Resumo da oitava aula do curso NOVA HUMANIDADE, proferida em 17 de maio de 1977 por HUBERTO ROHDEN.

 (HAVIA UM GRÁFICO AQUI, MAS, INFELIZMENTE, NÃO SEI COMO POSTÁ-LO. ESPERO QUE A DESCRIÇÃO SEJA SUFICIENTE PARA COMPREENDÊ-LO)

 Vejamos se este gráfico nos ajuda a entender o que disse Moisés, em forma de parábola, no Gênesis, há quase 2.000 anos. Tracei esta linha horizontal que denominei animal, significando que esta vida já existe no planeta terra há milhões de anos e já existia antes da vida hominal. Descendo sobre esta linha, verticalmente, tracei outra linha que classifiquei como espiritual. Então o espiritual se encontra com o animal, a vida espiritual exerce um impacto sobre a vida animal, aqui formando um ângulo reto. Unindo o animal com o espiritual através desta chave com linhas oblíquas ascensionais (nem horizontais, nem verticais, mas oblíquas, ascensionais), nominei esta chave como hominal. Prefiro usar hominal ao invés de humano – pois humano já tem outro sentido. Animal, espiritual, hominal – quer dizer que hominal é uma combinação de animal e espiritual. Isto é importante compreender, porque disto trata o Gênesis – mostra a relação entre a vida animal que já existia muito antes de nós e a vida espiritual, que o Gênesis chama o sopro divino. Então, os Elohim exercem um impacto sobre a vida que já existia. Esta ideia de que o impacto espiritual é exercido sobre a vida animal é importante saber.

 

A palavra espírito não é palavra filosófica. A palavra filosófica é razão, logos em grego. Mas infelizmente, aqui no ocidente, deturpamos a terminologia e identificamos a “razão” com inteligência. É um desastre que só traz obscuridade e confusão. Inteligência é apenas uma faculdade de nosso Ego mental. Razão é uma faculdade de nosso EU espiritual. Então, quando eu digo espírito, saibam desde já que isto quer dizer razão, em grego, logos. Noos ,em grego com dois “oo”, é inteligência e logos em grego é razão. Do Evangelho de João: “No princípio era o Logos”, falando do Cristo, que a Vulgata chama Verbo. No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus e o Logos era Deus.” Isto no princípio do 4º Evangelho em grego. Quer dizer, o Cristo é identificado com a razão, não com a inteligência. A inteligência muitas vezes é o anticristo.

Voltando ao nosso gráfico: aqui, na horizontal está o mundo animal; na vertical o mundo espiritual, ou racional. Fazendo uma combinação entre elas temos inúmeras linhas oblíquas de 10’, 20’, 40’ 60’… que representam o mundo hominal. O homem é uma combinação entre o animal e o espiritual. O Apocalipse também supõe que o nosso corpo (não o nosso espírito) vem do animal. Teilhard de Chardin diz: “Aqui há uma descontinuidade da vida sobre a continuidade da vida”. Isto nós chamamos a creação do homem, não do seu corpo, mas do seu espírito – que vem do Infinito, vem dos Elohim, vem da Divindade.

Confundem-se os darwinistas que querem derivar o espírito do animal. O mais não pode ser derivado do menos. Uma consciência maior que é o espírito não pode ser derivada de uma consciência menor que é o animal. Diz Einstein: “Do mundo dos fatos não há nenhum caminho que conduza ao mundo dos valores.” Os fatos são esta linha horizontal e os valores são esta linha vertical.

Aqui nesta linha oblíqua há uma combinação entre animal e espiritual. Os Elohim insuflaram o sopro do espírito neste animal que já existia. Se fosse em um punhado de barro, porque nós seríamos iguais aos animais, em nosso corpo?

