Breve resumo da sétima aula do curso A NOVA HUMANIDADE, ministrada por Huberto Rohden em 03 de maio de 1.977.

 

Rohden inicia sua palestra apresentando seus dois volumes da Septuaginta, texto grego das Escrituras publicado pelo Instituto Bíblico de Stuttgart– Alemanha, de onde obtém as referências do livro de Gênesis.

A seguir, usando ilustrações do livro “The serpent powe[i]r”, o poder da serpente, mas na sua versão alemã, comenta sobre os chacras e sua correspondência com a árvore do bem e do mal e a árvore da vida. Faz referência à kundalini, o olho de shiva e a flor de lótus.

Agora vamos retomar o fio, vamos repensar o que Moisés pensou 3 500 anos antes da nossa era. Quando Moisés concebeu a origem do universo e a origem do homem, por intuição cósmica, encontrava-se na Arábia e teria entre 40 a 80 anos. Até os 40 anos viveu na corte do Faraó, no Egito. De lá foi expulso porque quis libertar o povo judeu que há 400 anos servia o Faraó, especialmente como bons operários de suas obras monumentais. Como subversivo deveria ser morto e assim o desejavam os príncipes do Egito. Mas o faraó, não se sabe se Ramsés I ou Ramsés II, teve uma inspiração estranha, como foi bem representada no filme “Os dez mandamentos”, e toma outra decisão: Moisés, tu que és um traidor, um subversivo, eu te condeno para a vida.” Expulso do Egito, esperava-se que morresse no deserto. Não a morte imediata, mas pelo menos a solidão do deserto. Foi o maior beneficio que o faraó fez a Moisés, pois se não fosse isto, nós não teríamos nem o Gênesis: na solidão caminhou até a Arábia, e se tornou pastor de ovelhas – e nas longas noites de vigília tornou-se tremendamente intuitivo. A sociedade favorece à análise, às conversas e aos pensamentos, mas, a solidão favorece a experiência cósmica. Na solidão, a gente deixa de ser ego-pensante e se torna pouco a pouco cosmo-pensado.

Quando não pensamos mais por nossa conta, somos pensados pela própria Alma do Universo. Nos tornamos intuitivos. Moisés teve sua visão cósmica que tentou transmitir em hebraico; mas como uma intuição cósmica não se pode reproduzir em pensamentos analíticos, teve de lançar mão de parábolas – assim como Jesus usou 30 parábolas para dizer o que era o Reino de Deus.

Então Moisés fez a mesma coisa, isto é, usando parábolas descreveu como o homem apareceu neste mundo – portanto, dito em forma de parábola, a descrição não pode ser tomada ao pé da letra. As parábolas têm que ser adivinhadas, interpretadas e não podem ser analisadas intelectualmente. Então Moisés narra que os Elohim (as Potências cósmicas – não usa nunca a palavra Deus), após criarem as creaturas minerais, vegetais e animais, resolveram crear o homem, resolveram crear uma outra creatura, diferente daquelas que já existiam; mas, serviram-se de uma creatura já existente para lhe comunicar o espírito dos Elohim.

Teilhard de Chardin, em seu livro “O Fenômeno Humano” explica isto muito bem. Imagine uma linha horizontal que são as creaturas minerais, vegetais e animais, já existente. De repente, uma linha vertical desce sobre a linha horizontal. Isto é a invasão do espírito dos Elohim sobre uma creatura viva já existente. Pelo Gênesis é evidente, e pelo Apocalipse é evidente, que o espírito dos Elohim (o espírito divino) foi comunicado a uma creatura que já existia, mas ainda não tinha espírito. Isto é evidente, pelo Gênesis. O Gênesis diz que a Zoé foi comunicada a psyché. Psyché quer dizer vital; Zoé quer dizer vida, mas não vegetal ou animal, mas espiritual. Então, o Gênesis diz: Os Elohim comunicaram à sua Zoé, a psyché. Comunicaram a sua vida espiritual à vida vegetal e animal, que já existia antes de nós, mas, não existia ainda a vida espiritual. E agora a vida vegetal e animal entram em conflito com a vida espiritual. Esta descrição dramática do Gênesis, em forma de parábola toma estas duas vidas: a vida nova de Zoé enxertada na vida antiga da psyché animal. Entra em conflito porque a psyché se revolta contra o advento duma vida nova, duma vida espiritual que ela não quer aceitar. Daí resulta a dramática luta descrita por Moisés entre as duas vidas: a material e a espiritual.

