SILÊNCIO XIII

Que tal orar com Tagore?

 

Ora comigo, alma inquieta, em silêncio,

Abrindo a boca sem voz de teu coração e dize:

Eu Te adoro, Construtor das estrelas,

E deslumbro-me na luz dos olhos faiscantes delas,

Por onde me vês.

Contemplo o mar e, no seu vozeirão,

Escuto Tua boca poderosa soprar nas ondas nervosas,

            Que se despedaçam receosas nas areias brancas.

Ouço os ventos,

E entendo a linguagem andante do Teu poder.

Oh! Clara manhã,

            Afoga minha noite nos teus olhos de luz!

Oh! Gota de água,

Umedece os lábios queimados da minha indignidade,

            Para chamar pelo meu Senhor!

Oh! Amor, rompe, rompe meu peito,

Com tuas adagas e floretes,

            Para que Seu grande Amor vença minha infinita

                        Pequenez,

Mergulhada nas águas turvas dos meus erros!

Ora assim, coração,

Em silêncio de fora

E em cântico por dentro,

No Templo da Natureza,

Onde Ele reside!. . .

FILIGRANAS DE LUZ – TAGORE, Rabindranath (pelo espírito de), FRANCO, Divaldo Pereira, Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1986, 3ª edição, pg 69.