Os Elohim sopram o espírito no animal e dão a ordem para que não continuem a viver como simples animais, porque já não o eram. Eram hominais. Dão ordem que não comam do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal. A árvore do conhecimento do bem e do mal é a ideia da reprodução puramente animal. Instruem os Elohim:”Daqui por diante vivei e reproduzi-vos como seres humanos”. Como seria isto? A reprodução seria corporal como nos animais, pois não conhecemos outra reprodução que não seja corpo a corpo. Isto não é proibido. Mas reprodução não seria feita pelos mesmos motivos que levam o animal à reprodução: por simples libido, por simples instinto sexual. Libido, em latim, quer dizer prazer. Agora, entra um novo fator que o animal não conhece: AMOR. 99% dos homens continuam, contudo a se acasalar simplesmente por libido, por prazer, como os animais. Então, os Elohim dizem, “daqui por diante, reproduzi-vos, mas não como o animal, não por simples prazer sexual, por libido, mas, vós agora já sois seres humanos. Já tendes uma categoria superior, reproduzi-vos por amor.” Esta a ordem que os Elohim dão. O amor é chamado árvore da vida. E a libido é chamada árvore do conhecimento do bem e do mal.

Volto a explicar a terminologia bíblica: quando a Bíblia diz conhecer ela sempre entende, ter relação sexual.  Adão conheceu sua mulher e ela concebeu. Maria, abordada pelo anjo diz: “Eu não conheço homem”, significando que não tinha relações sexuais com nenhum homem. Então, a árvore do conhecimento do bem e do mal é a árvore das relações sexuais: o bem e o mal – o bem é o nascimento, e o mal é a morte. Porque as relações físicas fazem nascer, mas também deixam morrer, porque ninguém pode gerar um filho imortal. O filho nasce, vive algum tempo e depois morre.

Então, dizem os Elohim: “Não vos reproduzais daqui por diante, não vos procrieis com o animal, porque senão sereis mortais, porque o animal também é mortal. O animal não pode imortalizar o seu corpo. Vós, porém, deveis procriar um corpo imortal.”. Esta coisa é estranha no Gênesis. Todo o Gênesis afirma que se pode procriar um corpo imortal e nós estamos procriando corpos mortais. Mas, o Gênesis diz: “Se vos unirdes não por libido,, não por instinto sexual, mas por amor, então procrieis corpos de filhos imortais.”

            Será isto possível? O Gênesis indica esta possibilidade, desde que a procriação seja por amor. Não é coisa que vai acontecer amanhã; poderá ainda demorar milhares de anos, desde que o amor suplante a libido, no início será de 10%, depois 20%…80%, 90%.  Quer dizer, a evolução humana seria esta, afastando-se da procriação por libido e aproximando-se cada vez mais da procriação por amor, mas, a procriação seria corporal, só o motivo seria diferente.

A Bíblia conta casos de filhos que nasceram altamente espirituais, bem como de filhos que nasceram terrivelmente animais. Vamos ver alguns exemplos.

Adão e Eva se encontraram no plano horizontal, sucumbiram à velha animalidade e comeram do fruto proibido. Deste acasalamento nasceu Caim – o primeiro homicida da humanidade. Assassinou seu irmão Abel por motivos fúteis, só por inveja.

Depois Adão e Eva geraram centenas de filhos. Quando contavam 500 – quinhentos – anos, geraram Set e este, segundo a Bíblia, era feito a imagem e semelhança de Adão, ou seja, era um homem espiritual. E quando Set tinha 150 (cento e cinquenta) anos gerou Enos, de quem a Bíblia diz uma coisa grandiosa: Enos foi o primeiro homem que invocou o nome de Deus. O primeiro homem espiritual gerado quando seu pai tinha 150 anos.

Porque a Bíblia menciona estas gerações tardias, de pessoas em idade avançada? A Bíblia quer dizer, eles já estavam muito longe da libido. Estavam muito perto do amor. Isto seria o que a Bíblia supõe e muitos homens antigos… Cresceu o amor e diminuiu a libido. E quando o amor era muito grande e a libido era muito pequena geraram, é claro, fisicamente, mas, não por motivo de paixão ou de libido, mas muito mais por amor. Vamos dizer com 90% de amor e apenas 10% de libido.

