COMPARTILHO COM VOCÊS UM BREVE REUMO DA PRIMEIRA AULA DO CURSO NOVA HUMANIDADE, PROFERIDO EM 29 DE MARÇO DE 1977 POR HUBERTO ROHDEN.

APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

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VAMOS, POIS, AO RESUMO DA 1ª AULA.

OBS: os textos em negritos são transcrições da palestra e obtidos da apostila em PDF.

 

Teilhard de Chardin ensina que a humanidade traça o seu itinerário através de quatro estágios:

Hilosfera            aesfera da matéria

Biosfera             a esfera da vida

Noosfera           a esfera da inteligência

Logosfera          a esfera da razão (a razão espiritual).

Estamos ainda no terceiro estágio: a noosfera, a esfera do noos, palavra grega para inteligência.  Vivemos na hilosfera, biosfera e noosfera. A este estágio daremos o nome de VELHA HUMANIDADE. Esta humanidade já existe a milhões de anos, mas ainda não alcançou a logosfera. O Cristo alcançou – outro homem teria chegado lá? Mas este “maior dos iniciados” afirmou: “Vós fareis as mesmas obras que eu fiz, fareis obras, até maiores do que eu”. É a nossa esperança de que atingiremos um dia a logosfera.

Há hipóteses de que tenha havido uma humanidade mais avançada do que a nossa sobre a face da terra. Mas não existem provas.

Mas o que sabemos desta VELHA HUMANIDADE, que existe a milhões de anos? Não há registros históricos. Não havia livros. Os livros mais antigos da humanidade datam um de 7.000 anos, e o outro de 3.500 anos. Aquele primeiro “A Sublime Canção”, este último “Gênesis”.

A Sublime Canção, ou “Bhagavad Gita” (sânscrito), foi dado a lume 5.000 anos A.C., no tempo dos Vedas, na Ásia, na Índia, oriente longínquo, não trata da origem do homem, mas da evolução da humanidade. A Sublime Canção, um livro sem autor, surgiu não em forma de livro, mas como tradição oral, passada de geração a geração, na Índia antiga. A cultura Oriental tem mais ou menos 7.000 anos – e é esta a idade que se atribui ao Bhagavad Gita[i]. Cerca de 2/3 da população da terra orienta suas vidas pelo Bhagavad Gita; nós os denominamos pagãos. Mas lembre-se: pagão não significa ateu – muitos são profundamente religiosos e místicos. Até mais espiritualizados que muitos cristãos. A Bhagavad Gita trata da evolução do homem ego (Arjuna) para o homem Eu (Krishna). Este é um tema atual entre nós, mas é conhecido da cultura oriental há 7.000 anos. A Bhagavad Gita não trata de outra coisa. O homem deve conhecer-se a si mesmo para poder se realizar plenamente. Sem autoconhecimento não há auto-realização. Se eu não sei o que eu sou, não posso viver como eu devo viver como homem integral, como homem perfeito. Isto é da Bhagavad Gita. Quer dizer, o primeiro livro que trata da evolução do humanidade nasceu na Índia, 7000 anos antes da nossa era.

Arjuna se encontra com Krishna no campo de batalha de Kurukshetra. Arjuna é um homem primitivo, um homem ego, habitante de hilosfera, biosfera e noosfera. É um homem realizável, mas não realizado, redimível, mas não redimido. Ao contrário, Krishna é redimido, plenamente realizado.

