Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9),

Bíblia de Jerusalém 8:

1 Quem se iguala ao sábio? Quem domina a ciência da interpretação das coisas? A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante.

2 Cumpre o mandato do rei, por causa do juramento de Deus;

3 não te apresses a afastar-te de sua presença, nem a ficar como testemunha de uma ação criminosa; porque o rei age a bel-prazer.

4 A palavra do rei é soberana: quem lhe dirá: “Que fazes aí?”

5 Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum. O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento,

6 pois para todo propósito há um tempo e um julgamento. Grande é a aflição que pesa sobre o homem,

7 porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

8 Ninguém domina o vento, e ninguém o retém; e ninguém tem poder sobre o dia da morte, e não há trégua nesta guerra. A maldade não deixa escapar aquele que a comete.

9 Tudo isso eu observei, atendendo a tudo o que se faz debaixo do sol, enquanto um homem domina o outro para seu mal.

Versículos bíblicos relacionados a estes.

Em relação ao Verso 8.1: “…A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante”(NTLH).  O livro do Atos dos Apóstolos narra a história de Estevão, o primeiro mártir cristão, que ilustra esta afirmação.

 Atos dos Apóstolos
6.8   Estevão, um homem muito abençoado por Deus e cheio de poder, fazia grandes maravilhas e milagres entre o povo.

6.11   Então eles pagaram algumas pessoas para dizerem: — Nós ouvimos este homem dizer blasfêmias contra Moisés e contra Deus!

6.12   Dessa maneira eles atiçaram o povo, os líderes e os mestres da Lei. Depois foram, agarraram Estevão e o levaram ao Conselho Superior.

6.15   Todos os que estavam sentados na sala do Conselho Superior olhavam firmemente para Estevão e viram que o rosto dele parecia o rosto de um anjo.

E, do Velho Testamento, é famosa esta passagem de Moisés:

Êxodo 34:29  Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele.

De forma alguma podemos esquecer esta passagem:

Mateus
17.1   Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando consigo somente Pedro e os irmãos Tiago e João.

17.2   Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar: o seu rosto ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz.

O Apóstolo Paulo disserta com maestria sobre o contido no versículo 8:2:        

Romanos
13.1   Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele.

13.2   Assim quem se revolta contra as autoridades está se revoltando contra o que Deus ordenou, e os que agem desse modo serão condenados.

13.3   Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom, e elas o elogiarão.

13.4   Porque as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal.

13.5   É por isso que você deve obedecer às autoridades; não somente por causa do castigo de Deus, mas também porque a sua consciência manda que você faça isso.

13.6   É por isso também que vocês pagam impostos. Pois, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus.

13.7   Portanto, paguem ao governo o que é devido. Paguem todos os seus impostos e respeitem e honrem todas as autoridades.

 

O verso 8.7:  “ é que não sabemos o que vai acontecer amanhã, e não há ninguém que possa nos contar”, é praticamente repetido em outras porções deste mesmo Livro de Eclesiastes: 6:12, 9:12; 10:14.

E afirma categoricamente:


14.5   Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver; isso está resolvido, e ninguém pode mudar.

Compartilho com vocês uma parte da Introdução ao Capítulo oitavo de Eclesiastes de John Gill’s Expositor, a qual obtive na Bíblia “online” da Sociedade Bíblica do Brasil

O pregador começa esse capítulo com o elogio da sabedoria, falando da sua excelência e utilidade (Ecl 8:1);

e aconselha os homens, se desejam viver tranquila e confortavelmente, a honrarem e obedecerem ao rei que os governa, e a não se rebelarem contra ele, pois que ele tem grande poder e autoridade (Ecl 8:2-5);

e não estar muito preocupados com as coisas que virão, já que há um tempo definido para tudo, e as coisas futuras não podem ser conhecidas, nem evitadas e, particularmente, não há como evitar a hora e o golpe da morte (Ecl 8:6-8).

(o verso 9, para este comentarista, faz parte de outro bloco)

Parece um bom resumo. Eu prefiro dividir a porção em estudo em duas partes: 1) versos 8:1 a 8:5 – A “sabedoria” e algumas de suas aplicações práticas; 2) versos 8:6 a 8:9 – A imprevisibilidade dos acontecimentos.

A sabedoria e algumas de suas aplicações práticas.

O primeiro verso faz o elogio da sabedoria e o verso 5, depois dos conselhos que compõem o miolo do texto, traz a afirmação solene: “O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento”. Ou seja, obedecer ao Rei, portar-se adequadamente na sua presença, não se expor desnecessariamente, não praticar atos lesivos à Lei, são atos de Sabedoria.

O verso 2 – “Obedeça às ordens do rei porque você, na presença de Deus, jurou ser fiel a ele” -, reiterado pela Apóstolo Paulo – ” Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele” – merece algumas considerações. Inicialmente, é bom lembrar como eram colocados à frente da nação israelita os seus Reis. Lembrem-se das histórias de Saul, Davi, Salomão – estas talvez as mais conhecidas? Eram homens escolhidos pelo Criador, através de seus Profetas. Vivia-se em uma Teocracia; logo, nada mais justo do que a orientação do Coélet.  Mas os tempos mudaram e os governantes passaram a se “elegerem” pela força das armas; mesmo assim, o Pregador e Paulo foram citados para validarem reinados e governos de déspotas. Hoje a maioria das nações vive sob regimes democráticos. Logo, se participamos das eleições, com menor ou maior “livre arbítrio”, vale a recomendação: Obedeçam às autoridades. Em que pese a advertência paulina: Pois, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus, ainda é bom ter em mente: nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus. É…, podemos reclamar, espernear, chorar etc., etc., mas “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus. Observem o ensino do Nazareno:

Lucas
12.6   — Por acaso não é verdade que cinco passarinhos são vendidos por algumas moedinhas? No entanto Deus não esquece nenhum deles.