O mesmo se deu com Abraão e Sara. Sara era estéril, mas quando já estavam lá pelos 70, 80 anos, tiveram Isaac, que quer dizer sorriso:“Este é o sorriso da minha velhice”, exclamou Abraão. E Isaac é um dos antecessores de Jesus. E Abraão e Sara, em idade avançada, quando já tinham pouca libido mas muito amor geraram Isaac.

Elizabete (que nós chamamos Izabel, mas que no Evangelho se chama Elizabete) era estéril. Mas Elizabete e Zacarias, já em idade avançada, conceberam João Batista, que Jesus chama “o maior dentre todos os filhos de mulher” (os nascido de união sexual a Bíblia chama filhos de mulher; os nascidos sem união sexual chama de filhos do homem).

O amor de Zacarias e Elizabete, já na idade avançada, era muito grande, já a libido não: esta diminui com a idade, mas o amor não precisa diminuir. O amor é da alma e a alma é sempre eternamente jovem. Então, isto é uma linha ascensional afastando-se da animalidade da libido, e aproximando-se da espiritualidade do amor. E os filhos que daí nascem, sempre têm qualidades altamente espirituais, porque se aproximaram através de seus pais da espiritualidade. Herdaram qualquer coisa de espiritualidade porque foram concebidos, com mais amor do que paixão, mais amor, do que libido.

O Gêneses é uma apoteoso da evolução humana: “não comais da árvore da libido, do conhecimento do bem e do mal, mas aproximai-vos da árvore da vida”. Os Elohim não querem que o homem seja igual ao animal, pois é uma categoria superior de ser, então insistem na reprodução hominal, tipicamente humana, reprodução por amor.

Este é o conteúdo desta misteriosa proibição: não comer do fruto do conhecimento e do mal: que houvesse uma ascensão da horizontalidade do animal para a verticalidade do espiritual. Poucos, talvez ninguém, ainda chegou lá. Mas a Bíblia, como já mencionei, conta diversos casos em que o corpo físico do personagem não conheceu a morte. Pelo menos Enoc, Elias e Moisés. Quer dizer que apesar de serem concebidos fisicamente, mas, provavelmente com muito amor e depois eles intensificaram por sua própria conta, o amor. Espiritualizaram a sua animalidade que ainda tinham. Espiritualizaram o seu corpo, conseguiram alto grau de espiritualização e esta espiritualização lhes deu a possibilidade de transformar o seu corpo material num corpo astral. O corpo astral não tem peso, é invisível, não tem dimensões, é pura energia. Hoje em dia a ciência substituiu a palavra astral por bioplásmico. O corpo bioplásmico está na base do corpo material e que se consegue fotografar com os aparelhos Kirlian. Quando alguém transforma seu corpo material em corpo energético, imortaliza seu próprio corpo. Isto é possível a toda humanidade, mas poucos o conseguiram. Lembre-se: a evolução vai com passos mínimos em espaços máximos. A Natureza é vagarosa – veja o crescimento de uma árvore, de um carvalho, de um jequitibá.

Paramahansa Yogananda afirma que o homem pode acelerar a sua evolução espiritual – pode fazer em 20 anos o que faria em 200 anos. Mas quem nada faz pela sua espiritualidade tem que esperar por milhares de anos para que aconteça alguma evolução.

