O último ‘post’, de 24 de junho/2012, VENDO-NOS NO ESPELHO causou estranheza a uma pessoa muito querida, que me escreveu:

Concordo com o que está escrito, inclusive isto é coisa básica em qualquer linha de psicologia… mas, por outro lado….
Fico pensando se podemos e devemos levar a ferro e fogo estes ensinamentos,… quero dizer,
este ano é ano de eleição, estou recebendo inúmeros e-mails falando dos maus políticos, de como roubam descaradamente, como mentem, enfim, falando da grande desonestidade de nossos políticos!
É claro que ficamos todos muito irritados, enfurecidos até!!!!
Ou seja, este tema DESONESTIDADE é algo que toca fundo em todos nós!!!! ATIVA, ou melhor seria dizer… aperta os BOTÕES DE REATIVIDADE em  nosso TIKUN…. então isto quer dizer que nós todos SEM EXCESSÃO, brasileiros que somos,…… SOMOS TAMBÉM DESONESTOS E INCORRIGÍVEIS POR NATUREZA??????
Por favor, agradeceria aqueles que puderem me esclarecer melhor sobre este assunto!!!!!
 

De início dei uma resposta quase que jocosa:

O que você diz é realmente para pensar. Mas sugiro uma alternativa: vamos tirar o espelho de nossa frente – não vamos votar nesta cambada. 

Óbvio, houve réplica:

Mas o que perguntei é sério mesmo….
Deixemos de lado os políticos…
E quando nos indignamos com o fato de termos sido enganados pelos outros, por terem passado a perna em nós, por terem mentido, por não nos respeitarem……
Isto significaria invariavelmente que somos pessoas mentirosas, enganadoras, desrespeitadoras??????

Me diga, o que acha?????

 

E tentei melhorar meu entendimento:

Você tem razão. Quem sou eu para contrariar Freud ou Jung  ou os sábios cabalistas, mas acredito que esta visão tem muito mais é com nos alertar para não trilharmos os mesmos caminhos. 

Por outro lado, voltando aos políticos, acredito que fomos criados em uma cultura paternalista, ou melhor, dos privilégios (desde os tempos das Capitanias portuguesas) e isto mostra muito do que acontece hoje. Por exemplo: não é privilégio o funcionário público (e que dirá os políticos) terem uma aposentadoria diferenciada do restante da população?

Quanto a outra situação que você mencionou, creio que temos mesmo (como no caso dos políticos) que ficar indignados. Corrigir-nos se, eventualmente, mesmo em situações mais “light”, praticamos atos que possam prejudicar alguém, mas não nos deprimirmos em razão dos “malfeitos” de que somos vítimas. Tanto o Rav Berg como Rav Bonder defendem (assim estou entendendo), como os espíritas, que pode até ser consequência de ações nossas do passado, até de existências anteriores (e não podemos esquecer-nos do “carma” coletivo), mas, principalmente, que a “riqueza” que é realmente é nossa, ninguém conseguirá tirar. Ademais, existe só UM no comando e Ele sempre fará o que for melhor para nós. Recomendam, e creio que estão certos, que manter a tranquilidade em tais casos nos ajudará a encontrar alternativas senão melhores, ao menos razoáveis. 

É difícil aceitar, mas temos que nos esforçar – afinal, quase sempre não há saídas, pelo menos imediatas.
Mas vamos esperar que os psicólogos, psiquiatras, sábios indiquem, um dia, uma visão mais confortante. Huberto Rohden tem um livro intitulado POR QUE SOFREMOS, que aborda o assunto – há um artigo publicado no sei se no meu Blog ou em MEMÓRIAS ROHDEN muito interessante, que vou localizar e informo para você.

Os textos de Rohden a que me referi são os seguintes: SOFRIMENTO-CRÉDITO, postado em 14/abr/2012, e QUEM PECOU PARA ESSE HOMEM NASCER CEGO = ELE OU SEUS PAIS?, postado em 03/set/2010.

