Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Eclesiastes 11:

Bíblia de Jerusalém

  1. 1.       Joga o teu pão sobre as águas e depois de muitos dias, haverás de encontrá-lo[i].
  2. 2.       Reparte entre sete ou oito, porque não sabes que calamidade poderá sobrevir à terra.
  3. 3.       Se as nuvens vão cheias, descarregam a chuva sobre a terra. Caia para o sul ou para o norte, a árvore fica onde caiu.
  4. 4.       Quem observa o vento não poderá semear, quem examina as nuvens não poderá segar.
  5. 5.       Como não conheces o curso do vento ou como se formam os membros no seio da mulher grávida[ii], também não conheces as obras que Deus realiza.
  6. 6.       De manhã semeia tua semente, e até a tarde não cruzes os braços; pois não sabes qual delas dará bom resultado e se todas terão igual êxito.

 

Nova Tradução na Linguagem de Hoje
11.1   Empregue o seu dinheiro em bons negócios e com o tempo você terá o seu lucro.

11.2   Aplique-o em vários lugares e em negócios diferentes porque você não sabe que crise poderá acontecer no mundo.

11.3   Quando as nuvens ficam cheias, a chuva cai. Uma árvore pode cair em qualquer direção, mas, no lugar em que cair, aí ficará.

11.4   Quem fica esperando que o vento mude e que o tempo fique bom nunca plantará, nem colherá nada.

11.5   Deus faz todas as coisas. E, como você não pode entender como começa uma nova vida dentro da barriga de uma mulher, assim também não pode entender as coisas que Deus faz.

11.6   Semeie de manhã e também de tarde porque você não sabe se todas as sementes crescerão bem, nem se uma crescerá melhor do que a outra.

Este texto, especialmente o verso primeiro, sempre me pareceu cristalino, visto as muitas vezes que ouvi sua exposição. De forma que até me assustei quando li o que disse um comentarista (e não foi um só):

 Esse texto que tem lançado muita dúvida sobre sua interpretação, com certeza nos tem algo a passar da parte de Deus. A chave para o entendimento dessa passagem está na palavra “pão”. A palavra hebraica traduzida aqui por pão, tem também outros sentidos, um deles é “grão”, usado em panificação, dessa forma o texto parece se referir a um antigo costume egípcio que os judeus conheciam bem, que era lançar a semente (grão) sobre as águas do rio Nilo, quando ele transbordava anualmente, dessa forma a semente ficava soterrada no local da cheia, quando as águas do Nilo recuavam àquelas sementes brotavam e davam a colheita devida.

http://marcosandreclubdateologia.blogspot.com.br/2011/03/interpretacao-biblica-lanca-teu-pao.html

Por que lançar o pão na água: ele estraga. Eu nunca havia pensado nisto. No “frigir dos ovos” a lição será a mesma, mas não atinava que a interpretação era figurada e não conhecia o possível evento que a originou, ou seja a semeadura sobre as águas do Nilo.

O que será que as Escrituras Sagradas estão nos ensinando aqui?

A palavra “pão” sempre foi figura daquilo que ganhamos no dia-a-dia. As pessoas nos indagam:

– “Você está indo pra onde?”

– Vou ganhar o pão de cada dia (trabalho).

Os estudiosos do AT, nos dizem que aqui há duas figuras:

1ª Figura: AS CHEIAS DO RIO NILO – Eles jogavam as sementes quando a enchente estava baixando, no final da baixa, as sementes do trigo e da cevada, floresciam.

2ª Figura: O COMERCIANTE – O comerciante pegava o seu barco, carregava com os bens que havia produzido e sai para comercializar em outras terras. “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.

http://joaodeca.blogspot.com.br/2007/08/lana-o-teu-sobre-as-guas-eclesiastes-11.html

 

 Pr. Olavo Feijó
Eclesiastes 11:1 –  Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.
Salomão quis escrever sobre generosidade na distribuição daquilo que temos. Aí, ele usou uma imagem que os leitores da época entenderam bem: “Atire seu pão sobre as águas: depois de muitos dias você tornará a encontrá-lo” (Eclesiastes 11:1).
O natural, na atitude neurótica das pessoas, é a possessividade: quanto mais tem, mais quer. Aliás, para muitos de nós, tudo deveria ser nosso: o dinheiro, as vantagens, as bênçãos e, até, as pessoas. Quem chega a este ponto, realmente acredita que doar é uma postura de amputação de si mesmo, de desfiguração…
A Bíblia é anti – neurose. Ela ensina que “dar é melhor do que receber”. Por isso, ela diz que necessitamos da reforma interior que Cristo realiza. O amor do Cristo, que é doador na sua essência, é o único poder capaz de transformar pessoas possessivas em pessoas generosas. Fomos salvos para ter o dom de compartilhar, tipo “vai faze o mesmo”, da parábola do Bom Samaritano. O negócio é acreditar na promessa bíblica e, corajosamente, atirar nosso pão sobre as águas.