Psyché e Zoé ocorrem sempre na Septuaginta grega, onde se encontra também paradeisos e Éden. Paradeisos quer dizer “viveiro”, e Éden[ii] quer dizer “gozo”. Então, Éden não é nenhum lugar: os Elohim colocaram a sua nova creatura, que havia recebido o espírito de Deus, dentro do Paradeisos-Éden, isto é, em um viveiro de gozo. O Gênesis não supõe que isto seja um lugar, mas supõe que era o corpo humano. Colocaram o espírito divino dentro do corpo humano e o corpo humano é chamado, o viveiro do gozo. Não se esqueçam disto.

Então, continuando, Moisés diz: E quando o espírito tinha sido colocado no viveiro do gozo, os Elohim disseram: “Neste viveiro há duas árvores, uma é a árvore do conhecimento do bem e do mal, e a outra é a árvore da vida”.         Mas o que é que Moisés chama de árvore? São duas faculdades do corpo humano: uma faculdade material e outra faculdade espiritual. O viveiro é nosso corpo; as duas árvores estavam lá plantadas. A nossa Alma foi plantada no meio do nosso corpo, porque o viveiro é nosso corpo. E no viveiro plantadas duas árvores, ambas no centro, mas uma embaixo e outra em cima, na mesma linha vertical.

Mas vamos entender melhor o que são estas duas árvores.

Há dois mil anos que se escreve sobre a árvore ao bem e do mal. Disseram os Elohim: “Vós não deveis comer do fruto desta árvore pois, se comerdes, morrereis.” O que Moisés quis dizer? Bem, quem tem uma visão cósmica não consegue transmitir aos outros o que viu. Foi o que aconteceu ao apóstolo Paulo que, após arrebatado ao terceiro céu, disse ter ouvido ditos indizíveis; Com Jesus acontecia a mesma coisa e por esta razão usava parábolas: “O reino de Deus é semelhante a …” Moisés também usa parábola quando diz: “Havia duas árvores no viveiro do gozo”. O viveiro do gozo é nosso corpo e as duas árvores que estavam plantadas no meio de nosso corpo e ambas concedem gozo, mas os Elohim proibiram ao homem de comer do fruto da primeira árvore.

Vamos ver o que é a árvore do conhecimento. Esta palavra conhecer é uma palavra bíblica que ninguém compreende. A Bíblia constantemente usa a palavra conhecer quando fala de relações sexuais. Constantemente! Veja lá: Adão conheceu sua mulher e ela concebeu. Teve relações sexuais com ela e ela concebeu. Está no Gênesis, conhecer se chama isto, conhecer é ter relações sexuais. E Maria no Novo Testamento…- no Evangelho, o anjo Gabriel aparece a Maria e diz: “-Serás mãe!” E Maria diz: “-Como é que vou ser mãe, eu não conheço varão?”… mas ela não conhecia José? Não era noiva de José? Como é que Maria afirma que não conhece homem? Ela não quer dizer que não conhece mentalmente. .. Ela quer dizer: “-eu não tenho relações sexuais com nenhum homem.” Isto está lá, no Evangelho. Ela usa a palavra conhecer, em vez de dizer: “-Eu não tenho relações sexuais com nenhum homem, e por isso não posso ser mãe. Quando o homem de Deus lhe explica que ela não precisa ter relações sexuais, mas, que ela será fecundada por uma vibração superior,..então ela  consente em ser mãe, mas, sem relações sexuais. Outra vez ela usa a palavra conhecer. Quer dizer, a árvore do conhecimento é a árvore da sexualidade.