Suponhamos que alguém cheque até a vertical da espiritualidade – isto seria 100% de amor e zero de libido. Bem, isto não é comum na humanidade. O Evangelho menciona um único caso: a formação do corpo de Jesus. Mateus e Lucas narram isto através de termos misteriosos: a formação de um corpo verdadeiramente humano sem nenhum contato físico, ou seja, sem libido. O amor não precisa de contato físico, e pode produzir um corpo a qualquer distância. Isto supõe 100% de evolução espiritual e isto deve ter havido por parte dos pais de Jesus. Como não compreendemos, caímos na mitologia: Jesus não tinha pai humano; o Espírito Santo é que foi o pai de Jesus… Isto é impossível, pois uma Divindade nunca pode ser pai de um ser humano. Um ser humano tem que ter por pais, seres humanos. Nós não compreendemos que possa haver uma fecundação sem contato físico, ou seja, uma fecundação astral. Mas é claro que se deu uma fecundação astral, fecundação pelo amor. É o que está narrado nos Evangelhos e é uma antecipação de uma nova humanidade.

O grosso da humanidade ainda não está neste caso. Deve passar pela sua hominalidade de 10’, 20’, 30’… até chegar, quem sabe, a 90 graus. Está implícito no Gênesis e deve demorar muito tempo. Para o Gênesis, o tempo não é muito significante, mas o importante é que existe a possibilidade duma multiplicação por amor. Crescei , depois, multiplicai-vos. Há 2.000 anos lemos isto e entendemos que se refere a crescimento físico. Mas não é. Trata-se disto: “crescei, aumentai o vosso potencial humano, e depois, multiplicai-vos”. Esta ordem dos Elohim não foi dada só a Adão e Eva, foi dada a toda a humanidade: “não fiqueis no plano horizontal o animal. Crescei e, então, multiplicai-vos”. Após alguma evolução espiritual, mesmo antes de chegar ao fim, “vereis que melhorará o vosso corpo”.

As doenças não fazem parte do nosso corpo; não estarão presentes na espiritualidade. Completada a nossa hominalidade não teremos doenças e o nosso corpo não morreria; como Enoc, Elias, Moisés o transformaríamos em corpo astral. Como o está fazendo Babaji, na Índia, e, provavelmente, com o Conde Saint Germain.

Quer dizer que a imortalidade do corpo não é uma coisa do passado. Também no presente existem homens imortais que podem desmaterializar o seu corpo quando querem, e podem rematerializar o seu corpo quando querem.

Quando nosso espírito é muito primitivo, nós não somos donos do nosso corpo; somos seus escravos.

O corpo de Jesus também era imortal. Aos que queriam matá-lo dizia: “ainda não chegou o meu tempo”. E quando este tempo chegou disse: “destruí este templo (referia-se ao seu corpo) e em 3 dias o reedificarei”. Isto é o máximo do poder espiritual: poder reconstruir o próprio corpo morto quando o quisesse.

Quer dizer, tudo que estou dizendo está implicitamente contido nas palavras do Gênesis. O homem futuramente chegará ao zênite da sua evolução e então a sua reprodução, primeiro será feita por amor, mas, ainda corporalmente, e não por simples libido. E no fim será feito por amor, não mais materialmente, mas astralmente. Aí termina propriamente a nossa velha humanidade. A velha humanidade se multiplica fisicamente, ainda que seja por amor. Já é um grande avanço, quando faz por amor, e não por libido. Mas ainda é da velha humanidade.

Isto está no Apocalipse: “No fim dos tempos” diz a revelação de João, “haverá um novo céu e uma nova terra, e o reino de Deus será proclamado sobre a face da terra.” Haverá um novo céu. Quer dizer, este novo céu é isto aqui: o espiritual. E por isso também haverá uma nova terra (isto aqui). Um novo espírito e um novo corpo. O Apocalipse chama um novo céu, espiritual; e uma nova terra, corporal. A terra é o corpo e o céu é o espírito.

Se não houver um novo céu espiritual, uma consciência espiritual altamente desenvolvida, não pode haver uma nova terra. A nova terra é a humanidade imortal e o novo céu é a consciência do nosso Eu espiritual.

OBS.: em negrito e itálico os textos transcritos da apostila de transcrição da aula.

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

E_mail:                 ihgomes@hotmail.com

Blog:                     http://ihgomes.wordpress.com/