http://devocionais.amoremcristo.com/devocionais_texto.asp?id=738

 

Daí o lúcido comentário encontrado na Bíblia on-line da Sociedade Bíblica do Brasil:

Bíblia on-line:

Lança o teu pão sobre as águas. O Bispo Lowth diz que isto significa: “Semeia a tua semente ou milho sobre a face das águas.” Em termos claros, semeia sem esperar pela colheita; faze o bem até mesmo a quem os teus préstimos parecem inúteis. O Dr. Jebb ilustrou isto muito bem nos seguintes textos: “Os favores feitos a homens maus são vãos; não menos vão é semear nas profundezas espumantes. A profundidade não proporciona colheita agradável; assim o perverso nunca dará retorno.” “Favorecer os perversos é semelhante a semear no mar.”

Outra ênfase que dão alguns comentaristas é que a semeadura, ou seja, a prestação dos benefícios, tem em mira “os pobres”, pois eles representam a “multidão” – no versículo simbolizada pelas “águas”. Estas outras porções bíblicas poderiam justificar esta tese:

Deuteronômio

15.7   — Se houver um israelita pobre em qualquer cidade da terra que o SENHOR, nosso Deus, vai dar a vocês, tenham pena dele e o ajudem.

15.8   Sejam generosos e emprestem todo o dinheiro que ele precisar.

15.10   Não dê com tristeza no coração, mas seja generoso com ele; assim o SENHOR, nosso Deus, abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer.

 

Provérbios

22.9   Quem é bondoso será abençoado porque reparte a sua comida com os pobres.

 

Salmos
41.1  Felizes são aqueles que ajudam os pobres, pois o SENHOR Deus os ajudará quando estiverem em dificuldades!

41.2   O SENHOR os protegerá, guardará a vida deles e lhes dará felicidade na Terra Prometida. Ele não os abandonará nas garras dos inimigos.

 

Mateus
25.40   — Aí o Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram.”

De minha parte prefiro o entendimento do Bispo Lowth, acima transcrito. O agir corretamente, com justiça, com integridade, com generosidade, deve ser cometido a todo momento, com quaisquer pessoas, pouco importando se haverá recompensa ou não. Os versos abaixo apoiam este entendimento. Isaias vai mais longe – a nossa bondade deve se estender ao boi e ao jumento (humano, ou não, naturalmente).

Provérbios

11.18   O ímpio recebe um salário enganoso, mas, para o que semeia justiça, haverá galardão certo.

11.25   Quem é generoso progride na vida; quem ajuda será ajudado.

Isaías
32.20   Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas e que dais liberdade ao pé do boi e do jumento.

 

2 Coríntios
9.6   Lembrem disto: quem planta pouco colhe pouco; quem planta muito colhe muito.

Gálatas

6.9   Não nos cansemos de fazer o bem. Pois, se não desanimarmos, chegará o tempo certo em que faremos a colheita.

Os versos de Eclesiastes 11:3-6 também dão suporte a esta forma de pensar. Até o verso 3, que parece meio deslocado, será que não está enfatizando: age corretamente, não importa quem se beneficiará; o justo agir existe para ser praticado, não importa em que banda aportará.

E não pare de agir com correção, não pare de semear – não é você quem escolhe onde a colheita será fértil. Nós não estamos aqui no planeta Terra para aprendermos a nos relacionarmos uns com os outros? Afinal, somos uma só alma. E a regra básica de nosso viver é “amar ao próximo como a si mesmo”, e como diz Yehuda Berg: “o resto é comentário”.

ESPERO CONTINUAR.


[i] Rodapé BJ: Alguns intérpretes pensam na isca lançada ao mar pelo pescador, que a retira na boca do peixe; outros pensam no comércio marítimo. Nesta série de sentenças sobre o risco, pode-se perceber a atitude que Coélet deseja a seu discípulo. Ele não quer desencoraja-lo na busca da felicidade, mas, ao preveni-lo dos imprevistos, quer tirar-lhe as ilusões. A conclusão do Coélet é positiva: deve-se trabalhar e enfrentar os riscos.

[ii] Rodapé BJ: Lit,: “como os ossos no seio da mulher grávida.”