12.7   Até os fios dos cabelos de vocês estão todos contados. Não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos!

Não há como se esquivar: alguém está mexendo os pauzinhos.  E a Cabala ensina: “Não há nada além do Criador”, em plena harmonia com os ensino do Cristo, do Coélet, e do Apóstolo.

Resta, pois, observar as conclusões de Paulo:

Romanos

13.8   Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros. Quem ama os outros está obedecendo à lei.

13.9   Os seguintes mandamentos: “Não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice” — esses e ainda outros mais são resumidos num mandamento só: “Ame os outros como você ama a você mesmo.”

Mas há ainda no texto aos Romanos uma informação que não posso deixar de comentar: “então faça o que é bom, e elas o elogiarão” (o que bate com Eclesiastes 8:5: Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum). A própria história de Estevão acima referida deixa claro que está afirmação nem sempre tem validade – talvez seja a regra, mas as exceções abundam. E isto nos leva à segunda parte do texto: A imprevisibilidade dos acontecimentos, que, aliás, tem o mesmo significado do subtítulo dado ao texto pela Bíblia de Jerusalém: O destino é cego e implacável.

A história de Estevão, a história e asseveração de Jó, exemplificam a reiterada declaração do Coélet: “Grande é a aflição que pesa sobre o homem, porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

Este tema dá “pano pra manga” e é preciso cuidado para não nos afogarmos nele. Só pequenas ilustrações.

1)Trecho de pequeno artigo – IMPREVISIBILIDADE – do Site

 http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=49580

Este é a maior questão do futuro que nos aguarda, o imprevisível que alguns excita e outros assusta, pois se trata do fracasso ou sucesso. A bem da verdade é que nos requer um proveito melhor do tempo em preparação para as possibilidades. Com o passar do tempo mais é solicitado em menos tempo. A capacidade de cada um é posta a prova constantemente, e o inesperado nos surpreende de forma inusitada, principalmente quando os desafios são totalmente imprevistos, e os perigos ignorados para que a alternativa seja a melhor possível.

 

2) O libanês Nassim Nicholas Taleb, doutor em probabilidade e uma das maiores autoridades mundiais em gestão de riscos, é o autor de A Lógica do Cisne Negro: o impacto do altamente improvável. Os cisnes negros eram tidos como inexistentes, antes de terem sido descobertos na Austrália, daí a metáfora. Em palestra realizada em 2008 faz algumas afirmações esclarecedoras:

                “Os modelos que preveem o futuro jamais se mostraram eficazes”

                “Ame o risco quando você pode perder pouco, e odeie o risco quando você pode perder muito”.

http://alfredopassos.wordpress.com/2008/11/14/a-imprevisibilidade-do-futuro/

3) No Yahoo encontrei o texto A religião nos faz esquecer aquilo que não queremos lembrar? atribuído a H. Bergson, do qual extraí:

“…a inteligência faz perceber claramente ao homem a imprevisibilidade do futuro e, portanto, o caráter aleatório de todos os seus empreendimentos.”

H. Bergson
Religião estática e religião dinâmica.

E ‘nóis’, os leigos, até que não precisaríamos destes alertas para aceitar (a contra gosto, é verdade) a verdade da imprevisibilidade dos acontecimentos. Basta lembrar o Katrina (Nova Orleans) em 2005, as enchentes em 2008 no Vale do Itajaí (SC), aqui no Brasil em 2010, enchentes catastróficas em Angra dos Reis (RJ), Ilha Grande (RJ), São Luiz de Paraitinga (SP), o maremoto no Japão em 2011, com o consequente desastre nuclear de Fukushima, alagamento de Teresópolis em jan/2011… Chega? Em outras áreas: a crise financeira originada nos EUA (subprime) em 2008; a atual crise do Euro (ou da Europa?) que está em curso, tendo a Grécia em evidência hoje, mas com muito desemprego altíssimo em outros Países, com manifestações e protestos a todo dia; a chamada “primavera árabe”; a possibilidade de conflito armado entre Israel e Irã e deflagração da 3ª (e última?) guerra mundial. Basta! E os nossos dissabores pessoais? Ha! Deixa pra lá.

Talvez isto ajude:

                Não fique remoendo os acontecimentos negativos de sua vida – coisas ruins acontecem sempre. Ainda que você esteja em uma situação difícil, olhe para os aspectos positivos, e você irá encontra-los.

Rufus Riggs
The five secrets you must discover before you die, pg. 154

  É bom que a gente enfie na cuca, de uma vez para sempre: “Ninguém domina o vento, e ninguém o retém”. Resta-nos viver cada dia com o coração agradecido pelas bênçãos recebidas do Criador (graças a ELE, os benefícios superam em quantidade e qualidade os infortúnios, a começar pela contagem do ar que respiramos); implorar misericórdia para enfrentarmos as aflições; e luz para entender as adversidades, visando a nossa correção e elevação acima da “Samsara”.

ESPERO CONTINUAR