma coisa errada? Será que o Todo-Poderoso cometeria uma injustiça?

34.11   Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dá a cada um o que merece.

Salmos:
37.1   [De Davi.] Não se aborreça por causa dos maus, nem tenha inveja dos que praticam o mal.

37.2   Pois eles vão desaparecer logo como a erva, que seca; eles morrerão como as plantas, que murcham.

37.3   Confie em Deus, o SENHOR, e faça o bem e assim more com toda a segurança na Terra Prometida.

37.7   Não se irrite por causa dos que vencem na vida, nem tenha inveja dos que conseguem realizar os seus planos de maldade. Tenha paciência, pois o SENHOR Deus cuidará disso.

37.8   Não fique com raiva, não fique furioso. Não se aborreça, pois isso será pior para você.

37.9   Aqueles que confiam em Deus, o SENHOR, viverão em segurança na Terra Prometida, porém os maus serão destruídos.

37.10   Dentro de pouco tempo, os maus desaparecerão; você poderá procurá-los, porém não os encontrará.

37.11   Mas os humildes viverão em segurança na Terra Prometida e terão alegria, prosperidade e paz.

 

Coélet refuta essa tese.

À doutrina tradicional (7:8)

8 Mais vale terminar de falar que começar, e mais vale paciência que arrogância.

 

Coélet responde com ceticismo (7:9-12.

9 Não te deixes arrebatar pela cólera, porque a cólera se aloja no peito do néscio.

10 Não perguntes: “Por que os tempos passados eram melhores do que os de agora?” Não é pergunta motivada pela sabedoria.

11 Boa é a sabedoria acompanhada de patrimônio: é de proveito àqueles que vêem o sol.

12 Estar ao abrigo da sabedoria é como estar ao abrigo do dinheiro, e a vantagem do saber é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.

 

Tudo o que acontece deve ser aceito, sem procurar uma explicação (7:13-15).

13 Observa a obra de Deus: quem poderá endireitar o que ele entortou?

14 Em tempo de prosperidade desfruta, em tempo de adversidade reflete: Deus criou a um e a outro, para que o homem não possa investigar seu destino.

15 Já vi de tudo em minha vida cheia de ilusões: gente honrada que fracassa por sua honradez, gente malvada que prospera por sua malvadez.

 

Embora a vida e a morte estejam mal distribuídas (7:15), é inútil fazer esforços sobre-humanos (7:16-18).

16 Não exageres tua honradez nem te tornes presunçoso com tua sabedoria: par que matar-se?

17 Não exageres tua malvadez e não sejas insensato: para que morrer antes do tempo?

18 Bom é agarrar-te a um sem deixar o outro, pois quem teme a Deus encontrará um e outro.

 

Quanto à reputação, já não tem significado algum (7:19-22).

19 A sabedoria torna o sábio mais forte que dez chefes numa cidade.

20 Não há no mundo ninguém tão honrado que faça o bem e não peque.

21 Não faças caso de tudo o que se diz, para não ouvires teu servo que te amaldiçoa,

22 pois sabes muito bem que tu mesmo maldisseste a outros muitas vezes.

 

Os fatos são inexplicáveis, e a realidade é um mistério insondável (7:23s, seguido por um aparte misógino[i], 7:25-28).

23 Tudo submeti à prova da sabedoria, pensando chegar a ser sábio, e, no entanto, a sabedoria ainda está bem longe de mim.

24 Longe está, o que aí está, e muito profundo: quem o achará.

29 Eis porém, a única conclusão a que cheguei: Deus fez o homem reto, e este procura complicações sem conta.

 

(Nos perdoem as meninas…)

25 Dediquei-me ao estudo para investigar e descobrir os critérios de saber qual seja a pior tolice e a insensatez mais absurda;

26 e descobri que mais amarga que a morte é a mulher, porque ela constitui uma cilada, seu coração uma rede e seus braços cadeias. Quem agrada a Deus livrar-se-á dela, mas o pecador será colhido por ela.

27 Eis o que encontrei – diz Coélet – ao tirar concluso das mais diversas coisas

28 que estive indagando sem chegar a um resultado: se entre mil encontrei só um homem, entre todas a mulheres não encontrei uma sequer.

 

O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9),

1 Quem se iguala ao sábio? Quem domina a ciência da interpretação das coisas? A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante.

2 Cumpre o mandato do rei, por causa do juramento de Deus;

3 não te apresses a afastar-te de sua presença, nem a ficar como testemunha de uma ação criminosa; porque o rei age a bel-prazer.

4 A palavra do rei é soberana: quem lhe dirá: “Que fazes aí?”

5 Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum. O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento,

6 pois para todo propósito há um tempo e um julgamento. Grande é a aflição que pesa sobre o homem,

7 porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

8 Ninguém domina o vento, e ninguém o retém; e ninguém tem poder sobre o dia da morte, e não há trégua nesta guerra. A maldade não deixa escapar aquele que a comete.

9 Tudo isso eu observei, atendendo a tudo o que se faz debaixo do sol, enquanto um homem domina o outro para seu mal.

 

e é motivo de revolta (8:10-14).

10 E assim vi ímpios na sepultura; eles saem do lugar santo e vão, mas são esquecidos na cidade em que assim procederam. Também isso é vaidade!

11 Porque a sentença ditada contra um crime não se executa em seguida, os homens se dedicam a praticar o mal.

12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes e se tenha paciência para com ele, estou convencido de que a felicidade é para aqueles que temem a Deus, porque o temem,

13 mas não haverá felicidade para o ímpio. Ele não terá longa vida; pelo contrário, será igual à sombra, porque não teme a Deus.

14 Porém, na terra acontece outra vaidade: há justos a quem toca a sorte dos ímpios, e há ímpios a quem toca a sorte dos justos. E isso considero vaidade.

 

Conclusão (8:15).

15 Faço o elogio da alegria, porque o único bem do homem é comer e beber e alegrar-se; isto o acompanhará durante os dias da vida que Deus lhe concede viver debaixo do sol.

 

16 Quando me dediquei a obter sabedoria, observando as tarefas que se realizam na terra – pois os olhos do homem não conhecem o sono nem de dia nem de noite -,

17 observei todas as obras de Deus: o homem não pode averiguar o que se faz debaixo do sol. Por mais que o homem se afadigue investigando, não o averiguará; ainda que o sábio pretenda sabê-lo, não o averiguará.

 

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio, Misoginia:  [Do gr. misogynía.], Substantivo feminino.
1.Desprezo ou aversão às mulheres.
2.Psiq. Repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres. [Antôn.: filoginia. Cf. ginecofobia.]