Compartilho com meus amigos um pedacinho de um artigo do livro A Cabala da Comida de Nilton Bonder. É um comentário à “benção” que o Eterno, através de Moisés, recomendou que Arão utilizasse para abençoar os filhos de Israel.

“Que o Eterno te abençoe e te guarde.” Por que “abençoe” e “guarde”? Então aquele que é abençoado já não obtém tudo? Muitas vezes a prosperidade traz junto consigo coisas ruins, por esta razão os sacerdotes abençoavam assim. Desejavam que fôssemos “abençoados” pela prosperidade, mas que também fôssemos “guardados”, protegidos dela.

Daqui podemos derivar uma importante compreensão sobre a complexidade da vida. Há uma parceria constante entre este mundo e outros, entre o ser humano e a divindade. Pois a bênção não é o estado de graça, não é nela que se completa a expectativa humana de viver a vida. É no “guardar-se” que se estabelece um contato entre céus e terra. É da manutenção de portas abertas para outros mundos que advêm fé e capacidade de esperança. Nosso desejo, portanto, não é apenas esperar que estas se abram e despejem sobre nós bênçãos mas de aprender pacientemente a abri-las para um mercado de investimentos muito maior do que aquele que percebemos na dimensão material.

Guardar-se é, portanto, o complemento da bênção, que, como vimos, não determina que se é especial ou “benquisto”. Aquele que é abençoado muitas vezes cai na armadilha de achar-se especial. Quantas pessoas não criam a partir de suas bênçãos materiais visões do mundo que, na verdade, são empecilhos para seu real enriquecimento? …

A CALALA: DA COMIDA, DO DINHEIRO E DA INVEJA (A pessoa se conhece através de seu copo, seu bolso e a sua ira); BONDER, Nilton; @ 1999; Imago Editora, Rio de Janeiro, RJ; Livro dois – ACABALA DO DINHEIRO; VIII – Empecilhos à riqueza – O Outro Lado; pg. 264.