Duas semanas atrás, uma pessoa querida colocou em uma rede social uma foto, bonita, de uma jovem exuberante ladeada de alguns dizeres de quem sofre de “amores” e enfatizando o silêncio como forma de expressar seu sofrimento e, creio eu, como meio de se fazer notada. Como a idade já me colocou distante deste tipo de infortúnio, tentei fazer um comentário jocoso. Não caiu bem. Esqueci-me de que quando se está na fase das paixões, estes fatos que agora julgamos pequenos, realmente machucam.

Calou-me n’alma (gostaram?) esta mágoa involuntária que causei e levou-me a uma pesquisa na Internet, em alguns livros, nas mensagens arquivadas no computador, de textos que mencionassem a palavra “silêncio”. Que absurdo – quanta coisa!

Selecionei alguma coisinha que, aos poucos, espero compartilhar com vocês. Por coincidência, ou seria melhor dizer, por sincronicidade, no dia 25 fui informado do artigo Silêncio no Ashram, de Huberto Rohden, que rebloguei. Dando continuidade à série, presenteio-os com esta bela página de Camila Custódio.

 

 

SILÊNCIO

Quando as palavras já não expressam.

E qualquer pronunciamento parece oco e sem sentido.

Quando o infinito descaminho parece ser o que lhe resta.

E qualquer lágrima já não atesta tristezas…

Silêncio.

Não qualquer silêncio. Nem o vazio inexistente de pensamento.

O silêncio eloquente.

Aquele que tudo fala, tudo sente, tudo deseja.

O silêncio profundo, quase como uma prece.

E a pressa? E a razão? E o sonho? E o coração?

Nestes dias estranhos, apenas me calo.

Reparo na gota de orvalho que pousa na rosa.

Quanta beleza e tristeza!

Assim que os primeiros raios de sol despontam, evapora o orvalho amanhecido em esperanças de sobrevida.

As palavras d´alma também evaporam para um novo mundo desconhecido. Onde será que renascerão?

Lá, espero sorrir.

E dizer:

Estou feliz de estar aqui.

Camila Custodio

http://www.feijoo.com.br/reflexoes/?p=3365