Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

SOBRE REIS E PRÍNCIPES

Eclesiastes 10:

Bíblia de Jerusalém

16 Ai do país cujo rei é um menino e cujos príncipes madrugam para suas comezainas.

17 Ditoso o país cujo rei é nobre e cujos príncipes comem quando é hora, e não põem sua valentia no beber.

Almeida, revista e corrigida
 10.16   Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança e cujos príncipes comem de manhã.
10.17   Bem-aventurada, tu, ó terra cujo rei é filho dos nobres e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças e não para bebedice.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

10.16   Um país vai mal quando aquele que o governa se deixa levar pela opinião dos outros, e quando as autoridades começam a se divertir logo de manhã.
10.17   Mas um país vai bem quando quem o governa toma as suas próprias decisões, e as autoridades sabem se controlar, comem na hora certa e não bebem demais.

Aí do país cujo rei é um menino… Certamente Eclesiastes não está se referindo a um “menino” na idade cronológica. Nós, brasileiros, temos a experiência de um rei, ou melhor, um IMPERADOR que deixou saudades. Estou falando de D. Pedro II (1825-1891), segundo e último Imperador do Brasil. Perdeu a mãe, D. Maria Leopoldina da Áustria, quando contava 1 ano de vida; o pai, D. Pedro I, faleceu quando estava com 9 anos. Com apenas 6 anos de idade tornou-se Imperador na nova pátria BRASIL, com a abdicação de seu pai; aos 15 anos (menino ainda) é declarado maior e assume a espinhosa posição de IMPERADOR DO BRASIL.  Algumas referências a respeito deste nobre ORLEANS E BRAGANÇA:

… dedica-se aos estudos sob a orientação da camareira-mor D. Maria Carlota de Verna Magalhães, mais tarde condessa de Belmonte. D. Pedro II, mantém na corte os hábitos simples e sem formalidades, adotado antes por seu pai. Lê muito e acompanha as novidades científicas e literárias que surgem no mundo. Dedicava-se a estudar, com mestres ilustres do seu tempo, português, latim, francês, alemão, ciências naturais, música, pintura, esgrima e equitação.

http://www.e-biografias.net/dompedro_ii/

Tendo herdado um Império no limiar da desintegração, Pedro II transformou o Brasil numa potência emergente na arena internacional. A nação cresceu para distinguir-se de seus vizinhos hispano-americanos devido a sua estabilidade política, a liberdade de expressão zelosamente mantida, respeito aos direitos civis, a seu crescimento econômico vibrante e especialmente por sua forma de governo: uma funcional monarquia parlamentar constitucional. O Brasil também foi vitorioso em três conflitos internacionais (a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai) sob seu reinado, assim como prevaleceu em outras disputas internacionais e tensões domésticas. Pedro II impôs com firmeza a abolição da escravidão apesar da oposição poderosa de interesses políticos e econômicos. Um erudito, o Imperador estabeleceu uma reputação como um vigoroso patrocinador do conhecimento, cultura e ciências. Ele ganhou o respeito e admiração de estudiosos como Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, e foi amigo de Richard Wagner, Louis Pasteur e Henry Wadsworth Longfellow, dentre outros.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_do_Brasil

A propósito,  alcunhavam-no o Magnânimo.

Infelizmente, nós brasileiros, temos também experiências – e quantas – com os governantes que nunca alcançaram a maioridade. Basta uma corrida de olhos nestas brevíssimas informações biográficas de D. Pedro II e entenderemos por quantos “meninos” morais temos sido governados.

Os nossos versículos, além da referência ao “rei menino”, fala também de seus “príncipes”, de suas comilanças e bebedices. Eu não tenho absolutamente nada contra Príncipes, muito menos contra a comida e a bebida; vou “jurar de pés juntos” que Coélet também não. Quando fala em ‘príncipes’ se refere aos amigos do ‘rei’, seus assistentes, seus conselheiros.

Comida e bebida… A cria nasce, não importa de que animal – o tigre, o macaco, o humano -, o que procura? Leite materno – alimento, comida, e bebida (tudo junto). À medida que passam os dias, as semanas, os meses, os anos, a cria saudável desenvolve outros interesses. A cria humana, como bem se infere das concisas informações sobre nosso Imperador, torna-se ávida por conhecimento, por relacionamentos sociais frutíferos, por assumir as responsabilidades que a vida lhe proporciona…

Triste é constatar humanos com muitos anos vividos cujo empenho é empanturrar-se da carne de seus semelhantes e embriagar-se no sangue de seu povo. Estou exagerando? Corrupção, apropriação de patrimônio público, desvio de verbas e todas as consequências que o conluio com o “mal feito”, de que são mestres nossos políticos, não levam exatamente à morte? Qual a consequência com o descaso com a saúde da população?  O que significa trabalharmos 4 ou 5 meses ao ano para pagar os impostos de “pessoa física’ para sustento da máquina pública? O que significa a exaustão das empresas nacionais com a maior carga de impostos do mundo? O que significa uma classe política que se concedem a maior remuneração do Planeta Terra? Atribui-se a Oscar Niemeyer, 104 (?) anos, comunista, ateu,  uma frase contundente que tem corrido o mundo através da Internet e que tem o apoio de milhões de brasileiros:

“Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá, foi como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como penico. Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião e sim, de camburão”.

Chega de falar destas coisas ruins.

Felizmente o verso 17 traz uma esperança:

Mas um país vai bem quando quem o governa toma as suas próprias decisões, e as autoridades sabem se controlar, comem na hora certa e não bebem demais.

Gostei! Vamos lembrar outra versão?

Bem-aventurada, tu, ó terra cujo rei é filho dos nobres e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças e não para bebedice.

Vamos sonhar com um Brasil assim? Somente sonhar não resolve nada? Eu já tomei algumas decisões: por exemplo, vou votar em branco na próxima eleição, ou seja, se depender de mim provocarei um rebu em nossa política; já manifestei meu apoio ao Partido Federalista – talvez não traga todas as mudanças que desejamos, mas seria um começo (AINDA tenho ESPERAÇA). A título de ilustração, transcrevo o item oitavo dos Fundamentos Gerais do Federalismo que, particularmente, muito me agrada:

8) Autonomia municipal em matéria de autogoverno – Os municípios terão total autonomia para determinarem sua forma de administração, seja através de prefeito e vereadores escolhidos pelo voto facultativo, ou, substitutivamente,  pela eleição de conselho municipal, companhia de desenvolvimento ou administrador urbano contratado, ou qualquer outra forma não autocrática que fira os princípios constitucionais das garantias individuais.

http://www.federalista.org.br/view.php?cod=31

Já perguntei a um vereador de minha minúscula cidade, por que os vereadores daqui têm que receber polpudos salários; quanto ao prefeito, se contratado pelo município, não teria “rabo preso” com outros políticos ou partidos: escolheria melhor seus assessores (pela competência e não por indicação); se cometesse falcatruas, seria posto na rua; focaria sua administração no atendimento da população e não em sua carreira política…

Será que alguém vai reclamar que estou usando um texto bíblico para falar de política? Mas o texto fala de “reis” e “príncipes” – governantes políticos. Lembro-me de um ditado judaico que se expressa mais ou menos assim: “se faltar farinha, não se fala em Torá”. Sábio, ou não?

Mas vamos encerrar esta digressão com texto de Salmos (67.1) que fará muito bem às nossas almas:

Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós.

ESPERO CONTINUAR