Vocês precisam saber que a Bíblia usa constantemente o verbo “conhecer” em vez de “ter relações sexuais”. Então, o que disseram os Elohim foi “Não deveis comer do fruto das coisas sexuais, porque o fruto disto dá corpo mortal”. E é evidente: nós podemos dar vida a um filho, mas não vida imortal. Ninguém pode criar um corpo imortal pelo sexo. Os filhos assim concebidos vivem anos e depois morrem. O nascimento e a morte, no Gênesis, são chamados de o bem e o mal.

Os animais eram mortais, mas os Elohim queriam crear o homem imortal. Por isto o proibiram de comer do fruto da árvore do bem e do mal; aqui está o grande mistério, que o homem fosse imortal não só no espírito, mas também no corpo. O Gênesis supõe que haja homens imortais, não só fisicamente, mas também espiritualmente. Como isto é possível?

            De vez em quando aparece no Antigo Testamento um homem imortal em corpo. Poucos aparecem aí. De Enoc[iii], diz a Bíblia que ele nunca morreu. Ele foi transformado em outro corpo. De Elias[iv], a Bíblia diz a mesma coisa. Ele foi arrebatado às alturas numa chama de fogo que eram nuvens de fogo…  Moisés[v], que nunca envelheceu, com 120 anos subiu ao monte Nebo, olhou para a terra que havia sido prometida ao seu povo, e nunca mais voltou. Ele se desmaterializou e transformou o seu corpo material num corpo astral. O corpo astral é um verdadeiro corpo, mas, é feito de pura energia. Não de energia congelada, que é matéria como diz Einstein, mas, de matéria descongelada que é pura energia. Quando, no Tabor, na transfiguração de Jesus estavam presentes Moisés e Elias. Então a Bíblia conta que Enoc, Moisés, Elias já se imortalizaram na vida presente – os seus corpos e não só os seus espíritos.

Será que isto, nunca mais aconteceu? É claro que aconteceu. Quem leu “Autobiografia de um Iogue”, de Paramahansa Yogananda, sabe que Babaji, aquele grande iogue do Himalaia, nunca morreu; há trezentos anos está aparecendo e desaparecendo; aparece, reúne seus discípulos o mês inteiro e depois diz: “Agora chega, vou-me embora.” E na Europa? Por volta de 1780/1790 apareceu o Conde de Saint Germain, sempre aparentando idade de 40/45 anos. Dava-se muito bem com reis e rainhas e preveniu os reis de França que seriam guilhotinados se não mudassem seu proceder; fluente em 12 línguas – incluindo grego, hebraico, latim, sânscrito…- fabricava suas próprias joias, com pedras preciosas, com o poder da mente; desapegado dava a quem manifestasse interesse qualquer diamante, qualquer pedra preciosa, qualquer joia sua. Pouco depois, no tempo de Napoleão Bonaparte, ele apareceu pela última vez, na Europa, 1825, parece que foi, e disse: “Eu me vou retirar para a Ásia, para o Himalaia, e voltarei só nos piores dias da humanidade do ocidente.” Ainda não voltou, está esperando dias piores, no fim desse século.

Quer dizer, isto de ter corpo imortal não é só do Antigo Testamento. Quando queriam tirar a vida de Jesus ele dizia: “Ainda não é chegado o meu tempo…” Mas no fim de sua vida disse: “Destruí este templo do meu corpo, e, em 3 dias eu vou reedificá-lo.”   Isto é o poder do espírito que era prometido no princípio da humanidade, se eles não comessem do fruto do conhecimento do bem e do mal; porque esta árvore, não dá vida eterna ao corpo, mas, se eles comessem duma outra árvore, então, eles teriam a vida eterna. Que árvore da vida é esta? Está no meio do viveiro do gozo, aqui em cima está o último chakra. Os hindus já sabiam muito bem disto.

