Hoje gostaria de compartilhar com vocês um texto de Michael Berg, que recebo por ‘RSS’ e que podem encontrar, no original, em http://www.kabbalah.com/blogs/michael.

Na realidade este texto é do dia 17 de outubro/12 e tive a audácia de traduzi-lo. Refere-se à passagem bíblica do dilúvio – que todos nós certamente conhecemos (Gênesis, capítulos 6 a 8) – mas a aborda com uma visão bastante diferente da que os estudiosos cristãos a costumam expor.  É uma visão da Cabalá: preparem-se para assumir responsabilidades por suas vidas diárias.

 

 

               ” A leitura bíblica desta semana é, sem dúvida, a história do dilúvio. No entanto, o Zohar explica que essa porção da escritura também tem dentro de si os segredos para entender o processo pelo qual nossa alma passa no momento em que deixa este mundo. Entender esse processo dá-nos uma maior compreensão de como dirigir e liderar nossas vidas.

A Cabala ensina que há duas maneiras de deixar este mundo. Uma é através da transformação completa do desejo de receber para mim mesmo para o desejo de compartilhar. Uma pessoa pode, tal qual aconteceu com Rabi Shimon Bar Yochai e os grandes cabalistas, passar por um processo onde a alma deixa o corpo e se junta completamente, se unifica, com a Luz do Criador, alcançando o que Rav Ashlag chama devekut. Quando uma alma deixa um corpo em devekut, em completa união, isso é chamado o beijo da morte, não há dor ou escuridão. O corpo simplesmente se reconecta com a Luz do Criador.

Infelizmente, se uma pessoa não se transformou a partir do desejo de receber para si mesmo para o desejo de compartilhar, então há um processo diferente pelo qual  ele passa para a morte. A Gemara nos diz que quando uma pessoa está em seu leito de morte, ele olha para cima e vê uma entidade cheia de olhos, com uma espada. Na ponta da espada é que está a morte física, chamada “a poção da morte”. Quando a pessoa vê a entidade cheia de olhos, ela fica chateada – é importante entendermos que ele não diz que ele fica com medo – ele se torna transtornada, fica abalada com o que vê, por ver esta entidade cheia de olhos. A pessoa abre então a sua boca, e ingere essa “poção da morte”. É por isto que ela morre.

O cabalista Rabbi Natan Adler tem uma explicação para esta história. Ele explica que há duas categorias de ações que levam uma pessoa para esse tipo de morte. Uma é “ta’avah” – o desejo de ter algo para si mesmo, que não ajuda ninguém. A outra é “ga’avah” – ego, a necessidade de ter pessoas que a tratem com o respeito que ela acha que merece, ter as pessoas que a tratem como ela entende que deveria ser tratada, tornando-se irritada se não a tratarem desse jeito. Rabino Adler indaga: “qual é a base dessas ações?” A resposta é – o olho, os olhos físicos, a forma pela qual vejo como estas pessoas me tratam; a forma como vejo estas pessoas agindo em relação a mim. Eu vejo o que essa pessoa fez comigo. Os olhos vêm da raiz de cada uma dessas categorias: ou “ta’avah”, considerando: “Eu vejo isso, eu quero isso tudo para mim”; ou “ga’avah”, o ego: eu vejo que ele não está me tratando bem, vejo que ele não está trilhando o caminho adequado para agir em relação a mim. Cada uma dessas ações cria um olho, um olho que se torna a entidade de olhos que vemos no nosso leito de morte.

Por isso, e este é um segredo bonito e surpreendente – uma pessoa pensa que há um conceito chamado o Anjo da Morte, que traz a morte. No entanto, este não é o caso. Quando uma pessoa nasce neste mundo, tem o poder de viver para sempre. Não há força de morte que pode tocá-lo. Nós, infelizmente, criamos o nosso próprio Anjo da Morte. Quando uma pessoa tem praticado ações suficientes de “ta’avah” e “ga’avah”, quando criou um volume suficiente destes olhos, atingindo uma massa crítica de olhos construídos por suas próprias mãos e ações, o Anjo da Morte é revelado – é seu anjo pessoal da Morte, que ela mesma criou.

Então, o que acontece no momento da pessoa deixar este mundo? Ela fica abalada quando vê a entidade carregada de olhos. Não é porque ela tem medo da morte, ou porque vê o Anjo da Morte, mas sim porque vê o que tem feito. Uma pessoa, antes de deixar este mundo, vê os olhos. Ela abre sua própria boca, porque percebe, “uau, eu já causei toda esta destruição e esta escuridão e dor para mim e para os outros; eu vejo todas as ações do meu desejo de receber para a mim mesmo, todas as ações do meu ego que criaram esses olhos. Certamente eu preciso passar por outra encarnação. Eu preciso deixar este mundo e voltar.” O indivíduo abre sua própria boca e ingere a poção da morte …. porque ele percebe.

É um entendimento bonito e importante: se queremos saber como viver, temos que conhecer esse processo negativo de morte – porque nós temos o poder de evitá-lo. Se continuarmos a agir segundo o nosso ego, partindo do desejo de receber para o nós mesmo, então continuaremos a construir e fortalecer o nosso próprio Anjo da Morte, com os olhos que estão sendo criados. No entanto, por entender este processo e continuamente escolher para transformar nosso próprio desejo de receber para nós mesmos para o desejo de compartilhar, nós temos o poder de arrancar todos aqueles olhos e alcançar o nosso “devekut”, nossa própria reunificação com a Luz o Criador.”

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