Conheci RABINDRANATH TAGORE (maio/1861 – agosto/1941), poeta, romancista, músico e dramaturgo, Prêmio Nobel de Literatura (1913, pelas leituras de Huberto Rohden. Seus escritos são de muita delicadeza e profundidade. E nas poucas coisas que li deste autor, algumas falam de silêncio.  Aqui vai uma delas.

 

Mocidade

Passava leve, qual uma chama de oiro a arder em castiçal de prata, no silêncio da solidão.

E era tão bela e pura que, encantado, a segui, na poeira que se erguia à sua passagem.

 

Fascinado, após contemplar-lhe o vulto, de muito perto, atirei-me à frente e, ajoelhado, roguei-lhe a caridade de um sorriso seu.

 

Havia um límpido silêncio do ar, somente interrompido pelo estalido leve das estrelas ridentes, longe, muito longe. . .

Fiou-me, e notei-lhe a tristeza infinda:

 

– Não posso acariciar-te mais, amigo. .   Vou além. . . Os anos coroaram-te a fronte de sabedoria. . . Deixa-me seguir!

– Quem és?

 

MOCIDADE, vestida de ilusão!

 

FILIGRANAS DE LUZ – TAGORE, Rabindranath (pelo espírito de), FRANCO, Divaldo Pereira, Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1986, 3ª edição, pg 93.