Breve resumo da segunda aula do Curso NOVA HUMANIDADE, ministrada em 5 de abril de 1977 por HUBERTO ROHDEN.

OBS.: em negrito e itálico os textos transcritos da apostila de transcrição da aula.

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

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Vamos à segundas aula.

 

 

Rohden inicia sua aula repetindo inúmeras informações dadas na 1ª palestra a respeito da Bhagavad Gita e do Gênesis, no intuito de deixar claros os fundamentos da Nova Humanidade, começando pelo conhecimento da Velha Humanidade.

Lembra que Moisés morreu com 120 anos, em plena juventude. Aliás, não morreu, ele se desmaterializou. Quando ocorreu a transfiguração de Jesus, no monte Tabor, lá estava Moisés, bem como Elias que, segundo as escrituras, também não morreu. Dos que tiveram seu corpo material transformado em corpo astral, faltou, naquele Momento, Enoc. E estes, Jesus, Moisés, Elias e Enoc, seriam o cerne da terceira humanidade.

Moisés narra, 1.500 aC, que no princípio disseram os Elohim (as Potências Cósmicas): “Haja Luz” – e houve Luz, não a luz do dia (que só surgiu no terceiro período), mas Luz Cósmica que, provaram os cientistas – Einstein à frente – é a origem dos 92 elementos da química e base de toda a matéria.

No sexto período disseram os Elohim: “Vamos crear o homem a nossa imagem e semelhança”. A novidade aí está na expressão “a nossa imagem e semelhança”.

Os minerais, os vegetais e todas as creaturas já creadas não eram à imagem e semelhança dos Elohim. As creaturas eram padronizadas, cristalizadas, prontas, que não se podiam modificar essencialmente. Não possuíam a creatividade que se chama de livre arbítrio. Podiam produzir “produtividade”, mas não creatividade. O nosso EGO pode produzir, mas não pode CREAR. Contudo, o nosso EU pode, além de produzir, crear.

Os Elohim resolveram crear uma creatura creativa que se pudesse crear melhor a si mesmo do que os Elohim a crearam. Isso está no Gênesis.

No século XX, lá na França, um pensador disse: “Deus creou o homem o menos possível, para que o homem se pudesse crear o mais possível”. Era um pobre ferreiro, não um erudito, mas um sábio. “Deus creou o homem o menos possível, para que se possa crear o mais possível.” Isto está baseado no Gênesis. Os Elohim puseram aqui no planeta terra uma creatura potencialmente creadora que se pudesse tornar melhor do que foi feita pelos Elohim, e também pudesse se tornar pior do que foi feita. Porque se alguém puder tornar-se melhor do que foi feito, é claro que também se pode tornar pior do que foi feito.Porque o livre arbítrio supõe dois caminhos.

Quer dizer, somos, neste planeta Terra, as únicas creaturas creadoras, temos elasticidade de sermos melhores ou piores do que somos. As creaturas creadas não têm elasticidade, são rígidas, cristalizadas, padronizadas na sua natureza. Não podem se tornar moralmente ou espiritualmente melhor ou moralmente ou espiritualmente pior do que são. Podem passar por uma evolução física – e de fato todas passaram -, mas não podem passar de uma evolução física para uma evolução metafísica.

Nós, os humanos, somos potencialmente melhores do que fomos creados, embora, atualmente, sejamos piores do que os Elohim nos fizeram. Temos elasticidade, somos creaturas plásticas que podem melhorar para cima ou piorar para baixo. Isto se chama creatividade – creatividade positiva ou creatividade negativa, o que se chama também Livre Arbítrio.

Moisés conta que, terminado cada um dos cinco primeiros períodos de criação (períodos de milhões e milhões de anos), diziam os Elohim: “está bom”. Mas quando criaram o homem, no sexto período, à sua “imagem e semelhança”, disseram: “Está muito bom”. Por que essa diferença entre creação do homem e outras creaturas? Porque há uma diferença muito grande entre nós e as outras creaturas.

Ser “bom”, significa apenas ser uma creatura creada. Ser “muito bom” é ser creatura creadora. Supõe ter um poder muito maior do que todo o resto da creação. O inédito desta creação dos Elohim é a creação de uma creatura que participava da creatividade do próprio Criador. O Creador é infinitamente creativo, mas, se o Creador dá uma parte da sua creatividade a uma creatura, como deu a nós, então nós somos imagem e semelhança do Creador. Nisto consiste o sermos “imagem e semelhança” do Creador.

(Rohden faz um parêntesis em sua preleção para justificar os seus neologismos, como o do verbo “crear”, necessários à correta exposição de sua filosofia, tendo em conta a pobreza de nossa língua nesta área).

Por isso o Gênesis diz: “Quando os Elohim crearam o homem, disseram, agora isto é coisa muito boa.” Eles louvaram a sua própria obra porque era a melhor de todas as obras que tinham feito. E aqui começa a nossa história.