O Gênesis trata da origem do mundo, da humanidade, e também da evolução da humanidade. Foi escrito por Moisés[ii]. Trata-se de um hebreu, mas não se conhece o nome de sua mãe nem de seu pai. A Bíblia conta que foi criado por uma princesa egípcia, que o encontrou em um cesto, boiando no Nilo, e lhe proporcionou toda a sabedoria do Egito – que não era pouca coisa, mas invejável: eram peritos em magia mental; conheciam segredos da natureza que até hoje não descobrimos; construíram, sabe-se lá como, as famosas Pirâmides. Há quem sugere tenham sido os egípcios descendentes do povo de Atlantis, o continente que misteriosamente desapareceu. Moisés recebeu toda a sabedoria egípcia durante 40 anos; teve então que fugir do Egito, da África, pois cometeu um homicídio em defesa de um judeu; refugiou-se na Arábia, Oriente Médio, Ásia. Peregrino pobre é admitido como pastor de ovelhas de um Sheik-árabe de nome Ietro. Mas tarde casa com uma de sua filha, a mais velha, Zéfora. Viveu mais de 40 anos na Arábia – 40 anos no Egito e 40 anos com o sogro, guardando rebanhos. Eu estou certo que nesse tempo ele escreveu o Gênesis. Estou citando isto porque quando ele fugiu do Egito ele não tinha escrito o Gênesis. Ele escreveu o Gênesis nos 40 anos que ele foi pastor na Arábia. Era um tempo muito propício para ter inspirações e revelações de outro mundo. Os pastores, geralmente são muito videntes, muitos são clarividentes. O pastor dorme de dia e vigia de noite, porque de noite é um perigo para o rebanho. Os chacais, as hienas e os lobos invadem o rebanho de noite. São animais noturnos. Então o pastor tem que vigiar de noite e dormir de dia. De dia não há muito perigo. As longas noites sentado sob a luz das estrelas possibilitarem muita meditação, muita clarividência, muita cosmovidência. E nesta época nasceu o Gênesis, falando sobre o princípio do Universo e da humanidade, pelo menos em seus primeiros capítulos.

Pergunta-se como é que Moisés podia saber do princípio do Universo e do princípio da humanidade? Ele assistiu a isso[iii]. E vocês vão dizer. Não assistiu o princípio do Universo porque o Universo não começou há 3500 anos. Começou há bilhões e bilhões de anos antes de nossa era, como é que ele assistiu ao princípio do Universo? A creação dos mundos e mesmo a creação da humanidade, que também tem milhões de anos? Eu afirmo que ele assistiu a tudo isto. Vocês ficam espantados por eu dizer tal coisa mas eu afirmo que Moisés assistiu ao princípio do cosmo e do homem.

Tempo e espaço são pura ilusão. Não existe nenhum passado e não existe nenhum futuro, tudo é presente. Sucessividade é uma ilusão. Simultaneidade é a verdade. E como é que falamos do passado; como é que falamos do futuro? Os profetas e os videntes não conhecem o futuro? Não, não conhecem: eles vivem no presente, por esta razão são profetas, são videntes.

Quando dependemos de nossos cinco sentidos, acreditamos em passado e futuro; são eles que nos dão a ilusão que uma coisa já passou e que outra coisa ainda não aconteceu. Se pudéssemos conhecer alguma coisa independentemente dos sentidos, pelo puro espírito, que é nosso Eu… É até difícil pensar nisto. Os nossos sentidos são do ego físico, enquanto o nosso Eu é puro espírito, mas está em um invólucro de matéria que o obriga a acreditar nos sentidos. Dependemos inteiramente dos nossos sentidos.

Mas há certos homens que, em momentos estranhos, se emancipam da escravidão dos sentidos. São poucos, mas de vez em quando aparecem. Conhecem a realidade independentemente dos sentidos. São os clarividentes, os cosmovidentes, ou que outro nome tenham. Sempre existiram e ainda hoje existem.

Moisés deve ter sido um grande clarividente. Quando ele estava sentado 40 longos anos no meio dos seus rebanhos, das estepes da Arábia sob a luz das estrelas da meia noite, ele deve ter intensificado a sua visão cósmica a tal ponto que ele se emancipou dos sentidos. Ele não precisava ver, ele não precisava ouvir, ele não precisava tanger. Ele não precisava nem pensar. Ele entrou na intuição espiritual…O clarividente não depende dos sentidos, não depende da inteligência; o que recebe, o que percebe vem diretamente do cosmo, da alma do Universo.

A Alma do Universo nos invade quando nós estamos em estado de intuição espiritual. Isto é o estado mais avançado da humanidade… Você pode chamá-lo intuição, inspiração, revelação. Neste estado nada passou, tudo é presente. Não há futuro, futuro é presente. Aniquilaram-se as ilusões do tempo e tudo entrou na grande verdade do presente, da eternidade.

Presente é a eternidade, eternidade não é tempo, não é soma total dos tempos. Tempo é passado e futuro. Presente não é tempo, presente é eternidade.

Moisés deve ter vivido na eternidade do presente. E, na eternidade do presente, vendo a creação do Universo, escreve: “No princípio crearam os Elohim os céus e a terra”. Ele nunca fala em Deus: os Elohin (plural) – as potências cósmicas. “Crearam” indica passado para nós, porque ele estava narrando fatos para não clarividentes.