Acrescentaria ainda que se deve fazer uma distinção entre a nossa reprovação de atos ou atitudes prejudiciais às pessoas (a “coisa pública” pertence às pessoas), à sociedade etc. – tanto assim que todos os aglomerados humanos estabelecem regras de bem viver, leis que devem ser respeitadas; o ladrão deve ser punido, tenha sido praticado pelo indivíduo mais humilde como pelo Presidente da República – este com muito mais rigor, pois conhece as regras e seu delito dificilmente tem justificativa atenuante. Podemos e devemos sim nos indignar com tais atitudes. Nós mesmos, se praticarmos tais atos, devemos ser criticados e, sendo o caso, punidos pelas regras sociais vigentes. Devemos separar, contudo, a condenação do “ato” da condenação da “pessoa”. Esta, a pessoa, só há um que poderá condená-la.

Nas Escrituras fui buscar alguns textos relacionados ao tema:

Mateus
7.1   — Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus.

7.2   Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros.

Lucas
6.31   Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.

6.32   — Se vocês amam somente aqueles que os amam, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama amam as pessoas que as amam.

6.33   E, se vocês fazem o bem somente para aqueles que lhes fazem o bem, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama fazem isso.

6.34   E, se vocês emprestam somente para aqueles que vocês acham que vão lhes pagar, o que é que estão fazendo de mais? Até as pessoas de má fama emprestam aos que têm má fama, para receber de volta o que emprestaram.

6.35   Façam o contrário: amem os seus inimigos e façam o bem para eles. Emprestem e não esperem receber de volta o que emprestaram e assim vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Deus Altíssimo. Façam isso porque ele é bom também para os ingratos e maus.

6.36   Tenham misericórdia dos outros, assim como o Pai de vocês tem misericórdia de vocês.

6.37   — Não julguem os outros, e Deus não julgará vocês. Não condenem os outros, e Deus não condenará vocês. Perdoem os outros, e Deus perdoará vocês.

6.38   Deem aos outros, e Deus dará a vocês. Ele será generoso, e as bênçãos que ele lhes dará serão tantas, que vocês não poderão segurá-las nas suas mãos. A mesma medida que vocês usarem para medir os outros Deus usará para medir vocês.

O texto de Lucas não só adverte para a severidade do nosso julgamento como recomenda “amem os seus inimigos e façam o bem para eles”. É difícil? Se não o fosse todo o mundo ocidental, pelo menos, já seria cristão.

Quando afirmei que só há um Juiz que pode condenar a pessoa, é porque me lembrava de haver apreendido com Tiago:

Tiago

4.12   Deus é o único que faz as leis e o único juiz. Só ele pode salvar ou destruir. Quem você pensa que é, para julgar os outros?

O Apóstolo Paulo, depois de ter sido juiz e algoz dos cristãos, também sentiu o peso do julgamento humano:

1 Coríntios
4.3   Mas para mim não tem a menor importância ser julgado por vocês ou por um tribunal humano. Eu não julgo nem a mim mesmo.

4.4   A minha consciência está limpa, mas isso não prova que sou, de fato, inocente. Quem me julga é o Senhor.

4.5   Portanto, não julguem ninguém antes da hora; esperem o julgamento final, quando o Senhor vier. Ele trará para a luz os segredos escondidos no escuro e mostrará as intenções que estão no coração das pessoas. Então cada um receberá de Deus os elogios que merece.

E aqui fica claro que mesmo se formos julgados “culpados”, se nossa consciência estiver tranquila como o Criador, nada devemos temer. E podemos, sim, apontar os que praticam injustiças contra nós, sem temermos julgamento, desde que estejamos plenamente conscientes de que não praticamos o mesmo crime.

 

Fiz uma breve pesquisa na Internet, principalmente sobre o verso 1 do Capítulo 7 de Mateus, e encontrei um artigo, NÃO JULGUEIS, bem moderado do Sr. Marcos José Ferreira da Cruz Machado, no Site

http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/27

que me parece bem esclarecedor.