Quer dizer, as duas árvores estão no meio do corpo: a árvore do conhecimento do bem e do mal, que não dá vida eterna, mas apenas temporária, e que Moisés identifica com “relações sexuais”; e a árvore da vida, que não produz nascimento e morte – viver sem nascer, nem morrer, diz Moisés, daquela outra árvore que também está no viveiro do gozo, não no mesmo lugar, mas mais em cima.

Escute, eu já expliquei uma vez, que nós temos na coluna vertebral 6 centros de consciência energética; desde o primeiro, embaixo, até o segundo ou terceiro, eles fazem parte da árvore do conhecimento do bem e do mal. E depois do coração para cima, nós temos mais 3. Do coração, na altura da laringe. E, depois atrás, no cérebro, são 6. E vem o 7o- aqui na base da testa que os hindus chamam, o olho de Shiva. O olho de Shiva é da base da testa, entre as sobrancelhas, onde convergem todos os nervos mais sensíveis que partem da parte traseira do cérebro, e estão em contato com a coluna vertebral, e produzem o mais alto grau de consciência. Isto é o olho de Shiva, na filosofia oriental. O olho do Cristo na nossa filosofia. E, no Evangelho se chama isto o olho simples.

Jesus disse: “O teu olho é a luz do teu corpo”. Muitos traduzem “os teus olhos”, mas Jesus não usa o plural, não se refere a estes dois olhos que fazem parte do corpo. Ele está se referindo a este centro da consciência espiritual. A Luz é imortalidade; a minha consciência espiritual pode imortalizar o meu corpo. Se eu intensificar a minha consciência espiritual eu posso até deixar destruírem o meu corpo e reconstruí-lo novamente. Jesus o fez e outros o fizeram também. E também não teríamos doenças, pois nosso corpo estaria “lucificado” pelo olho simples. As doenças não fazem parte da natureza humana. As doenças são falta de consciência espiritual. Jesus e nem Moisés nunca estiveram doentes.

Então temos duas árvores: a árvore do conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida. “Se comerdes da árvore da vida, então sereis imortais.” Mas, infelizmente, esta árvore está defendida pelos Querubins, os anjos da imortalidade, e “pela lâmina do fogo vibratório”. Aqui estão os chakras, e a filosofia oriental diz que eles entram em vibração na proporção do aumento de nossa consciência. Este chakra aqui embaixo está quase parado; o segundo tem uma pequena vibração e, a medida que sumimos, aumentam as vibrações. Neste último, na base da testa, há uma vibração vertiginosa que se irradia para o alto da cabeça, como se fossem chamas, formando o lótus de 1.000 pétalas. E Moisés diz: “esta árvore da vida está defendida por uma lâmina de fogo”. Tudo é a mesma coisa, o que diz Moisés e o que se diz na Índia.

Quer dizer, se chegássemos ao zênite da consciência espiritual, chegássemos ao nosso olho simples: “Eu sou espírito, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai”, estaríamos chegando árvore da vida, não só vida eterna para nossa alma, mas também para nosso corpo; “se o teu olho for simples, todo o teu corpo estará em luz, mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará em trevas” Trevas são a morte, Luz é vida.

Quer dizer, tanto o Gênesis como o Evangelho afirmam que o homem pode imortalizar o seu corpo. Não pela reencarnação, que é apenas um regresso, mas pela evolução superior da nossa consciência. Não é preciso que seja o corpo físico, porque os que transformaram o seu corpo físico em corpo astral também não têm corpo físico. Têm corpo astral, mas o corpo astral também é corpo. E ele também pode ser mortal, mas nós podemos imortalizar o corpo astral.

 

 

[i] Autor: Arthur Avalon, cujo nome verdadeiro é John Woodroffe, que foi alto funcionário da justiça britânica na Índia.

[ii] Hoje Hedoné – daí hedonista, os gozadores.

[iii] Gen 5:24

[iv] IIReis 2:1-11

[v] Deut 34:1-7