Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

é motivo de revolta

Bíblia de Jerusalém:

Eclesiastes 8:

10 E assim vi ímpios na sepultura; eles saem do lugar santo e vão, mas são esquecidos na cidade em que assim procederam. Também isso é vaidade!

11 Porque a sentença ditada contra um crime não se executa em seguida, os homens se dedicam a praticar o mal.

12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes e se tenha paciência para com ele, estou convencido de que a felicidade é para aqueles que temem a Deus, porque o temem,

13 mas não haverá felicidade para o ímpio. Ele não terá longa vida; pelo contrário, será igual à sombra, porque não teme a Deus.

14 Porém, na terra acontece outra vaidade: há justos a quem toca a sorte dos ímpios, e há ímpios a quem toca a sorte dos justos. E isso considero vaidade.

 

Versículo 8:10:

Acredito que vocês também irão achar difícil de entender a tradução do verso 10 pela Bíblia de Jerusalém. Por esta razão acredito ser importante trazer esta nota de rodapé:

– “na sepultura”: “levados à”, grego, sir.; “e eles vão”, hebr.- O grego traduz:”na cidade os homens louvá-los-ão pela maneira como agiram”, interpretação que pode ser comparada com Jó 21, 32-33; entretanto, essa interpretação não precisa ser levada em conta na tradução do hebr.: o tema da igualdade entre todos os homens, bons e maus, em face da morte e do esquecimento, faz parte do pensamento de Coélet.

Convém transcrever o texto mencionado de , ou melhor, acrescento 2 versos para melhor entendimento:
                21.30   Essas pessoas dizem que, quando Deus fica irado e castiga, o homem mau sempre

                escapa.                                                        

21.31   Ninguém o acusa das maldades que comete; ninguém o faz pagar pelos seus atos.

21.32   Ele é levado para o cemitério e posto numa sepultura bem guardada.

21.33   Milhares de pessoas acompanham o corpo, e até a terra que o cobre é leve.

E apresentar-lhes outras traduções:

Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

8.10   Eu vi o sepultamento de pessoas más. Na volta do cemitério, notei que eram elogiadas, e isso na mesma cidade onde haviam feito o mal. Isso também é ilusão.

Bíblia Sagrada, Edição Ecumênica:

Eu vi os ímpios sepultados: os quais também ainda quando viviam, estavam no lugar santo, e eram louvados na cidade, como se as suas obras tivessem sido justas. Mas também isto é vaidade.

Almeida, Revista e Corrigida:

8.10   Assim também vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem; também isto é vaidade.

Parece que o verso deu trabalho aos tradutores, que não entenderam a mesma coisa.

Quanto à afirmação do versículo 11, acredito que nós brasileiros conhecemos bem o problema e temos, entre nós, o consenso de que a criminalidade por aqui, desde o roubo de galinha até o desvio de bilhões de reais por supostas “autoridades”, tem como um de seus incentivos a flacidez das leis e a ineficiência do sistema judiciário. Concordamos com o Coélet.

Os versículos 12 e 13, que por sinal tratam do mesmo assunto do anterior, constituem um mesmo parágrafo. Afirmam que “as coisas irão bem” para os que temem a Deus, mas não será assim com os maus. Vamos referir outras porções bíblicas que tratam do tema.

Romanos:
2.5   Mas o seu coração é duro e teimoso. Por isso você está aumentando ainda mais o castigo que vai sofrer no dia em que forem revelados a ira e os julgamentos justos de Deus,

Isaías
3.10   Felizes são as pessoas honestas, pois tudo dará certo para elas, e elas ficarão satisfeitas com aquilo que ganharem com o seu trabalho!

3.11   Ai dos maus, pois tudo correrá mal para eles! O mal que fizeram aos outros será feito contra eles.

Mateus
25.34   Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo.

25.35   Pois eu estava com fome, e vocês me deram comida; estava com sede, e me deram água. Era estrangeiro, e me receberam na sua casa.

25.36   Estava sem roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim. Estava na cadeia, e foram me visitar.”

25.37   — Então os bons perguntarão: “Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos comida ou com sede e lhe demos água?

25.38   Quando foi que vimos o senhor como estrangeiro e o recebemos na nossa casa ou sem roupa e o vestimos?

25.39   Quando foi que vimos o senhor doente ou na cadeia e fomos visitá-lo?”

25.40   — Aí o Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram.”

25.41   — Depois ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos!

O Coélet e Isaias deixam entender que a “recompensa”, seja para os bons como para os maus, lhes será dada ainda nesta vida passageira. O ensino do Nazareno, seguido por Paulo, é de que o julgamento somente se dará no final dos tempos.

Destaco, no texto de Mateus, nos versos 37 a 41, uma informação importante, ou seja, a de que a nossa “bondade” ou “impiedade” está absolutamente vinculada ao nosso relacionamento com o próximo. É o viver, no dia a dia, do “amar ao próximo como a si mesmo”.

O verso 14 me parece que justifica o sub título dado a esta porção de Eclesiastes dado pela equipe de sábios da Bíblia de Jerusalém. A versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje me parece mais contundente:

8.14   Mas isso não tem sentido. Vejam o que acontece no mundo: muitas vezes os bons são castigados, e não os maus; e os maus são premiados, e não os bons. É o que digo: isso também é ilusão.

A revolta do Pregador também foi sentida pelo Salmista:

Salmos
73.1   [Salmo de Asafe.] Na verdade, Deus é bom para o povo de Israel, ele é bom para aqueles que têm um coração puro.

73.2-3   Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.

73.4   Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde.

73.5   Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm.

73.6   Por isso, usam o orgulho como se fosse um colar e a violência, como uma capa.

73.7   O coração deles está cheio de maldade, e a mente deles só vive fazendo planos perversos.

73.8   Eles gostam de caçoar e só falam de coisas más. São orgulhosos e fazem planos para explorar os outros.

73.9   Falam mal de Deus, que está no céu, e com orgulho dão ordens às pessoas aqui na terra.

73.10   Assim o povo de Deus vai atrás deles e crê no que eles dizem.

73.11   Eles afirmam: “Deus não vai saber disso; o Altíssimo não descobrirá nada!”

73.12   Os maus são assim: eles têm muito e ficam cada vez mais ricos.

73.13   Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas de pecado.

73.14   Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me castigas.

73.15   Se eu tivesse falado como os maus, teria traído o teu povo.

Mas no final, contudo, entra no entendimento do Coélet quanto ao tenebroso destino dos maus.

73.16   Então eu me esforcei para entender essas coisas, mas isso era difícil demais para mim.

73.17   Porém, quando fui ao teu Templo, entendi o que acontecerá no fim com os maus.

73.18   Tu os pões em lugares onde eles escorregam e fazes com que caiam mortos.

73.19   Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível.

73.20   Quando te levantas, Senhor, tu não lembras dos maus, pois eles são como um sonho que a gente esquece quando acorda de manhã.

73.21   O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado.

73.22   Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento.

73.23   No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão.

73.24   Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras.

73.25   No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra?

73.26   Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso.

73.27   Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti.

73.28   Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do SENHOR Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito.

 

Deixo-lhes uma indagação: o “alívio” do homem bom só se completa com a desgraça do homem “mau”?

ESPERO CONTINUAR