Quando o homem recebeu o sopro divino tornou-se um creatura creadora para o bem e para o mal. Mas por que não recebemos a potencialidade de só nos tornarmos melhores? Se assim fosse, onde estaria o livre arbítrio? Se há dois caminhos, há escolha,há livre arbítrio. Quem só pode se tornar melhor do que foi feito, não teria livre arbítrio.

Os Elohim crearam uma creatura livre, não infinitamente livre – totalmente livre só o Criador -, mas parcialmente livres. A natureza, governada por leis mecânicas ou orgânicas, instintos que agem automaticamente, é totalmente escrava; o Creador é inteiramente livre e nós estamos equidistantes do Creador e das creaturas creadas. Não somos livres nem escravos, mas liberáveis. Temos potencialidade libertadora – e também escravizadora. Somos potencialmente livres, mas não somos atualmente livres. Podemos nos libertar da escravidão das outras creaturas.

Quando eu me escravizo mais, então eu sou vicioso, e quando eu me liberto mais, então eu sou virtuoso. Mas, a natureza não pode ser viciosa nem virtuosa. Onde não há liberdade não há vício e não há virtude, no sentido que nós tomamos as palavras. Nós somos a única creatura aqui na terra que podemos ser viciosos ou virtuosos. Que podemos nos tornar piores ou melhores do que somos. Nós temos pelo menos uma semelhança com Deus, podemos nos tornar melhores do que Deus nos fez.

Onde há somente o melhor, não há liberdade. Vão dizer, então Deus não é livre? Isto nós vamos falar ainda outra ocasião. Alguns pensam que a liberdade potencial inclui também a liberdade atual, o que vamos falar em outra ocasião, para não dispersar muito a matéria.

Vou repetir o seguinte: nós temos livros de grande intuição, que viram a origem do homem, e viram que o homem era essencialmente uma coisa inédita. Ele não foi apenas um animal aperfeiçoado, como inventaram no século passado os darwinistas. Que nós somos apenas um animal muito aperfeiçoado, por isso somos homens. Isto é matematicamente impossível, que o menor faça o maior. O maior pode fazer o menor, mas o menor não pode fazer o maior.

Disse Teilhard de Chardin:”O homem é uma descontinuidade da vida, na continuidade da vida.” A vida já existia, já existiam muitas vidas antes do homem – isto se chama “continuidade da vida”. O homem foi enxertado nesta vida já existente, mas recebeu o “sopro Divino”, isto é, ele é um novo início, um novo estágio, uma descontinuidade. Possui creatividade, livre arbítrio, pode se tornar moralmente melhor ou pior do que foi criado. Não é simplesmente um animal aperfeiçoado pela evolução. Também não fomos feitos de um pedaço de barro. O Gênesis não diz isto. Os textos hebraicos, grego, Vulgata, dizem que o homem foi feito de uma substância orgânica da terra. Barro é substância inorgânica. O corpo do homem foi feito de uma substância organizada – qual? Não sabemos. Mas deveria ser um ser vivo, este que recebeu o sopro divino. Este ser vivo não era ainda um ser humano, mas passou a sê-lo com o sopro divino. Os Elohim sopraram na face de Adão o espírito da vida superior. Não da vida animal que já existia, mas da vida espiritual.

Teilhard de Chardin diz que nós viemos da Hilosfera( esfera da matéria) , pela Biosfera (esfera da vida), através da Noosfera(esfera da inteligência) e vamos até a Logosfera( esfera da razão). Este é o itinerário: viemos do mundo material, entramos no mundo vital, chegamos à inteligência e rumamos para a razão, para a espiritualidade.

Advertência: Logos, do grego, quer dizer razão. Mas razão não é inteligência. O nosso Ego possui inteligência, mas somente o nosso EU superior possui razão, somente o EU superior é racional, o que o povo costuma chamar espiritual (mas a filosofia não usa este termo). Se fôssemos racionais haveria fraternidade universal, não haveria guerras, não haveria crimes, nem ódios, nem mentiras… Acredito que Mahatma Gandhi estava na logosfera, por isto diz: “Eu vou conseguir a libertação da Índia depois de 150 anos de escravidão, mas eu não vou matar ninguém”. E mais adiante: “Ninguém deve matar um inglês, todos devemos amar os ingleses, devemos amar tanto, que eles saiam da Índia, expulsá-los à força de amor.” Lord Mountbatten, declarou a independência da Índia, em Nova Deli.

Gandhi ainda afirmou: “Quando um único homem chega à plenitude do amor, ele neutraliza o ódio de muitos milhões.” Racionalidade é Amor, como afirma Albert Schweitzer: O amor é a mais alta racionalidade”.

Então Teilhard de Chardin, disse: o homem veio da Hilosfera da matéria, passou pela Biosfera da vida e está agora na Noosfera da inteligência, mas ainda não chegou até a Logosfera da razão. Quer dizer, este é o itinerário evolutivo da humanidade.

Lá de baixo, com os pés na matéria, atravessamos uma camada superior chamada vida. Aí passamos para dentro duma camada ainda mais alta, que se chama inteligência, que estamos agora, triunfantemente! Mas falta o quarto estágio da evolução. Ainda não chegamos à razão, ainda não somos seres racionais, somos seres apenas intelectuais.