No presente, na eternidade, tudo é simultâneo, nada é sucessivo. É difícil entendermos isto. Só o compreenderíamos se estivéssemos em êxtase (grego), ou samadi (hindus), ou satori (zen-budistas).

Dean Dickison, uma clarividente da Califórnia, 2 semanas antes da morte do Presidente Kennedy, procurou as autoridades para relatar o que ocorreria. Não lhe deram ouvidos. Ela também não viu o futuro, viu o presente.

No princípio crearam os Elohim os céus e a terra”. Na eternidade não há tempo, portanto não há “princípio”. Quando os Elohim deram início à creação, surgiu o princípio, que um dia terá fim. Note que Moisés nunca fala em “Deus”; fala em “Elohim”, melhor traduzido por “potências cósmicas”.

Spinosa, também judeu como Moisés,o grande monista do século XVII, chamaria estas “potências” de “Alma do Universo”. Diz ele: “Deus é a alma do Universo e o Universo é o corpo de Deus”.

Foi dito por Moisés há 3.500 anos antes de nosso tempo que, no princípio, os Elohim crearam os céus (no plural), isto é a luz cósmica. Quando esta luz se condensou apareceu a matéria, pois matéria não é outra coisa senão luz condensada, como ensina Einstein, confirmando o que havia dito Moisés séculos atrás, de forma intuitiva.

Moisés informa que os Elohim criaram o Universo em 6 períodos, em 6 Yom – cuja melhor tradução é período (que pode corresponder a milhões de anos), e não dia, como se encontra na maioria das traduções bíblicas. No primeiro Yom disseram: “Haja luz”. Que luz? O sol e as estrelas só apareceram no 4º período: Luz cósmica – “no princípio crearam os céus…”. Desta luz cósmica surgiu a matéria.

Depois vem a história da origem da humanidade, um perfeito paralelo com a Bhagavad Gita: Arjuna estava no campo de Kurukshetra, na Índia e encontrou-se com os seus inimigos, os Kurus. Ele era dos Devas. Os Devas são os bons espíritos. À vista do inimigo Arjuna deita ao chão o seu arco e flechas, totalmente abatido e desanimado. Aparece Krishna, o Eu superior, o homem plenamente realizado, que o exorta a combater – “Mas eles são todos meus parentes, são os meus antepassados, são meus pais, são meus irmãos, são meus amigos e meus mestres (está lá). Eu vou derrotar todos eles que são meus mestres e meus parentes?”.  Derrota-os, determina Krishna.

Mahatma Gandhi, o grande iniciado de nosso século,  e Rabindranat Tagore, poeta místico da Índia,  os dois grandes intérpretes da Bhagavad Gita dizem: “Isto é simbólico. Krishna não manda matar fisicamente os inimigos. Aqueles inimigos são as coisas do ego e Arjuna tem medo de derrotar as coisas do ego”. Krishnainsiste:“Os Devas estão contigo, O Eu divino está contigo e te ajuda na luta. Derrota o teu ego, dá triunfo ao teu eu, porque o ego usurpou o trono e o reino do teu EU divino. Tu tens obrigação de conquistar o reino, o trono do seu eu divino, seja quem for o usurpador”.

É a mesma coisa no Gênesis: Moisés põe o homem no campo de batalha: a tentação. Lá há 2 poderes. Exatamente como na Bhagavad Gita. O poder superior divino e o poder inferior humano. O poder superior no Gênesis se chama o sopro de Deus. E o poder inferior se chama o sibilo da serpente. A serpente representa o ego. E o sopro de Deus representa o EU. Agora Adão, o primeiro homem foi colocado no campo de batalha entre o ego inferior e o eu superior. Exatamente com Arjuna no campo de batalha de Kurukshetra, na Índia.

Seja Bhagavad Gita, seja o Gênesis, o homem começa no campo de batalha, na luta entre 2 poderes. E o homem tem que decidir o que ele vai fazer. Ou ele se deixa derrotar por seus inimigos, ou ele derrota os seus inimigos.


[i] Lembre-se que a cultura Ocidental, a cultura Europeia, não passa de 2.500 anos. Começa com a filosofia grega que data de 500 anos A.C. No Novo mundo, herdeiros da cultura Europeia, temos cerca de 600 anos.

[ii] Êxodo, capítulo 2

[iii] O grifo é meu.